Comentários

Um dos maiores roteiristas da história da DC Comics, Grant Morrison remodelou e deu uma nova carga de energia à Liga da Justiça nos anos 90, e o que a equipe é nos dias de hoje, certamente, se deve muito ao seu talento.

Grande personagem da editora, Batman, obviamente, teve grande papel nessa remodelação, o que Morrison descreveu em entrevista à Entertainment Weekly. Bem como a Liga da Justiça, ele estava passando por grandes mudanças nos anos 90, por influência, especialmente, dos contos de Frank Miller e das aventuras cinematográficas dirigidas por Tim Burton.

“Denny O’Neil estava no comando de Batman na época. Obviamente, Denny é um dos grandes escritores e editores do personagem. Nos anos 90, Batman estava sendo tratado de uma maneira bastante séria e pé no chão. Então, eles ficaram horrorizados com a ideia de que Batman poderia se unir à Liga da Justiça novamente e se teletransportar para um satélite na Lua.

Sou um grande fã do Batman, e escrevi muitas de suas histórias. Adoro que ele possa sair à noite para salvar as crianças das garras dos pervertidos. Ao mesmo tempo, ele vive no universo DC e o fez por muito tempo. Na companhia da Liga da Justiça, Batman representa a humanidade, a idealização do homem. Ele é nosso representante na mesa dos  deuses, o que o torna interessante de uma maneira realmente diferente.

Todos estes personagens têm muitas camadas e facetas, e acho que eles podem lidar com histórias diferentes. Acho que Batman pode lidar com um teletransporte  no porão. Às vezes, uma vez por mês, Batman faz uma missão com a Liga da Justiça em um planeta alienígena. As aventuras de Batman e a Liga da Justiça… É como quando você era criança e seu pai costumava sair com aquele grupo de amigos estranhos. Ele se diverte, e volta a rir. Ele sai com essas pessoas e faz coisas muito loucas, como em Se Beber, Não Case! Parte II.”

Indo mais além, o famoso escritor explica o simples segredo para ter potencializado as vendas: trazer um pouco mais de tradicionalidade às histórias, que contavam com muitos rostos desconhecidos.

“Havia muito tempo que os personagens da Liga da Justiça não eram os grandes nomes da DC – Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, etc. Aconteceu uma remodelação bem-sucedida nos anos 90 por Keith Giffen e J.M. DeMatteis, feita quase como uma comédia dramática, uma grande reimaginação.

Só que, honestamente, quando cheguei, os quadrinhos estavam cheios de personagens dos quais ninguém se lembraria ou gostaria de lembrar, como Bloodwynd, que tem um dos piores nomes de heróis. Não eram personagens ruins, e os escritores e artistas eram bons. Foram personagens tão distantes da lista de celebridades do universo DC que você não teria ideia de quem eles eram mesmo se os encontrassem em uma boate.

E não estavam vendendo muito bem. Acho que vendiam cerca de 20 mil cópias por mês. Quando me encontrei com Howard Potter, nossa ideia, basicamente, era: voltemos à noção original disso e juntemos todos os personagens mais bem-sucedidos e conhecidos da DC. Na época, isso era visto como algo radical.”

Vestígios do trabalho de Grant Morrison são evidentes em histórias da Liga da Justiça até os dias de hoje, em diversas mídias. A equipe é o tema do mais recente longa-metragem da DC, que chegou aos cinemas no último fim de semana na maior parte do mundo.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.