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23 - quarteto
E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos novamente uma equipe. E dessa vez, uma certa família que vinha sendo bastante pedida nos comentários. É óbvio que estamos falando do Quarteto Fantástico.


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Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
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A fase de Stan Lee e Jack Kirby no Quarteto Fantástico não se trata apenas das origens da super família, mas marca também o início da lendária época criativa da Marvel, que definiu e influenciou todo seu universo pelos próximos 50 anos. Ao longo de 102 edições e 6 anuais, Lee e Kirby trabalharam juntos, introduzindo personagens, ideias e conceitos que são utilizados até hoje. Personagens como Doutor Destino, Galactus, Surfista Prateado, Pantera Negra e Os Inumanos não apenas surgiram nessa revista, como regularmente foram utilizados em outros quadrinhos até chegarem a estrelar suas próprias franquias. Aqui também surgiram os Skrulls, os Krees, o Quarteto Terrível, o Homem Molecular, e é claro, o retorno de Namor, O Príncipe Submarino, personagem que não era utilizado desde a Segunda Guerra Mundial, e que viria a se tornar um dos maiores antagonistas da super-família.

Recheada de ideias influentes, a fase tem uma gama enorme de histórias marcantes e icônicas como “Esse Homem… Esse Monstro” e “A Trilogia Galactus”, além de trazer o casamento de Reed Richards e Sue Storm. Mas se existe algo ainda mais importante do que a legião de personagens criados e dos clássicos que nasceram dessa fase, é o fato de Lee e Kirby terem redefinido o conceito dos quadrinhos de super-heróis. Seus personagens não eram seres perfeitos com um belíssimo queixo quadrado, e sim homens falhos e cheios de dúvidas, adolescentes de cabeça quente, monstros procurando seu lugar no mundo, e acima de tudo… relacionamento familiar. Eram heróis com sonhos para o futuro, e tragédias em seu passado. Heróis que, apesar de seus poderes, eram um espelho da humanidade. Sem o Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby, não existiria Universo Marvel.
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Na década seguinte à saída de Stan Lee e Jack Kirby, a qualidade do Quarteto Fantástico inevitavelmente acabou caindo. Apesar das histórias não serem terríveis, não conseguiam ter o mesmo entusiasmo e frescor trazidos pela dupla outrora, o que felizmente mudou com a chegada de um cara que já estava começando a fazer seu nome ao lado de Chris Claremont nos X-Men: John Byrne. O escritor e desenhista trouxe fôlego à série, com ideias e conceitos novos que conseguiam surpreender ainda respeitando o material que veio antes.

Byrne pegou o que estava à sua disposição e criou grandes histórias. Isso fica evidente com Galactus, personagem que o autor utilizou com frequência, além de Franklin Richards, o filho de Reed e Sue, e a sugestão de que o garoto seria um dos seres mais poderosos do Universo Marvel. John Byrne também não tinha medo de sacudir a equipe, introduzindo personagens diferentes ao time durante sua fase. Uma das mais marcantes foi a Mulher-Hulk, que durante um bom tempo substituiu o Coisa como peso pesado da equipe.

Um dos arcos mais famosos da fase Byrne é “O Julgamento de Galactus”, trazendo aquela que é considerada a história definitiva do personagem. Trabalhando o fato de Galactus precisar consumir planetas para se manter vivo, o que tornaria a sua condição como necessidade e não apenas capricho, Byrne deu camadas à persona do vilão, deixando-o mais humano e consequentemente criando uma maior empatia com os leitores.
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Como a essa altura todo mundo já sabe, o mega saga Guerras Secretas (a original) foi uma estratégia da Marvel em 1984 com o simples objetivo de… vender bonecos. No entanto, a minissérie escrita por Jim Shooter e Mike Zeck acabou trazendo algumas ideias interessantes, e elevando (e muito) o status do maior vilão do Quarteto Fantástico, Victor Von Doom, o Doutor Destino. Apesar de não ser necessariamente o vilão mais poderoso da Marvel, é um fato que Destino possui uma vontade de vencer tão absurda (em parte devido a sua arrogância) que muitas vezes acaba se sobressaindo até mesmo contra adversários mais poderosos. Nem que para isso tenha que roubar os próprios poderes deles.

