Apesar de ambos serem aclamados pela crítica e pelos fãs, e a até mesmo terem comparações entre si em relação ao seu estilo e conteúdo, os lendários quadrinistas Alan Moore e Grant Morrison amargam há anos uma grande rivalidade, e suas fortes opiniões sobre o trabalho um do outro são conhecidas por grande parte da indústria dos quadrinhos.
No volume mais recente da Full Bleed, uma revista de quadrinhos trimestral com obras originais, análises e conversas profundas com criadores de quadrinhos, Morrison discutiu seus problemas com Moore e por que ele não gosta de Watchmen.
O autor de obras como Os Invisíveis e Grandes Astros Superman revelou que, embora sua opinião sobre a famosa colaboração de Moore com o artista Dave Gibbons tenha amenizado ao longo dos anos, sua aversão ao material ainda permanece.
“O fato de que nenhum dos personagens foi autorizado a ser mais inteligente do que o autor é algo que realmente me deixa louco. O homem mais inteligente do mundo é um idiota. Ele faz um plano por toda a sua vida, que é desfeito no final do livro em um instante. O psiquiatra senta com Rorschach por cinco minutos e Rorschach conta uma história super banal de como ele se tornou um vigilante e o psiquiatra fica perturbado. Se você é um psiquiatra de criminosos, que lida com esses homens na prisão, você já ouviu um milhão dessas histórias. Foi tudo para fazer um ponto específico sobre como o mundo real não é como quadrinhos de super-heróis.”
Morrison ainda continuou a criticar o estilo de escrita de Moore, afirmando que a mecânica é óbvia demais em toda a série, em vez de ficar escondida para o leitor. Ele também alegou que a razão para a animosidade entre ele e Moore é porque ele foi a primeira pessoa a expressar publicamente sua antipatia por Watchmen.
Mas apesar de seu passado, Morrison não considera uma briga, mas sim um desentendimento contínuo.
“Eu nunca tive nada com ele e ele nunca teve nada a ver comigo. Muitos fãs de quadrinhos gostam de pensar que há alguma rixa, mas uma disputa teria que envolver o interesse das duas pessoas.”
Morrison reconheceu ainda que ele lê o trabalho de Moore e assume que Moore faz o mesmo, embora ele nunca venha a admitir isso publicamente.
“Eu leio suas coisas, ele lê minhas coisas… ele finge que não lê, mas lê.”
Por fim, Morrison reconhece que ele e Moore são duas pessoas tão parecidas e tão diferentes que o conflito entre os dois é a única conclusão lógica que faz sentido.




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