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E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos novamente um dos personagens mais pedidos há um bom tempo, e que infelizmente possui poucas histórias publicadas no Brasil. O Rei de Atlântida, Aquaman!

Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
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A Busca por Mera


Escrita por Steve Skeates e com arte de Jim Aparo, The Search for Mera foi publicado entre as edições 40 a 56 de Aquaman Vol.1 no início da década de 60. Tendo o lendário Dick Giordano como editor, Skeates e Aparo entregaram aquele que sem dúvida é o primeiro grande run do Aquaman, que contava ainda com as capas impressionantes de Nick Cardy. Por dois anos a dupla seguiu habilmente misturando aventuras épicas, intriga política e relevância social com uma maturidade até então nunca vista na revista do herói.

A história com a qual os artistas iniciaram sua passagem pelo título foi justamente The Search of Mera, um arco em oito partes no qual Aquaman sai em uma jornada em busca de sua esposa por terra e mar.
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A Morte de um Príncipe

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Uma das mais famosas – e infames – histórias do Aquaman, A Morte do Príncipe foi um arco publicado na década de 70 que começou na revista secundária do herói, Adventures Comics, e teve sua conclusão na série regular. Escrita principalmente por Paul Levitz, David Michelinie e Paul Kupperberg, com arte de Jim Aparo e outros, “Death of the Prince” trouxe a morte do filho ainda bebê de Aquaman e Mera pelas mãos de seu maior vilão, o Arraia Negra.

Embora mortes de personagens seja comuns nos quadrinhos hoje, a morte do “Aquababy” foi tão perturbadora quanto surpreendente em 1977, e lançou as bases para a inimizade exclusivamente pessoal entre Aquaman e seu arqui-inimigo.
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Thicker Than Water


Após o evento Crise nas Infinitas Terras, como aconteceu com diversos personagens, a origem de Aquaman foi reinventada para uma era mais moderna, e o personagem apareceu em uma série de minisséries que expandiram seu mito.

A primeira delas, dividida em quatro edições, foi escrita por Neal Pozner e contou com a arte de Craig Hamilton, trazendo inclusive um novo traje para o personagem, que acabou durando pouco tempo. A minissérie explorou a relação doentia entre Aquaman e seu irmão, o Mestre do Oceano, agora imaginado como um feiticeiro.
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Atlantis Chronicles

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Uma das maiores e mais originais minisséries da DC Comics, Atlantis Chronicles foi escrita por Peter David, com arte de Esteban Maroto e dividida em 7 edições. A HQ mistura história e mitologia, respeitando a continuidade dos quadrinhos, enquanto constrói um épico que conta a história da Atlântida desde os seus primeiros dias até o nascimento de Aquaman. Peter David escreve um conto que lembra a Europa Medieval, repleto de sexo, política, religião e guerra, enquanto Esteban Maroto fornece um estilo maduro de ilustração completamente diferente do usual em quadrinhos americanos da década de 90.

Contada a partir de múltiplas perspectivas conforme a história da Atlântida vai se formando, o escopo épico dessa minissérie acabou sendo seguida por outros quadrinhos da DC Comics que vieram posteriormente. Atlantis Chronicles serviu ainda para pavimentar as bases do que viria a ser a fase de Peter David à frente do Aquaman.
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O Tempo e a Maré

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Sequência direta de Atlantis Chronicles, a minissérie em 4 edições Aquaman: Tide and Time também é escrita por Peter David, dessa vez com a arte de Kirk Jarvinen em uma história que retrata o jovem Aquaman escrevendo um diário no qual relata os seus primeiros dias. Na trama, o herói relata sua primeira aventura como um super-herói no mundo da superfície, seu trabalho em equipe com o Flash, seu primeiro romance, e seu primeiro encontro com o Mestre do Oceano, o qual ele descobre ser seu irmão.

Honesta e divertida, a história de David refinou e ajustou alguns elementos da origem do Aquaman, preparando o personagem para o que viria a seguir.
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A Fase de Peter David

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Se existe um símbolo a que pode se resumir a fase de Peter David pelo Aquaman, é o gancho. Claro, a mudança radical em seu traje – dando adeus às escamas laranja – somado à sua espessa barba loira, também são simbólicos o suficiente para marcar essa tão aclamada fase do personagem nos quadrinhos. Mas o gancho é algo mais. É algo a ser temido. E o Aquaman de Peter David passa exatamente essa imagem, deixando de ser um super-herói tradicional, e portando-se muito mais como um majestoso e imponente rei.

Aqui Aquaman é um homem perseguido, e cansado de sua vida. Demonstra pouco interesse pela Liga da Justiça, e age constantemente com a arrogância digna dos reis. Na visão de David, Aquaman é falho, fugindo muito do estereótipo exagerado dos super-heróis. Seus motivos são honestos e críveis, e ele comete muitos erros, o que torna esta uma versão bem mais realista e cativante do personagem. Infelizmente, a fase de Peter David é ainda muito subestimada, e parece praticamente impossível que um dia vejamos essa publicação sair no Brasil em forma de encadernados.