E em Guerras Secretas, enquanto heróis e vilões se digladiavam tentando entender os objetivos do misterioso Beyonder em levá-los para um planeta arena onde deveriam lutar uns contra os outros, Destino age pelas sombras arquitetando um plano que o leva a simplesmente tomar os poderes dessa entidade cósmica, tornando-se assim tão poderoso quanto um deus, e capaz de moldar a própria realidade. Apesar de não ser necessariamente uma história do Quarteto Fantástico, a importância de Guerras Secretas está em mostrar o quanto Destino está sempre à frente dos outros, fazendo de tudo para obter poder para si mesmo. Nem que para isso precise derrubar um deus.
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Quando se fala em Quarteto Fantástico, o nome de Walter Simonson não costuma ser mencionado tão frequentemente quanto os de Stan Lee, Jack Kirby ou John Byrne, mas o escritor teve uma influente e consideravelmente grande passagem pela revista durante o final dos anos 80 e início dos anos 90, atravessando as edições de Fantastic Four #329 a #355. Sua fase demonstrou que Simonson não tinha medo de zombar de alguns excessos do gênero super-herói, justamente em um momento onde quadrinhos sérios e sombrios estavam na moda. Aqui, o escritor simplesmente substitui o Quarteto Fantástico clássico brevemente, colocando no lugar uma nova equipe composta por Homem-Aranha, Wolverine, Hulk e Motoqueiro Fantasma.

Sim, não fazia qualquer sentido. Mas não precisava fazer. Era uma história de Walter Simonson reunindo os quatro personagens mais populares entre os leitores da Marvel na época, com desenhos do sempre fenomenal Arthur Adams, então quem se importa com as coisas fazendo sentido ou não ? Na trama, que é bastante simplória, um Skrull feminino assume a forma de Sue Richards e captura o Quarteto Fantástico. Ela então recruta o novo e controverso Quarteto para vingar a suposta morte da equipe original. Durando apenas três edições, de Fantastic Four #347 a #349, a equipe conseguiu marcar presença e até hoje é lembrada com uma certa nostalgia pelos fãs mais antigos.
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Mark Waid é o tipo de escritor que é famoso por pegar um personagem ou conceito de um período clássico e conseguir modernizá-lo, trazendo algo completamente novo, mas que ainda assim homenageia o que veio antes. O escritor fez isso durante sua elogiada fase pelo Demolidor, e alguns anos antes já havia feito o mesmo com o Quarteto Fantástico, ao lado do saudoso desenhista Mike Wieringo, que nos deixou em 2007.

Com um equilíbrio perfeito entre aventura, humor, ação e drama, Waid trouxe uma fase que é considerada por muitos como a sucessora espiritual da fase Lee/Kirby, por lembrar novamente aos fãs porque essa família é tão amada, e porque eles foram os personagens que inflamaram toda uma geração de leitores Marvel. Com histórias marcantes como “Inconcebível” e “Ações Autoritárias”, a fase Waid ainda alcançaria o seu ponto mais alto, quando os personagens dão de cara com o próprio Deus, que como não poderia ser diferente… tem a aparência de Jack Kirby. Não tem nem como adjetivar a genialidade dessa sacada.
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Nos anos 2000, durante a era Joe Quesada da Marvel, uma das decisões do então editor-chefe foi a criação do selo Marvel Knights, uma linha cujo objetivo era trazer arcos de histórias fechados, fora da continuidade regular e livre das amarras cronológicas, onde os escritores teriam uma liberdade bem maior para experimentação. Após uma fase magnífica e muito elogiada à frente do Quarteto Fantástico, a dupla Mark Waid e Mike Wieringo estavam dando adeus ao título, que dessa vez seria capitaneado por Roberto Aguirre-Sacasa, um promissor escritor de peças de teatro até então inexperiente com quadrinhos. Contudo, a recepção dos fãs à notícia foi tão negativa, que Quesada precisou voltar atrás, mantendo Waid e Wieringo no Quarteto, e entregando um outro título da super-família para o novato. E é claro, na linha Marvel Knights.

Ao longo de 30 edições, Aguirre-Sacasa aproveitou a possibilidade de experimentação e trouxe tramas nunca antes vistas em uma revista do Quarteto Fantástico, deixando a fantasia e os super-poderes um pouco de lado – mas não ignorados – e trazendo uma história extremamente pé-no-chão. Nos dois primeiros arcos, “Jogados aos Lobos” e “A Matéria-prima dos Pesadelos”, vemos a família perdendo todos os seus bens após serem enganados por um contador inescrupuloso que os deixa completamente falidos. Assim, acompanhamos Reed, Sue, Ben e Johnny lidando com novas situações como procurar emprego e explicar para seus filhos como é ser pobre. Esses dois arcos chegaram a ser publicado no Brasil pela Panini, compilando as edições Marvel Knights 4 de 1 a 12. As edições de 13 a 30 infelizmente nunca chegaram ao país. 



