E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos agora um dos personagens que mais está em evidência devido a sua aparição em Capitão América: Guerra Civil, e que em breve ganha o seu próprio filme. O soberano de Wakanda, o Pantera Negra.
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.

Das geniais mentes de Stan Lee e Jack Kirby surge T’Challa, o Pantera Negra, nas páginas de Fantastic Four #52 de 1966. E o mais interessante? O primeiro super-herói negro em uma história em quadrinhos mainstream.
Na trama, o Quarteto Fantástico é convocado até Wakanda por um misterioso homem que surge no edifício Baxter, e se surpreendem com as realizações e o avanço tecnológico da nação. Seu líder, T’Challa, coloca seu traje de Pantera Negra e passa a caçá-los, neutralizando os membros da super-família um por um, demonstrando já em sua primeira aparição as incríveis capacidades pelas quais ficaria conhecido. O interessante é que a edição seguinte introduz o mestre do som Klaw, um dos maiores vilões do Pantera, e que no universo cinematográfico é interpretado pelo talentosíssimo Andy Serkis.

No início da década de 70, a revista Jungle Action era apenas um quadrinho obscuro que reimprimia histórias que se passavam na selva africana, até que o o escritor Don McGregor reclamou com a Marvel que o fato dos heróis africanos serem todos retratados como loiros de olhos azuis era praticamente um insulto aos leitores, para não dizer racismo. Como resultado, a Marvel incumbiu o próprio McGregor de trazer histórias com personagens negros, sendo a única exigência que se passassem na África. O personagem utilizado, obviamente, foi o Pantera Negra.
Em “A Fúria do Pantera“, que vai das edições #6 a #18 de Jungle Action, McGregor trouxe algo que era basicamente inédito na Marvel da década de 70: mais de 200 páginas de história contínua. Sendo a primeira série em quadrinhos mainstream a trazer um elenco de personagens essencialmente negro, a história foi uma das primeiras a se concentrar exclusivamente no reino de Wakanda, trazendo uma guerra civil e uma revolução onde T’Challa precisa conciliar seu papel como soberano de uma nação, e um super-herói.

Em 2005, o escritor Reginald Hudlin uniu forças com o desenhista John Romita Jr, e juntos trouxeram uma nova abordagem sobre Wakanda e o Pantera Negra, com uma excelente história para leitores que querem conhecer o personagem.
Em “Quem é o Pantera Negra?” Hudlin gasta um pouco de tempo definindo Wakanda e seus Panteras anteriores, focando no fato do Pantera Negra ser muito mais do que um personagem, e sim um manto passado por gerações. A história passa por passado e presente, e vemos não apenas T’Challa assumindo o manto de seu tio, como também somos levados aos dias atuais, onde Klaw planeja uma ofensiva contra o Pantera Negra utilizando-se da ajuda de outros vilões como Homem-Radioativo e Rhino.

Esse volume do Pantera Negra é considerado simplesmente como a melhor fase do personagem. O roteirista Christopher Priest pegou as ideias originais de Lee e Kirby, misturou com alguns conceitos utilizados em Jungle Action e expandiu tudo, trazendo uma excelente atualização para o personagem.
Na trama, existe um complô de inimigos de T’Challa para atraí-lo de Wakanda a uma armadilha em Nova York, onde supostamente o herói deve investigar o assassinato de uma garotinha que era beneficiária de um Wakandano. Toda a narrativa é feita pelo ponto de vista de um novo personagem, Everett K. Ross, um agente de gabinete que serve como ponte entre a cultura africana e o leitor. O personagem, inclusive, esteve em Capitão América: Guerra Civil, sendo interpretado por Martin Freeman, que deve repetir seu papel no filme solo do Pantera Negra. O que nos faz pensar a influência que essa saga pode vir a ter no longa.

Escrita pelo romancista afro-americano Eric Jerome Dickey, Tempestade é uma minissérie em 6 edições, que mostra o passado de T’Challa e Ororo na África, quando combateram juntos um inimigo que pretendia explorá-los.
Com um roteiro leve, que traz uma história descompromissada, a HQ traz o primeiro encontro entre os dois personagens e o início de um romance, servindo apenas como preparação de um evento bem maior que a Marvel estava preparando para logo depois: o casamento entre Tempestade e Pantera Negra.

O casamento entre o rei T’Challa e a rainha Ororo Monroe é um grande evento que une dois poderosos heróis negros dos quadrinhos. Na época, a Marvel publicava sua megassaga Guerra Civil, trazendo uma cisão entre heróis, e o roteirista Reginald Hudlin aproveita o gancho para colocar o casal em uma turnê diplomática pelo mundo.
Enquanto todos os super-heróis lutavam entre si, T’Challa e Ororo pensavam em questões mais importantes, colocando-se como líderes nacionais e procurando se manter em uma posição neutra a respeito da Lei de Registro que afetava o mundo super-heroico. Tempestade e Pantera Negra ficaram um bom tempo casados, separando-se mais ou menos por volta da saga Vingadores vs X-Men.

Essa daqui é bem curtinha, mas por incrível que pareça é uma das melhores histórias do Pantera Negra. Durante o evento Invasão Secreta, os Skrulls haviam invadido a Terra como resultado de um plano cuidadoso arquitetado por anos. E durante a invasão eles decidem derrubar justo Wakanda. Um grande erro.
Escrita por Jason Aaron, esse arco em apenas três edições traz T’Challa, sua esposa Ororo e as forças Wakandanas em uma batalha épica. Os Skrulls subestimam seus oponentes e aprendem da pior maneira que se você conhecer Wakanda de maneira forçada, o único caminho é a morte.

Quando o Demolidor esteve incapacitado de agir como vigilante na Cozinha do Inferno após os eventos da saga Terra das Sombras, coube ao Pantera Negra a responsabilidade de cuidar da criminalidade do bairro, deixando Wakanda aos cuidados de sua irmã, Shuri. Apesar de ter durado pouco tempo e praticamente ter descaracterizado o personagem, é interessante conhecer essa fase controversa de sua vida. É uma daquelas ideias: “mas que diabos eles estavam tentando fazer aqui?“

Em Os Novos Vingadores, de Jonathan Hickman, temos uma participação importante de T’Challa ao lado dos Illuminati, quando descobre-se que um evento desconhecido está colocando universos paralelos em rota de colisão. Como impedir isso? Destruindo o planeta Terra do outro universo antes que ele colida com o nosso.
É interessante como Hickman trabalha o conflito moral de T’Challa, mostrando o personagem como o mais insatisfeito em ter que sujar suas mãos matando mundos inteiros em prol de salvar o seu próprio. Uma das melhores séries dos últimos tempos, e a melhor com participação do Pantera Negra.

A nova fase do Pantera Negra nos quadrinhos é escrita pelo escritor, jornalista e articulista Ta-Nehisi Coates e conta com arte do elogiado Brian Stelfreeze. Trazendo uma Wakanda à beira de um colapso político onde o descontentamento da população alimenta forças opositoras, o escritor procura trazer temas atuais e sérios, ao mesmo tempo em que respeita o tom super-heroico do personagem.
O primeiro arco, intitulado “A Nation Under Out Feet” faz referência a um livro homônimo de 2003 que fala sobre a migração dos negros americanos do Sul para o Norte nos anos que se seguiram à Guerra Civil americana. O que já dá dicas da abordagem cultural e densa de Ta-Nehisi Coates.





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