Mas quem sabe… o Aquaman dos cinemas, interpretado pelo ator Jason Momoa, parece beber muito da influência visual da fase Peter David, o que pode acabar significando uma busca dos leitores por mais material do personagem. É aguardar para ver o que a Panini pode fazer.
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Aquaman: Sword of Atlantis

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Com o fim da mega-saga Crise Infinita, em 2005, o título principal do Aquaman foi rebatizado para Aquaman: Sword of Atlantis, trazendo uma nova equipe criativa com Kurt Busiek nos roteiros e Jackson Guice na arte.

Na trama, não temos o Aquaman original, e sim um novo personagem com os mesmos poderes do herói e com um nome extremamente parecido, o jovem Arthur Joseph Curry. O original ainda está na história, mas seu papel é absolutamente secundário. O interessante da HQ é o tratamento dado por Busiek ao novo personagem, que apesar de ser inocente e bastante confuso sobre sua situação, mantém a coragem e heroísmo daquele com o qual divide o mesmo nome. Apesar de não ser uma fase muito aclamada ou comentada – principalmente por não contar com o Aquaman original – Sword of Atlantis é uma ótima história e é perfeita para quem quer aprender mais a respeito do Aquaman, já que afinal é o objetivo do próprio protagonista.
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Sub-Diego

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Uma das fases mais divertidas do personagem pós Peter David foi escrita por Will Pfeiffer com desenhos de Patrick Gleason, quando Aquaman viu metade da cidade de San-Diego afundar debaixo d’água enquanto seus cidadãos misteriosamente começaram a ser capazes de respirar enquanto submersos.

Diante de circunstâncias sombrias, o povo da então apelidada “Sub-Diego” tem de se adaptar e continuar suas vidas – como Aquaman precisou fazer no passado e agora novamente. Exilado da Atlântida, Aquaman retornou ao seu clássico traje laranja nessa época, onde junto com uma nova Aquagirl, ajudou a proteger os cidadãos de Sub-Diego enquanto lhes ensinava a se adaptar ao seu novo estilo de vida.
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O Dia Mais Claro

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Durante a saga A Noite Mais Densa, Aquaman estava morto, sendo então um dos ressuscitados pela luz branca no final da saga. Assim, na saga posterior, O Dia Mais Claro, o personagem foi então um dos personagens centrais sob o qual a trama se desenrolou, tentando entender o motivo de sua ressurreição e os propósitos pelos quais foi trazido de volta.

A HQ hoje não tem qualquer importância cronológica, visto que as mudanças sofridas pelo personagem na história acabaram sendo todas anuladas pouco tempo depois, com a chegada do reboot Novos 52. No entanto, é interessante ver situações como a batalha contra o Arraia Negra – cujo filho se torna o novo Aqualad – e um pouco da dobradinha Aquaman/Mera utilizada por Geoff Johns, e que posteriormente seria um dos destaques de sua fase à frente do personagem.
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Os Novos 52 (Fase Geoff Johns)

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Já fazia um tempo que Aquaman não tinha uma fase realmente boa nos quadrinhos, e com a chegada da série de TV The Big Bang Theory, que adorava fazer chacota do personagem, ele acabou tendo espalhada por aí uma fama completamente equivocada de inútil, fraco e sem graça. Como derrubar uma lenda dessas?

Foi então que em 2011, por meio do reboot da DC Comics, conhecido como Novos 52, o roteirista Geoff Johns aliou-se ao desenhista brasileiro Ivan Reis para reformularem o personagem, tornando-o novamente atrativo e importante. Mas como fazer isso depois de tamanha campanha difamatória contra o personagem? Simples, aceitando as piadas e usando-as a seu favor.

Johns usa os coadjuvantes da história para dar voz a esse público que acreditava realmente que o personagem era inútil, inclusive brincando até com o fato dele ser tachado como “o herói favorito de ninguém“. Tal artifício se mostrou bastante inteligente, um mito foi desconstruído, e Aquaman rapidamente tornou-se uma das melhores revistas do reboot. E o personagem, o favorito de muita gente.
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O Trono da Atlântida

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O segundo arco da revista da Liga da Justiça nos Novos 52 foi um crossover com a revista do Aquaman, trazendo a saga O Trono da Atlântida, que inclusive ganhou uma adaptação em animação no início de 2015.

Na saga, escrita por Geoff Johns – roteirista de ambas as revistas – o irmão de Aquaman, Orm, desconfia que o mundo da superfície é responsável por recentes ataques cometidos contra seu povo, e coloca em prática um plano emergencial orquestrado anos atrás com seu irmão, no qual as águas do oceano Atlântico inundam grandes cidades como Gotham City, Metrópolis e Boston. Aquaman fica entre seu irmão e a Liga da Justiça, procurando uma solução que não coloque ambos em conflito.


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