No período de 2008 a 2009, Mark Millar e Bryan Hitch, a equipe por trás de Os Supremos, assumiu o título principal do Quarteto Fantástico, em uma fase que durou de Fantastic Four #554 a #569. Na época que a nova equipe criativa foi anunciada, os fãs se preocuparam. O que é completamente compreensível, afinal, as obras anteriores de Millar como Os Supremos, Guerra Civil e Kick-Ass já demarcavam suas marcas registradas, como a fixação por hiper-violência, humor negro, altas doses de sarcasmo, frases de efeito e roteiros cinematográficos; ou seja, itens que fugiam completamente da fantasia aventuresca e inocente que sempre permeou as histórias do Quarteto Fantástico. No entanto, Mark Millar surpreendeu a todos, trazendo uma fase que era não apenas respeitosa, mas até mesmo reverente às origens da super-família.

Durante sua passagem pelo título, que misturou a simplicidade do Quarteto com os dramas cinematográficos que o fizeram famoso no mundo dos quadrinhos, Millar apresentou vários conceitos divertidos e interessantes, como Johnny Storm namorando uma super-vilã, Sue Richards formando sua própria equipe de super-heroínas, Reed projetando sua própria versão de Destinobôs, além da inclusão do polêmico vilão Marquês da Morte – o medonho mestre do Dr Destino – capaz de fazer o próprio Victor Von Doom se ajoelhar de medo. Apesar de uma boa receptividade, a conclusão da fase Millar é considerada fraca. Uma reclamação constante nas obras do autor.


Antes de conquistar de vez os fãs de quadrinhos escrevendo um verdadeiro épico moderno em Vingadores e Novos Vingadores, Jonathan Hickman teve uma elogiadíssima fase pelo Quarteto Fantástico, onde o roteirista pôde fazer uma verdadeira experimentação dentro do título da equipe, usando e abusando da ficção científica com a qual trabalha tão bem, e tornando assim a revista tão fantástica quanto o seu título prenunciava.

É difícil imaginar uma trama maior e mais complexa do que a apesentada por Hickman em sua passagem pelo Quarteto Fantástico, superada talvez pelo próprio autor anos depois em seu trabalho nos Vingadores. Com diversos plots paralelos, é notório como cada edição vai se costurando em um panorama muito maior, deixando a certeza no leitor de que toda a trama já havia sido imaginada e planejada pelo autor nos mínimos detalhes. Cada detalhe é posteriormente utilizado em um plano maior. É um nível de roteiro acima. Essa fase culmina no arco “Three” que trouxe a morte de um importante membro da família. Mas ainda não era o fim da linha para Jonathan Hickman, e sim o anúncio de algo maior e mais ousado…


Após a morte de um de seus membros, e com o Quarteto se tornando apenas um trio, Jonathan Hickman implementa então a ideia para uma nova revista, chamada apenas de FF, sigla ambígua que poderia servir tanto para Fantastic Four quanto para Future Foundation (Fundação Futuro). A Fundação Futuro trata-se de uma ideia de Reed Richards, que ao se ver desencorajado de como os cientistas da Terra enxergam a ciência e suas aplicações, decide formar uma nova equipe recheada de jovens mentes promissoras, com a intenção de planejar um futuro melhor para a humanidade.

Com diversos e interessantes novos conceitos, Fundação Futuro traz o ápice da experimentação de Jonathan Hickman, elevando a níveis ainda maiores o que o escritor já havia feito anteriormente. Um dos pontos mais interessantes da fase – além dos belíssimos uniformes brancos – é ver o Homem-Aranha como um membro efetivo da equipe, além de Franklin e Valeria Richards, os filhos de Reed e Sue, participando ativamente das aventuras dos pais. Ah, e eu já citei que o Doutor Destino faz parte da equipe?


