E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez um personagem que vem sendo bastante pedido. Aquele que já provou mais de uma vez que é muito mais do que um Superman com poderes mágicos. Nosso ex-Capitão Marvel, o Shazam!
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
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O Poder de Shazam
Em 1994, o Capitão Marvel (o personagem só passou a atender apenas pelo nome de Shazam em 2011, após o reboot Novos 52) foi resgatado do ostracismo em uma nova série em quadrinhos escrita e desenhada por Jerry Ordway, que serviu para reintroduzir todo o clima da era de ouro do personagem no novo contexto da DC Comics pós Crise nas Infinitas Terras.
A interpretação de Ordway é bem próxima à origem do personagem em suas primeiras histórias pela Fawcett, com apenas algumas alterações como uma ligação mais próxima e pessoal entre Billy Batson (o alter-ego do Capitão Marvel) e seu maior inimigo, o Adão Negro. A graphic novel é aclamada e considerada como a origem definitiva do personagem, além de ter inserido na continuidade regular da DC Comics todos os personagens da Família Marvel. The Power of Shazam foi publicada de 1994 a 1999, compilando um número de 47 edições.
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O Poder da Esperança
No início dos anos 2000, o roteirista Paul Dini e o desenhista Alex Ross uniram forças para comemorar os 60 anos da DC Comics em uma série de graphic novels em tamanho bem maior que o habitual, para trabalhar alguns dos grandes heróis da editora em histórias mais voltadas para um lado humano e emotivo dos personagens.
Em O Poder da Esperança, Dini e Ross trazem essa abordagem para o Capitão Marvel\Shazam, em uma história onde o herói lê a carta de uma criança que está doente em um hospital, e decide visitá-la. Capitão Marvel acaba se envolvendo emocionalmente nos problemas de outras crianças, e percebe que está servindo a um propósito bem mais elevado pelo simples fato de lhes trazer esperança com sua presença. Não existe um super-vilão, ou qualquer ameaça ao dia, e sim os pequenos e tão poderosos momentos onde um ser super-poderoso percebe que pode realizar grandes ações na vida de pessoas sem precisar sair por aí socando algum vilão genérico unidimensional.
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Os Desafios de Shazam
Em 2007, o escritor Judd Winick recebeu a tarefa de renovar a franquia do Capitão Marvel. Os eventos da mega-saga Crise Infinita ocasionaram a morte do Mago Shazam, e na maxissérie de 12 edições Os Desafios de Shazam, Winick começou a explorar a busca de Freddy Freeman, o Capitão Marvel Jr., para se provar digno de empunhar o poder de Shazam na nova era mágica que começou após o fim de Crise Infinita.
Com um tom notoriamente mais sombrio do que utilizado anteriormente nas histórias do herói, a série acabou não sendo muito bem recebida entre os fãs, acostumados com o clima jovial e descontraído do personagem. No entanto, por tratar de uma evolução natural de um personagem importante como Freddy Freeman e de como o mesmo se tornou o novo detentor do relâmpago, a série acaba tendo uma certa importância na continuidade do personagem, ainda que tudo tenha mudado após o reboot Novos 52 em 2011.
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Reino do Amanhã
Escrita por Mark Waid e contando com os desenhos realísticos de Alex Ross, Reino do Amanhã é conhecida por ser uma das mais famosas, mais bem escritas e mais influentes histórias da DC Comics, ainda que seja parte de uma linha alternativa. Passando-se em um universo paralelo alguns anos no futuro, a história mostra diversos heróis clássicos aposentados, enquanto uma nova geração de heróis adolescentes impulsivos e violentos tomam conta da cidade. Exilado há anos em sua Fortaleza da Solidão, Superman decide voltar para colocar o mundo em ordem, nem que seja na marra. Assim, a Liga da Justiça é reorganizada e passa a policiar o mundo de uma forma mais efetiva e dura, o que acaba incomodando algumas pessoas.
Após sofrer uma lavagem cerebral de Lex Luthor, o Capitão Marvel entra em uma batalha mortal contra o Superman, enquanto o governo decide lançar uma bomba atômica para matar todos os superseres e resolver o problema. Ao voltar a si, o Capitão Marvel resolve se sacrificar usando todo seu poder para parar a bomba. Infelizmente ele falha, mas a cena é belíssima. Apesar de contar com uma participação pequena, a HQ traz um dos momentos mais icônicos do personagem.
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Superman/Shazam!: O Primeiro Trovão
Em 2006, o escritor Judd Winick e o desenhista Joshua Middleton trouxeram Superman/Shazam!: O Primeiro Trovão, minissérie em 4 edições que trata de reimaginar o primeiro encontro Capitão Marvel e Superman, ambos em início de carreira.
Na trama, os heróis se unem para investigar um misterioso roubo de artefatos místicos nos museus de Metrópolis e Fawcett City. O problema é que seus eternos arqui-inimigos, Lex Luthor e Doutor Silvana, também decidem unir forças. Apesar de não trazer uma trama significativa ou marcante, a HQ contribui para quem quer compreender como funciona o Capitão Marvel dentro do Universo DC, enquanto desenvolve a relação entre os dois homens mais poderosos da editora. Existem momentos inspirados e realmente muito bons na história, como quando o Capitão – que afinal, é uma criança de 10 anos – olha com absoluta admiração para os poderes do Homem de Aço, enquanto o próprio Superman admira a proficiência do Capitão com magia.
É também uma das poucas histórias onde é explorado o status de Billy tanto como uma criança quanto como um adulto, com destaque para o choque do Superman ao descobrir que o seu aliado não passa de uma criança. Uma criança que carrega o peso de ser um super-herói.
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Shazam! e a Sociedade dos Monstros
Escrita e desenhada pelo criador de Bone, Jeff Smith, A Sociedade dos Monstros é uma versão do mito do Capitão Marvel\Shazam sob uma abordagem bem mais simplória, com um conteúdo leve a cartunesco cujo objetivo era alcançar todas as idades, podendo ser apreciada por qualquer tipo de leitor.
A Sociedade dos Monstros mais uma vez trata de recontar a origem do Capitão Marvel, mostrando como Billy Batson ganhou seus poderes mágicos. Apesar do clima notoriamente infantil, a HQ não se permite ser boba, resgatando muito do clima inocente que permeava as histórias do personagem na era de ouro, porém trazendo uma trama consistente e bem construída.
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Shazam! – Com uma Palavra Mágica…
Quando a DC reiniciou todo o seu universo em 2011 sob o selo Novos 52, coube ao roteirista Geoff Johns a responsabilidade de recontar nesse recém estipulado universo, a origem do Capitão Marvel – agora rebatizado simplesmente como Shazam. Acompanhado do desenhista Gary Frank, Johns entregou uma roupagem moderna e ousada para o personagem, que respeita tudo que foi feito antes, porém de uma maneira atualizada e mais plausível.
Realizando uma espécie de desconstrução em alguns conceitos básicos do personagem, o roteirista trabalha apresentando um Billy Batson cuja personalidade está bem distante do garotinho puro e inocente de outrora. Aqui, apesar de ainda ser um garoto justo, Batson surge como um órfão mesquinho e arrogante, cuja simpatia demora a ser conquistada pelo leitor. No entanto, a excelente construção e notória evolução do personagem o tornam bem mais bidimensional que sua contraparte das histórias pré-reboot, trazendo assim uma identificação muito mais fácil e imediata com o público. Destaque para o embate contra Adão Negro, e a nova roupagem da Família Marvel.