E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos agora não apenas um personagem, mas uma controversa equipe que de uns tempos pra cá está na boca da galera devido ao seu promissor longa-metragem. É claro que estou falando do Esquadrão Suicida
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.

Embora a primeira menção ao Esquadrão Suicida date de 1959 nas páginas de The Brave and the Bold #25, foi somente em 1987, mais precisamente na terceira edição da minissérie Lendas, que viemos a conhecer o grupo como ele é hoje. Criado por John Ostrander, Len Wein e John Byrne, o Esquadrão Suicida surge como uma ousada aposta do governo em empregar supervilões em missões secretas praticamente suicidas (daí o nome), com a promessa de redução de suas penas após cada missão bem sucedida. A primeira equipe era formada por Floyd Lawton (Pistoleiro), Digger Harkness (Capitão Bumerangue) June Moon (Magia), Ben Turner (Tigre de Bronze) e Mark Desmond (Arrasa-Quarteirão), com o coronel Rick Flag Jr. mantendo o grupo sobre controle nas missões de campo. A equipe recebia ordens de Amanda Waller, que também era responsável por outra agência governamental secreta, o Xeque-Mate.

Após a boa recepção da equipe em Lendas, John Ostrander escreveu uma revista própria do Esquadrão Suicida, que durou 66 edições, sendo publicada de 1987 a 1992. O escritor apresentava um elenco diversificado de personagens, muitos dos quais eram vilões de segunda categoria da editora, esquecidos ou ignorados, mas que agora tornavam-se o centro das atenções. A série, que é a mais famosa da equipe e que será usada como base de boa parte do filme que estreia esse ano, serviu para popularizar personagens como Pistoleiro e Capitão Bumerangue. O Pistoleiro em particular, além de ter se tornado praticamente um protagonista da HQ, acabou recebendo uma minissérie solo em 1988.
Apesar de nunca ter sido um sucesso de vendas, Esquadrão Suicida construiu uma base de fãs fiéis, o que faz com que a série seja falada até hoje. Foi um título que presenteava os leitores com uma rica continuidade e histórias que refletiam o que estava acontecendo no cenário político do mundo real naquele momento. Ostrander teve ainda o cuidado de criar um complexo grupo de personagens falhos e anti-heróis problemáticos que os leitores poderiam se envolver e até mesmo se preocupar.

Como o homem que revitalizou o Pistoleiro e o colocou em posição de destaque dentro do Esquadrão Suicida e do universo DC, John Ostrander é o cara certo para escrever o personagem. E em uma minissérie em 4 edições publicada entre 1988 e 1989, o escritor e sua esposa Kim Yale tiraram o vilão das páginas de Esquadrão Suicida para trabalhar ainda mais sua psique e seus motivos.
Esta série serve não apenas para desenvolver o Pistoleiro enquanto personagem, como também o evolui de um vilão de segunda categoria do Batman para um mercenário cruel, perigoso e de sangue frio. Aqui, descobrimos o que fez com que esse homem se tornasse um assassino, e como uma tragédia envolvendo sua família acabou por mudar todo o seu destino. E é claro, temos um participação do próprio Batman na história.
De acordo com algumas imagens do set de gravações do filme Esquadrão Suicida, parte da origem do personagem (interpretado por Will Smith) estará no longa, sendo retirado diretamente desta HQ.

Em 2001 o Esquadrão Suicida foi ressuscitado por Keith Giffen, dessa vez trazendo uma equipe liderada pelo Sargento Rock, e que contava ainda com as presenças de Pistoleiro, e é claro, Amanda Waller. Essa nova versão do Esquadrão durou apenas 12 edições antes de ser cancelada por baixas vendas.
Embora não seja tão complexa ou política como a versão de Ostrander, o Esquadrão Suicida de Giffen tinha o seu próprio charme. A HQ possuía algumas doses de humor negro e contou com arte de Paco Medina.