Conforme a lenda do Doutor Destino foi crescendo com o passar do anos, com inúmeros roteiristas trabalhando com o personagem, é normal que sua origens tenham se tornado cada vez mais fantásticas. Ao longo dos anos, Victor Von Doom foi estipulado como um cientista, mas também como feiticeiro. Foi uma criança cigana pobre na Latvéria, mas também estudou em uma universidade nos EUA com Reed Richards. Ou seja, acumulou um monte de funções que não se encaixavam de uma forma exatamente crível no seu passado – mais ou menos como aconteceu com o Wolverine. Isso até 2005, quando a Marvel deu a Ed Brubaker e Pablo Raimondi a árdua tarefa de pegar todos esses itens jogados do passado de Destino e contar sua história definitiva. E não é que os caras conseguiram mesmo?

Na minissérie em 6 edições Os Livros do Destino, acompanhamos a trajetória do homem que se tornaria o maior inimigo do Quarteto Fantástico, seguindo-o desde que era uma criança perseguida na Latvéria, passando pela oportunidade que lhe foi dada para estudar na América, e através de sua incursão tanto pela ciência quanto pelo mundo da magia. Brubaker foi extremamente feliz em reunir todas as peças do quebra-cabeça, criando uma narrativa concisa e interessante, que sob diversos aspectos ajuda a humanizar Von Doom, quando percebemos que o personagem acabou sendo o arquiteto de sua própria destruição.


Quando a Marvel concebeu o universo Ultimate na virada do século, a ideia era de que ele traria uma versão alternativa dos personagens já consagrados do universo regular, porém com uma roupagem mais moderna e livre de amarras cronológicas, na intenção de angariar novos leitores. E após os lançamentos bem sucedidos de Homem-Aranha, X-Men e Os Supremos, foi a vez do Quarteto Fantástico ingressar no Universo Ultimate, com roteiro conjunto escrito pelos dois grandes arquitetos da linha: Brian Michael Bendis e Mark Millar. Aqui, ao invés da clássica e simplória viagem espacial onde seu foguete é atingido por raios cósmicos, temos uma origem bem mais crível, com Reed Richards criando um projeto de teleporte através de uma dimensão nomeada como Zona-N.

Além de termos um Quarteto Fantástico muito mais jovem do que o regular, vários conceitos são completamente reformulados, como o fato do edifício Baxter na verdade ser um viveiro para jovens gênios, liderado pelo famoso cientista Franklin Storm, o pai de Sue e Johnny. Reed aqui é um jovem extremamente inteligente, porém ignorado pelos pais, que acaba sendo recrutado por um olheiro do Baxter e trabalhando ao lado de outros adolescentes promissores, como um certo… Victor Van Damme. E Ben Green é o seu amigo de infância que acaba sendo pego de gaiato quando a experiência dimensional de Reed dá errado, graças a cálculos arrogantemente modificados por Victor. Apesar de comumente ignorado, o Quarteto Fantástico Ultimate possui histórias excelentes, tanto com Bendis e Millar, quanto com Warren Ellis e Mike Carey, que também trabalharam no título por um tempo.


Dada a sua propensão para conceitos bizarros, linhas temporais alternativas, ficção científica e roteiros complexos, é de se pensar que Grant Morrison simplesmente nasceu para trabalhar com o Quarteto Fantástico. No entanto, o único material de Morrison dentro da super-família é a curtíssima minissérie em 4 edições Quarteto Fantástico: 1234.

Com um roteiro denso e um tom surpreendentemente sombrio para uma história do Quarteto Fantástico – muito disso por conta da arte de Jae Lee – Morrison trabalha com bastante drama familiar, re-utilizando temas recorrentes como a depressão de Ben Grimm por sua eterna forma rochosa, e Sue Richards sofrendo uma tentação em seu casamento quando Namor surge disposto a lhe conquistar. Enquanto isso, nos bastidores, o Doutor Destino utiliza sua mais nova invenção para atormentar cada membro da equipe um por um. 

Entretanto, esse é realmente o grande propósito buscado por Morrison – mostrar que até mesmo o Quarteto Fantástico pode ficar preso em um clico de clichês e repetição. A única solução é enfrentar esse ciclo e quebrá-lo, que é o que o escritor faz. Quarteto Fantástico: 1234 demonstra que uma fase maior escrita por Grant Morrison teria um potencial incrível no título, mas na época o roteirista estava focado em sua passagem pelos X-Men. Que também é excelente, aliás.


