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Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez um dos personagens mais pedidos, a Sentinela da Liberdade, um verdadeiro ícone, o Capitão América!

Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.


Trazendo a primeira aparição do Capitão América e sendo uma pedra angular na Era de Ouro dos quadrinhos, Captain America Comics #1 foi publicada pela antiga predecessora da Marvel, a Timely Comics, em 1941. Criado por Joe Simon e Jack Kirby, o quadrinho foi um excelente exemplo de propaganda americana na Segunda Guerra Mundial, inspirando outros quadrinhos que viriam a ser publicados no início dos anos 40.

Apesar de ser basicamente um material de propaganda política, esta história em quadrinhos apresenta muitos conceitos que acabariam desempenhando papel central na mitologia do Capitão América, como o soro experimental que lhe transformou em um super-herói, sua amizade com o jovem Bucky Barnes, e a primeira das muitas batalhas contra seu maior vilão, o nazista Caveira Vermelha.



Para muitos, a verdadeira origem dos Vingadores não data de sua primeira edição, mas sim da quarta. Isso porque em Vingadores #4 Stan Lee e Jack Kirby decidiram trazer de volta o Capitão America, criado por Joe Simon e pelo próprio Kirby como um herói da Segunda Guerra Mundial, e esquecido no limbo desde então. Na trama, os recém-reunidos Vingadores encontram o corpo do Capitão América congelado, descobrindo que o soro do supersoldado que corre em suas veias o manteve vivo e em animação suspensa durante anos. Ao acordar, em uma época completamente diferente, Rogers e junta às fileiras da equipe enquanto tenta se encaixar em um mundo tão diferente daquele em que viveu.


Anos depois de terem trazido o Capitão América de volta para um nova geração de leitores, Lee e Kirby começaram a enxergar a necessidade de recontar a sua origem. Assim, em 1969, mais exatamente em Captain America #109, as duas lendas do quadrinhos trouxeram uma nova visão para a história de como Steve Rogers se tornou o Capitão América.

A história, intitulada “O Herói do Passado” é considerada como um dos melhores trabalhos artísticos de Jack Kirby, e já foi publicada no Brasil em Coleção Histórica Marvel #1 – Capitão América, pela editora Panini.


Quando Jack Kirby saiu dos desenhos da revista do Capitão América, coube a Jim Steranko a difícil tarefa de suceder O Rei. Bem, talvez difícil não seja a palavra correta aqui, pois a passagem – ainda que curta – de Steranko pelo título do bandeiroso é aclamada até hoje, onde acompanhado do roteiro de Lee, nos presenteou com uma sensacional trama onde o Capitão América é dado como morto, publicada em Captain America #110, #111 e #113.

Na trama, publicada por aqui também em  Coleção Histórica Marvel #1 – Capitão América, Rogers enfrenta a ameaça da Hidra, acompanhado de seu novo parceiro Rick Jones, que consegue convencer o Capitão a ser o substituto de Bucky Barnes. Chegando à conclusão que o fato de sua verdadeira identidade ser pública o torna constantemente um alvo em potencial, Rogers forja a própria morte para acabar com os vilões, liderados pela Madame Hidra.


Durante anos após ser reintroduzido na Era de Prata dos quadrinhos, o Capitão América lamentou a morte do seu ex-parceiro Bucky Barnes. E eis que em 1969, o Cap finalmente encontrou um substituto para Bucky, quando a Marvel Comics fez história sendo a primeira editora de quadrinhos mainstream a criar um super-herói afro-americano.

Stan Lee e Gene Colan introduziram Samuel Wilson, o Falcão, em Captain America #117. O personagem ajuda Steve Rogers a derrotar o Caveira Vermelha, que mais uma vez está de posse de Cubo Cósmico. Ao longo do arco, o Capitão trabalha extensivamente com o Falcão, treinando-o e o ajudando a lidar com seus recém adquiridos super-poderes (obtidos através do Cubo Cósmico). Após o Caveira Vermelha ser derrotado, Falcão agradece o Capitão por salvar o dia, mas o Primeiro Vingador está certo de que seu mais novo parceiro é igualmente responsável por tornar o mundo um lugar melhor.

Falcão ainda iria aparecer consistentemente na série do Capitão América ao longo dos próximos anos, antes de eventualmente dividir o título com o herói a partir da edição #134, quando a revista foi renomeada passando a se chamar Capitão América e Falcão. Mais tarde, o personagem acabou se tornando membro efetivo dos Vingadores.