Em 2007, o escritor John Ostrander voltou ao Esquadrão Suicida na minissérie em 8 edições “From The Ashes“, após anos de sumiço da equipe. Nesse retorno, Ostrander traz Rick Flag Jr. de volta – que havia sido dado como morto desde a série original -, e o coronel reúne novamente o Esquadrão Suicida, incluindo Pistoleiro, Capitão Bumerangue e Tigre de Bronze.
O enredo, que é extremamente focado no recém “ressuscitado” Rick Flag Jr., é bem diferente de outras fases do Esquadrão, inclusive aquele escrita pelo próprio Ostrander, mas é a interação entre os membros do grupo e a diabólica Amanda Waller que acaba sendo o destaque da HQ. Na trama, o Esquadrão pretende atacar uma corporação responsável pelo desenvolvimento de uma arma biológica.

Quando a DC anunciou em 2011 os títulos que iriam compor o seu reboot Novos 52, os fãs ficaram eufóricos em saber que o Esquadrão Suicida era um deles. Como outras séries naquele ano, o Esquadrão Suicida começou sem qualquer relação com as séries passadas, em uma nova cronologia preparada para esse reinício. Algumas mudanças inicialmente pegaram os leitores de surpresa, como uma Amanda Waller jovem e magra – ao invés da tiazona que estávamos acostumados -, e o fato do Pistoleiro agora agir como líder de campo da equipe. Um outro ponto a se comentar, é que não havia mais qualquer teor político nas missões do grupo, que agora passa a ser estritamente uma unidade de assassinato que o governo utiliza para eliminar certos alvos.
Esta versão foi a primeira a incluir Arlequina nas fileiras da equipe, que rapidamente se tornou a estrela do título e foco de grande parte da história. A popularidade de Harley estava crescendo absurdamente naquele momento (mais ou menos como ocorreu alguns anos antes com o Deadpool na Marvel), e o mais óbvio a se pensar é que a DC quis avaliar como os leitores reagiriam com uma participação mais ativa da personagem nos quadrinhos. A equipe contava ainda com Capitão Bumerangue, El Diablo, Tubarão-Rei, Iceberg, Aranha Negra e Iô-Iô.

Em julho de 2014, após 30 edições do Esquadrão Suicida nos Novos 52, a DC resolveu cancelar a revista apenas para zerar o título e colocar o sugestivo nome de Novo Esquadrão Suicida. Escrita por Sean Ryan, a nova série traz de volta Amanda Waller, Pistoleiro, Capitão Bumerangue e Arlequina, dessa vez ao lado de Exterminador, Arraia Negra e Filha do Coringa compondo a equipe. Mais tarde, a equipe sofreu uma nova reformulação, com as chegadas de Flash Reverso e Parasita.

Como parte do mais novo relaunch da DC Comics a começar em 2016, intitulado como DC Rebirth, o Esquadrão Suicida terá uma nova equipe criativa e uma nova formação, dessa vez completamente retirada da versão cinematográfica, o que inclui não apenas os mesmos personagens, mas até os visuais.
A nova fase, que terá roteiros do escritor Rob Williams, será quinzenal e irá contar com uma equipe rotativa de desenhistas, sendo os primeiros Jim Lee e Philip Tan. A ideia é aproximar quadrinhos e filmes o máximo possível, na intenção de angariar um número maior de novos leitores.
Bônus

Criada por Paul Dini e Bruce Timm inicialmente como uma personagem exclusiva do desenho Batman: The Animated Series, Arlequina – a namorada psicótica do Coringa – rapidamente conquistou o público e ganhou o seu espaço, sendo mais tarde inserida nos quadrinhos e fazendo parte oficialmente do cânone do Batman. Assim, foi criada a HQ “Louco Amor”, surgida da parceria dos dois criadores e se propondo a contar a origem de Arlequina. Dessa forma, ficamos conhecendo a história da psiquiatra Harleen Quinzel, que um belo dia se apaixonou por um paciente chamado Coringa. E o resto é história.





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