E continuando a nossa série de Guias de Leitura, trazemos novamente uma equipe. Mas não uma equipe qualquer. Os jovens super-heróis mais legais da DC Comics: Os Titãs!
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
A primeira aparição dos Titãs data de julho de 1964, nas páginas de The Brave and the Bold #54, quando Robin (Dick Grayson), Kid Flash (Wally West) e Aqualad se uniram para derrotar um vilão que controla o tempo, chamado Senhor Ciclone, em uma história escrita por Bob Haney e desenhada por Bruno Premiani. O grupo só viria a utilizar o nome “Teen Titans” em The Brave and the Bold #60 (julho de 1965) com a entrada da irmã mais nova da Mulher-Maravilha, a Moça-Maravilha (Donna Troy). Após mais uma aparição em Showcase #59 em dezembro de 1965, os Titãs ganharam o seu próprio título com Teen Titãs #1, ainda contando com os roteiros de Bob Haney, mas agora com arte de Nick Cardy.
A premissa original da série era mostrar os Titãs ajudando adolescentes e resolvendo problemas. O parceiro do Arqueiro Verde, Ricardito, fez algumas aparições esporádicas na revista até ingressar de fato na equipe em Teen Titans #19, mesma edição que trouxe o afastamento de Aqualad do grupo. O personagem, assim como Ricardito inicialmente, também faria alguma aparições em futuras edições do título. Mais tarde, personagens que viriam a fazer sucesso entre os fãs e ficarem marcados na equipe como Mutano e a dupla Rapina e Columba chegaram ao título.
A série explorou eventos reais como a questão racial do início da década de 70 e os protestos contra a Guerra do Vietnã. Uma trama iniciada na edição #25 trouxe os Titãs tendo que lidar com a morte acidental de um ativista pacífico, o que levou a equipe a reconsiderar seus métodos. Como resultado, os Titãs abandonaram suas identidades heroicas brevemente, para trabalharem como civis normais. A série acabou sendo cancelada em janeiro de 1973, com Teen Titans #43.
Em 1976, a revista voltou a ser publicada, continuando diretamente com a edição #44. As histórias na época introduziram a heroína afro-americana Abelha, além do surgimento dos “Titãs da Costa-Oeste“, um outro grupo de heróis adolescentes que incluía a primeira Batgirl (Betty Kane) e Águia Dourada. O ressurgimento do título acabou tendo vida curta, com a série sendo cancelada novamente em 1978 na edição #53.
Em 1980 os Titãs retornaram aos quadrinhos em uma nova série regular intitulada The New Teen Titans. A série, que contava com os roteiros de Marv Wolfman e os desenhos de George Pérez, trouxe a encarnação mais famosa da equipe, com a chegada de Mutano, Cyborg, Estelar e Ravena. A chegada de Ravena, aliás, traria um novo antagonista para os Titãs: seu pai, o demônio Trigon.
A relação de Wolfman e Pérez avançou de tal forma, que a dupla já não se limitava a escritor e desenhista, e ambos decidiam as tramas em conjunto. Na época, a mais criativa que a equipe já viu, surgiu também aquele que seria o maior e mais perigoso vilão dos Titãs: Slade Wilson, o Exterminador. A adição do vilão levou o título a seu ápice em 1984 com a saga “Contrato de Judas”, onde os leitores foram apresentados à psicótica Terra, uma jovem com poderes de manipulação da terra (ora, vejam só, quem imaginaria!) que se infiltra nos Titãs a fim de destruí-los. Foi durante essa fase que Robin (Dick Grayson) passa a assumir a alcunha de Asa Noturna, e o personagem Jericó uniu-se ao grupo.
Em 1986, a DC Comics trouxe uma nova série chamada “Teen Titans Spotlight On“, que diferente do título anterior, trazia uma série de antologias com os membros dos Titãs em aventuras individuais. O título trazia histórias não apenas de membros regulares como Asa Noturna, Estelar e Ravena, mas até mesmo de ex-integrantes da equipe como Aqualad e a dupla Rapina e Columba. Apesar da premissa interessante, a série não emplacou, sendo cancelada em 1998.
Em 1996, os Titãs receberam um novo título, com um novo reinício. A série era escrita por Dan Jurgens e contou com George Pérez como arte-finalista durante as primeiras 15 edições. Ao invés de optar pelo caminho mais fácil com os personagens já consagrados da equipe, Jurgens decidiu inovar e ousar no título, trazendo como líder da equipe o herói Eléktron (transformado em adolescente após os eventos da saga Zero Hora) além de uma equipe composta unicamente por personagens novos para o público, como Risco, Argenta, Joto e Prisma, jovens herdeiros de um império alienígena chamado H’San Natall.