Depois de chegar à conclusão de que o Capitão América era mais do que um super-herói, era um símbolo, o escritor Steve Englehart resolveu trabalhar um pouco mais a humanidade do homem debaixo da máscara, durante sua fase pelo título. Em um enredo que continha alusões nem um pouco sutis à Richard Nixon e o Escândalo de Watergate, o Capitão América vê o seu mundo e tudo em que acredita ser abalado na história “Império Secreto”. Aqui, o Capitão segue uma conspiração criminosa que o conduz ao cargo mais alto dos EUA. Quando Steve faz sua descoberta chocante, o presidente comete suicídio, quebrando a confiança do Vingador nos ideais e na pureza da América. “Como milhões de americanos, cada um a sua maneira, ele vê sua confiança ser ridicularizada”, diz o roteiro de Englehart.

Com a decepção, o Capitão América iria temporariamente largar a vida de super-herói, voltando pouco tempo depois. No entanto, olhando de uma forma aberta e honesta a decomposição da liderança política americana, Englehart adicionou um nível de profundidade e maturidade para o título do personagem. Antes dessa história, o Capitão América nunca havia desacreditado em seu país, e tal acontecimento iria ainda inspirar muitos roteiristas no futuro.


Publicada originalmente entre 1991 e 1992, As Aventuras do Capitão América: Sentinela da Liberdade foi uma minissérie em quatro edições escrita por Fabian Nicieza e com arte de Kevin Maguire, cujo objetivo era recontar (novamente) a origem do Capitão América, em comemoração aos seus 50 anos de criação.

A HQ dá uma leve modernizada na origem do herói, com um olhar mais aprofundado e detalhado do que havia sido feito antes. Uma das coisas interessantes estipuladas nessa história é retirar aquela simplicidade infantil que permeava Bucky Barnes, mostrando o parceiro do Capitão América agora como um jovem habilidoso, corajoso e bem menos criança.


Em meados de 1976 e 1977, após uma passagem pela concorrente DC Comics, Jack Kirby voltou à Marvel para comandar sozinho a revista do personagem que criou. Dessa fase, sua história mais famosa é sem dúvidas o arco “Madbomb”, publicado em Captain América #193 a 200.

Na trama, que contempla toda aquela velha questão política e social da década de 70, Steve Rogers precisa impedir uma bomba que afeta os nervos, ao lado do seu velho companheiro Sam Wilson, o Falcão. Essa passagem de Kirby nos apresenta ainda um personagem que viria a se tornar um dos mais bizarros e perigosos inimigos do Capitão América: o cientista nazista Arnin Zola.


Não é só o Homem-Aranha que passa por problemas de identidade. O mais ícone do universo Marvel e um verdadeiro símbolo para todos os outros heróis, o Capitão América também possui suas dúvidas e momentos em que repensa o seu lugar no mundo como um super-herói e os caminhos trilhados pelo seu pais. Em 1987, quando Mark Gruenwald esteve à frente dos roteiros do personagem, em uma das passagens mais políticas da revista do herói, entregou a sensacional saga Nunca Mais! que perdurou a incrível marca de 19 edições, indo de Captain America #332 a #350.

Quem já leu essa história e assistiu ao recente trailer do filme Capitão América: Guerra Civil, provavelmente percebeu algumas similaridades entre ambos. Isso porque, na HQ, Rogers é confrontado pelo governo dos EUA pelo fato de ser sido criado como um projeto governamental, mas estar agindo de forma independente desde que ressurgiu e se juntou aos Vingadores. Assim, o Capitão se vê diante de um impasse: ou volta a trabalhar para o governo, ou abandona o uniforme.

É durante essa fase que Steve Rogers assume o icônico uniforme preto sob a alcunha apenas de “Capitão”, enquanto o governo convoca o violento e errático John Walker para ser o novo Capitão América. O confronto, obviamente, é inevitável.


Um dos momentos mais memoráveis do Capitão América vem de uma saga clássica dos Vingadores que é incansavelmente pedida pelos fãs por um republicação: Sob Ataque, escrita por Roger Stern e desenhada por John Buscema. Sob Ataque nada mais é do que a primeira história a mostrar os Vingadores completamente despedaçados e sem rumo antes mesmo da moderna Vingadores: A Queda. Na trama, o Barão Zemo reúne novamente os Mestres do Terror, mas decide que dessa vez sua ofensiva será mais violenta e decisiva, e simplesmente invade a mansão dos Vingadores e a toma para si, ao pegá-los completamente desprevenidos.

No entanto, o momento mais emblemático da saga é quando percebemos o quanto o Capitão América é fragilizado em seu íntimo, por ser um homem fora de seu tempo. A cena na qual Steve Rogers chora ao ver que seus itens pessoais foram destruídos – incluindo a única foto que tinha de sua mãe – é de partir o coração.