A fase de Jonathan Hickman provou que existe espaço no mercado de quadrinhos para dois títulos do Quarteto Fantástico ao mesmo tempo, e a Marvel resolveu continuar essa tendência em 2012, quando Matt Fraction escrevia tanto a mensal do Quarteto Fantástico (como foco nos 4 personagens principais além de Franklin e Valéria Richards) quanto a revista FF Vol.2 (focada nas crianças precoces da Fundação Futuro e um novo Quarteto Fantástico encarregado de protegê-los. Surpreendentemente, FF acabou sendo o título que mais agradou aos leitores, rapidamente se estabelecendo como um dos mais verdadeiros sucessores da era Lee/Kirby.

Muito do clima da HQ vem não apenas dos roteiros de Fraction, mas da arte incrivelmente imaginativa de Mike Allred, que faz aqui um de seus melhores trabalhos. A fase – apesar de curta – é encantadora, focando nas travessuras das crianças da Fundação Futuro e nas tentativas da nova equipe (Homem-Formiga, Mulher-Hulk, Medusa e Darla Deering) de viverem de acordo com a responsabilidade de ser o novo Quarteto Fantástico. Um dos pontos altos fica por conta do Homem-Formiga Scott Lang, que ainda de luto pela filha, encontrou a redenção e uma nova família entre os membros da FF. Infelizmente a HQ foi cancelada pela Marvel em seu novo relaunch, o All-New Marvel Now.


Com o cancelamento das duas revistas do Quarteto Fantástico escritas por Matt Fraction, rapidamente começaram os rumores de que a Marvel estaria se livrando dos personagens como uma forma de boicote pelos direitos cinematográficos dos personagens pertencerem à Fox. No entanto, pouco tempo depois a editora anunciou uma nova série mensal, dessa vez pelo relaunch All-New Marvel Now e trazendo o consagrado escritor James Robinson, que durante anos esteve na DC Comics.

Com novos uniformes – sai o clássico azul, entra o vermelho – o Quarteto Fantástico se viu novamente afundando em problemas, quando um acidente no laboratório de Reed Richards faz com que a família perca a tutela de seus filhos e a posse de seus patrimônios, não podendo sequer entrar no edifício Baxter. Isso somado ao fato de Johnny Storm estar sem poderes, o Coisa sendo preso acusado de assassinato, e o Homem-Dragão sentenciado à morte. A fase Robinson veio para dificultar a vida do Quarteto Fantástico de uma forma como nunca antes havia sido feita, deixando a família completamente separada e desamparada. No final das contas, os rumores não eram tão falsos, e o Quarteto Fantástico acabou realmente sendo cancelado de vez, com a fase Robinson durando apenas 18 edições.


Guerras Secretas de novo? Pois é, em 2015 o escritor Jonathan Hickman finalmente trouxe o grande clímax e o ápice não apenas de tudo que veio construindo nos títulos Vingadores e Novos Vingadores, como também as pontas soltas deixadas após sua saída do título do Quarteto lá atrás. Utilizando o mesmo nome da famosa saga da década de 80, Guerras Secretas veio não apenas para amarrar linhas narrativas abertas, mas também para destruir todo o Universo Marvel como o conhecemos – incluindo a linha Ultmate – e reunindo tudo em uma única Terra, em uma história que lidou diretamente com o conflito entre o que podemos sonhar para o nosso mundo e os limites práticos da realidade. Mudanças significativas saíram dessa saga. E a maior delas… o fim do Quarteto Fantástico.

Em uma história envolvendo de maneira extremamente pessoal a rixa entre Doutor Destino e Reed Richards, temos finalmente o tão falado “fim” que a Marvel já vinha há meses cozinhando para o Quarteto Fantástico, após mais de 600 edições, publicadas desde 1961, quando abriram caminho para todo o vindouro Universo Marvel. No entanto, como não poderia deixar de ser, a história é bem escrita e concisa. Diria até poética. Bonita, por que não? Como todos sabemos, a “morte” e o “fim” são conceitos por muitas vezes provisórios no mundo dos quadrinhos. Mas o fato é que pelo menos hoje, agora, Guerras Secretas marcou o fim de uma importante era no entretenimento popular. O fim de um capítulo que iniciou o conglomerado de sucesso que vemos hoje nos cinemas, e do qual ironicamente, a super-família não faz parte devido a transações puramente comerciais. O fim do Quarteto Fantástico.




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