Apesar de trazer novo gás às histórias e uma narrativa divertida e aventuresca, a série acabou sendo cancelada em 1998 após 24 edições, por não ter conquistado o público leitor.
A equipe retornou em uma minissérie em 3 edições escrita pela roteirista Devin Grayson, que trazia um crossover com a Liga da Justiça chamado de JLA/ Titans: The Technis Imperative, estrelando quase todos os Titãs originais e trazendo o retorno do Cyborg. A minissérie acabou levando a uma nova série regular para os Titãs, agora chamada apenas de “Titans” sem o prefixo “Teen“, devido aos editores acreditarem que os membros estavam velho demais para serem chamados de adolescentes.
A nova equipe era constituída por Asa Noturna, Arsenal, Tróia, Tempest, Flash, Estelar, Cyborg, Mutano, Detonador, Argenta e Jesse Quick, que entrou algum tempo depois. Esta versão dos Titãs durou 50 edições, sendo cancelada em 2002. No entanto, antes disso, uma outra equipe de jovens super-heróis era publicada pela DC Comics. Uma equipe que os fãs de animações devem se lembrar, e que é o próximo item do guia.
Enquanto Devin Gray escrevia o título dos Titãs agora praticamente todos adultos, existia uma outra série da DC, essa sim focada em adolescentes. Era série Young Justice (Justiça Jovem) escrita por Peter David e desenhada por Todd Nauck. Mas calma aí, isso aqui não era um guia dos Titãs? Pois é, a questão é que além da série de David ser muito parecida com a ideia dos quadrinhos dos Titãs e ter gerado uma excelente série animada, ela foi ainda a base do que viria após a saída de Devin Gray no título dos Titãs, quando Geoff Johns assumiu os roteiros. Mas já chego lá.
O interessante de Justiça Jovem é que não temos uma história da equipe se formando, já que em sua primeira aparição no quadrinho Young Justice: The Secret #1 (1998) temos os membros originais já reunidos. A base da equipe era formada por Superboy (diretamente da saga O Retorno do Superman), Robin (que nessa época era Tim Drake) e Impulso (Bart Allen, descendente de Barry, vindo do futuro). Personagens como Moça Maravilha, Flechete, Batgirl (Cassandra Cain) e até mesmo o Titã Mutano chegaram a também fazer parte das fileiras da equipe.
Apesar sua publicação ser marcada por uma série de problemas editoriais como o fato de Peter David não poder usar certos personagens como queria (Robin era um deles) e ter saído da DC brigado com o editor-chefe Dan Didio, Young Justice ainda durou 55 edições, tendo seu encerramento de fato na minissérie Titans/Young Justice: Graduation Day (publicada no Brasil pela editora Panini como Titãs/Justiça Jovem: Dia de Formatura). Após o encerramento, Superboy, Robin, Moça-Maravilha e Impulso unem-se aos Titãs.
Desde a fase de Marv Wolfman e George Pérez, os Titãs nunca mais conseguiram ter histórias realmente interessantes e aclamadas pelo público. Isso mudou após a chegada de Geoff Johns ao título em 2003, em uma época que o roteirista já havia feito seu nome e conquistado seu espaço na DC Comics, graças a sua inspirada fase pelo Lanterna Verde. Trazendo personagens do título Justiça Jovem como Superboy, Moça Maravilha e Robin e mesclando-os com os Titãs remanescentes, Johns conseguiu criar uma narrativa que foca nas relações interpessoais dos personagens, construindo-os de uma maneira crível e interessante.
A série renovou o interesse dos leitores pelos Titãs, apesar de trazer reclamações de alguns fãs devido à mudanças nítidas na personalidade de alguns personagens, principalmente aqueles oriundos de Justiça Jovem. O caso que trouxe maiores reclamações foi do Impulso (Bart Allen), que passou a usar a alcunha de Kid Flash e deixou de ser alguém extremamente alegre, piadista e despreocupado como retratado antes, passando então a ter uma personalidade mais séria. Outro evento marcante da série foi um retcon na origem do Superboy, com a revelação de que ele era não apenas um clone do Superman como acreditava-se, mas sim um híbrido baseado em um combinação de DNA do Homem de Aço com o de Lex Luthor.