Coloco no título essa história em especial, mas o fato é que toda a (curta) fase de Roger Stern e John Byrne à frente do bandeiroso vale a pena. Além de terem acrescentado todo um novo elenco de personagens coadjuvantes ao levarem Steve Rogers de volta a seu velho apartamento no Brooklyn, a dupla criou essa história que já nasceu um clássico, na qual o Capitão América é cotado como candidato à presidência dos Estados Unidos. Uma crítica política mostrando que ainda que seja um símbolo do patriotismo estadunidense, isso não quer dizer que Rogers esteja preparado para governar todo um país.



Apesar dos anos 90 não terem sido favoráveis com a maioria dos heróis, existiram alguns sopros de criatividade na indústria, e uma dessas histórias vem da passagem de Mark Waid e Ron Garney pelo título do Capitão América. Em Operação Renascimento, publicada nas edições 444 a 454 da revista Captain America, Steve Rogers precisa enfrentar novamente a ameaça do Caveira Vermelha, que retornou em busca do Cubo Cósmico. Um outro retorno marcante da história fica por conta de Sharon Carter, antiga amada do herói, e que havia sido dada como morta anos atrás.


Um dos pontos mais interessantes na história do Capitão América – e que infelizmente alguns roteiristas parecem esquecer – é justamente o fato dele ser um homem de um outra época, que de repente se viu acordando nos dias atuais. Ou seja, literalmente um homem fora de seu tempo.

Mantendo isso em mente, o aclamado escritor Mark Waid criou essa história, que mostra diversos momentos da trajetória do personagem, mas sempre focando na forma como Steve Rogers encara esse mundo moderno e o quanto esse conflito está sempre dentro de seu interior. Uma excelente HQ, e um incrível apanhado sobre a história desse herói.

No Brasil, a história passou meio que despercebida, publicada de forma completa na edição 53 da revista Avante, Vingadores! da Panini.


A fase do roteirista Ed Brubaker pelo título do Capitão América não é apenas uma das mais longas, como também aquela que é aclamada por muito como a melhor fase que a Sentinela da Liberdade já teve nos quadrinhos. Isso porque em seu arco inicial Brubaker já chegou com os dois pés na porta, trazendo o antigo parceiro de Rogers de volta, Bucky Barnes, dessa vez sob a forma de um mortífero e perigoso vilão: O Soldado Invernal. Após ter sobrevivido à Segunda Guerra – tendo apenas perdido um braço – Bucky foi capturado pela União Soviética, onde sofreu uma lavagem cerebral e passou a trabalhar como espião e assassino, se tornando uma verdadeira lenda no submundo.

Como se não bastasse ter trazido Bucky de volta, Brubaker ainda direcionou com maestria a revista do Capitão América durante o período da Guerra Civil, culminando com o fatídico momento em que Steve Rogers é assassinado na escadaria do Capitólio. Um momento emblemático, que foi reproduzido até mesmo nos meios de comunicação na época de seu lançamento.

A Panini vem relançando a fase Brubaker em encadernados, cuja primeira fase corresponde aos seguintes volumes:


Talvez a história mais importante não apenas do Capitão América ou dos Vingadores, mas de toda Marvel neste século, Guerra Civil é escrita por Mark Millar e conta com os incríveis desenhos de Steve McNiven. Na história, um acontecimento traumático desencadeado por um grupo de super-heróis adolescentes ocasiona a morte de centenas de crianças, o que faz o governo dos EUA e  a população americana olharem com outros olhos para a comunidade super-heróica e o modo como eles andam livremente por aí. Assim surge a lei de registro, que obriga qualquer herói que queira se manter dentro da lei a revelar sua identidade secreta e trabalhar em conformidade com o governo.

Dessa maneira, os heróis acabam se dividindo em duas facções: a do Homem de Ferro, que é pró-registro; e a do Capitão América, que acredita que as identidades precisam continuar secretas para que os heróis possam continuar fazendo o seu trabalho. Contando com inúmeras cenas marcantes como a revelação da identidade do Homem-Aranha em rede nacional e do quebra-pau monstruoso entre Capitão América e Homem de Ferro, Guerra Civil se faz indispensável não só para quem busca histórias dos Vingadores, mas para qualquer leitor de quadrinhos. Inclusive, o próximo filme do Capitão América adaptará a saga para o cinema.


Após a morte de Steve Rogers, Ed Brubaker precisava continuar com a revista do bandeiroso, e a solução foi passar o manto – ou o escudo – adiante. Assim, Bucky Barnes, já recuperado da lavagem cerebral de seus tempos de Soldado Invernal, se torna o novo Capitão América.

O interessante aqui é que Brubaker deixa bem claro enquanto conta sua história de que aquele ali é um Capitão completamente diferente, por meio de suas atitudes. Afinal, Bucky teve um treinamento diferente de Steve, e uma visão de mundo muito mais em tons de cinza do que simplesmente preto ou branco. Um Capitão América completamente preparado para o mundo moderno. Mais brutal, mais decisivo, com mais atitude. O Capitão que o mundo precisava naquele momento.

Essa fase também vem sendo republicada pela Panini em formato de luxo.


Publicada em 6 edições, a minissérie Captain America: Reborn também conta com os roteiros de Ed Brubaker, acompanhado da arte de Bryan Hitch (Os Supremos), que se juntam nessa história para revelar a verdade sobre a experiência de “morte” do Capitão América e consequentemente, trazê-lo de volta (como é de praxe nos quadrinhos de super-heróis).

Na trama, é revelado que na verdade Steve não foi morto, e sim ficou preso no espaço-tempo, revivendo seus tempos de guerra. Tudo um plano de seu arqui-inimigo, o Caveira Vermelha, que pretende se apoderar do corpo do Capitão América.


Escrita por Mark Millar e com desenhos de Bryan Hitch, Os Supremos faz parte do universo Ultimate, uma linha alternativa da Marvel onde os Vingadores foram reinventados com uma pegada mais realística para uma nova geração. Aqui, os Supremos agem sob a sanção da Shield, e são um super-grupo para a defesa dos EUA e, obviamente, do mundo. Com histórias mais “pé no chão” e com origens e explicações de poderes mais plausíveis, Os Supremos é aclamada por público e crítica como um dos melhores materiais já produzidos pela Marvel, e está sempre figurando entre as listas de melhores gibis da década passada.

E um dos personagens mais interessantes nessa nova roupagem é justamente o Capitão América. Aqui, Steve Rogers é tão patriota – ou até mais – que sua contraparte no universo regular, mas com algumas diferenças na maneira de pensar e agir. Se o Capitão original é praticamente um escoteiro certinho, o Capitão Ultimate é violento, temperamental, e não tem papas na língua. Apesar de alguns fãs mais xiitas criticarem essa abordagem do herói, Os Supremos sem dúvida apresenta uma das melhores versões paralelas do personagem.


Após os eventos da saga O Cerco, onde o Reinado Sombrio de Norman Osborn encontrou seu fim, Steve Rogers voltou à ativa, mas não mais como Capitão América, e como Comandante Rogers, o novo líder da SHIELD. Em seu novo cargo, Rogers fundou os Vingadores Secretos, uma unidades especial para investigar e limpar a bagunça remanescente do regime Osborn. Com Sharon Carter servindo como supervisora, a equipe contava em suas fileiras com Fera, Máquina de Combate, Valquíria, Nova, Viúva Negra, Cavaleiro da Lua e Homem-Formiga.

A primeira fase da equipe foi escrita por Ed Brubaker, trazendo tramas de espionagem influenciadas pelos quadrinhos de Jim Steranko, e mais tarde tarde trouxe Warren Ellis como roteirista.


Após a saga Pegado Original, em sua nova fase intitulada All-New Marvel Now, a Marvel decidiu tirar novamente Steve Rogers de cena – envelhecido por não ter mais o soro do supersoldado nas veias – passando o seu escudo para outro personagem. Mas dessa vez não se trata de Bucky Barnes, e sim um outro antigo parceiro do Capitão América: Sam Wilson, o Falcão.

Escrita por Rick Remender e com arte de Stuart Immonem, a revista chega para mudar paradigmas. Segundo a Marvel, durante anos o Falcão serviu como aliado do Capitão América, e agora é hora de tentar uma nova dinâmica, com o idoso Steve Rogers servindo como estrategista para o novo Capitão.



Após o evento Guerras Secretas, Steve Rogers teve sua juventude de volta, e retornou ao manto de Capitão América, em uma nova fase escrita por Nick Spencer e com desenhos de Jesus Saiz. No entanto, a primeira edição do novo título já trouxe uma revelação que chocou e irritou os fãs do personagem.

Na trama, que trata de fazer algumas modificações no passado de Steve Rogers, é revelado que o Capitão América sempre foi um agente da Hidra disfarçado. Roteirista e editor já deixaram bem claro que não se trata de uma manipulação mental, um clone ou qualquer coisa do tipo. Resta saber como a história irá se desenrolar.