Sob a tutela de Johns, os Titãs estiveram sempre no centro dos acontecimentos do Universo DC, como a mega-saga Crise Infinita. Durante essa saga, inclusive, Superboy é morto por sua contraparte maligna de outro universo, o Superboy Primordial, personagem que acabou se popularizando na época, dividindo os leitores entre aqueles que o amam e aqueles que o odeiam fervorosamente.
Em 2008, surgiu um novo título dos Titãs cujo objetivo era reunir novamente a equipe de maior sucesso do título, aquela da fase de Marv Wolfman e George Pérez. Assim, o escritor Judd Winick ficou encarregado de escrever os roteiros da nova fase que trazia os retornos de Asa Noturna, Flash (Wally West), Donna Troy, Mutano, Cyborg, Ravena, Arqueiro Vermelho e Estelar.
Na primeira história da nova série, o vilão Trigon faz uma série de ataques a todos os membros dos Titãs, antigos ou atuais. Depois de recuperar a Ilha Titã e estabelecer uma sede em East River, Cyborg pretende criar uma equipe de Titãs da Costa Leste. No entanto, durante uma sessão de treinamento, a equipe é ataca pelas forças demoníacas de Trigon, que mais tarde revelam-se como seus filhos, irmãos de Ravena: Jacob, Jared e Jesse.
Apesar de Judd Winick ser uma escritor mediano que costuma ter mais críticos do que admiradores de seu trabalho, sua fase pelos Titãs é divertida e interessante por trazer a formação mais consagrada da equipe.
Em 2011, com o reboot da DC Comics batizado de Novos 52, os Novos Titãs receberam uma série a partir do número #1, com roteiros de Scott Lobdell e arte de Brett Booth. O relançamento foi bastante criticado pelos leitores, pelo fatos dos Titãs terem sido os que mais sofreram com o reboot, já que segundo declarações do editor-chefe Dan Didio, todas as histórias anteriores foram desconsideradas e nunca existiu uma equipe de Titãs antes daquela no Universo dos Novos 52.
Sofrendo duras críticas durante toda a fase de Lodbell, a revista teve um novo relançamento em 2014 com Will Pfeifeir tomando conta dos roteiros, ignorando muitos dos acontecimentos controversos e esquisitos que Lodbell havia introduzido na fase anterior. No entanto, nem isso foi o suficiente para aplacar a ira dos leitores, ainda carentes pelo fato da continuidade dos Titãs ter sido apagada.
Em 2015, após tantas críticas ao tratamento dado aos Titãs, eis que chega o escritor Dan Abnett e traz Titans Hunt, minissérie em 8 edições que tem como objetivo recuperar a continuidade perdida do título. Na trama, é revelado que a personagem Lilith Clay apenas havia feito com os que os Titãs perdessem a memória de parte de suas vidas, esquecendo assim as aventuras anteriores da equipe.
Foi a maneira que a DC encontrou para trazer de volta a continuidade e a cronologia dos Titãs, e a ideia deu tão certo que Abnett continuou no título para o que viria em seguida…
Após o one-shot DC Universe: Rebirth, ficou estipulado que Universo dos Novos 52 foi criado pelo Doutor Manhattan – de Watchmen – que no processo acabou roubando memórias e 10 anos do Universo DC. Além disso, vimos o retorno de Wally West, personagem abandonado no limbo editorial desde os Novos 52 e que agora retorna para mostrar aos heróis que algo está errado.
E a série que irá tratar justamente das repercussões do DC Rebirth é “Titãs”, que conta com os roteiros de Dan Abnett e promete reunir os Titãs originais, que agora mais do que nunca estarão interessados em reencontrar suas lembranças roubadas. A série é uma das mais aguardadas não apenas por trazer o querido Wally de volta, mas pela esperança de que os Titãs podem voltar a ter a qualidade que tiveram um dia.
Como parte do selo Rebirth, os Titãs terão ainda uma nova série chamada “Teen Titans” com roteiro de Benjamin Percy e arte de Jonboy Meyers. A equipe terá realmente um foco mais adolescente contando em suas fileiras com Robin (Damian Wayne), Kid Flash, Mutano, Ravena e Estelar.
Assim como no passado, a equipe será liderada por um Robin. O problema aqui é que Damian tem apenas 10 anos de idade, é arrogante, explosivo e egocêntrico. Pode ser um pouco difícil para o garoto convencer seus colegas de equipe de que pode ser um bom líder.