O canal oficial do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) no YouTube publicou um vídeo onde Guillermo del Toro comenta sobre a filmografia de Hayao Miyazaki.
O vídeo foi divulgado em homenagem ao mais recente trabalho do cienasta, o filme The Boy and the Heron (O Menino e a Garça), que fez sua estreia internacional na abertura do festival.
Porém, Del Toro aproveitou para falar sobre o estilo de Miyazaki, que dirigiu A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, O Castelo Animado, Princesa Mononoke e outros grandes sucessos do Studio Ghibli, o qual ajudou a fundar.
O cineasta mexicano classificou os filmes de Miyazaki como corajosos e destacou que apresentam uma estrutura diferente das produções ocidentais.
“Eu acho que Miyazaki é um cara que possui um refinamento técnico requintado, mas também um homem que decidiu confiar a nós sua biografia mais íntima através de seu trabalho. Tenho certeza que é mais fácil conhecê-lo como ser humano assistindo aos seus filmes do que, você sabe, passando uma longa viagem [com ele]. Essa é a marca de um autor de verdade. O aspecto confessional, o aspecto corajoso de seus filmes, onde a estrutura não é baseada na estrutura aristotélica ocidental de três atos com introdução, conflito, recompensa e resolução. Ele não faz isso.
E Miyazaki provou diversas vezes que não é sobre deixar você alegre, mas sobre lhe mostrar o doce e o amargo da vida, a perda, o amor, a beleza, tudo ao mesmo tempo. [Alfred] Hitchcock disse que repetição com consciência é estilo e Miyazaki está dizendo ‘eu não acertei muito nisso neste filme, deixe-me tentar de novo em outro’. E seu ritmo é diferente. Ritmicamente, ele é muito contemplativo. Há algo requintado e todo mestre dispensa ferramentas e dispensa floreios. Eles fazem uma espécie de gesto simples, mas belo com o pincel. E isso é o que sinto, que foi um gesto incrivelmente belo com o pincel.”, disse Del Toro.
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Anteriormente, o filme estava sendo provisoriamente chamado de How Do You Live?, que é a tradução literal do título original em japonês (Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka) e o nome do livro que inspirou a trama.
Mas ao anunciar o lançamento nos cinemas norte-americanos para 2023, a distribuidora GKIDS revelou o título oficial em inglês.
O ator Soma Santoki, de 18 anos, dá voz ao protagonista Mahito Maki na dublagem original. Takeshi Honda (Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar, Rebuild of Evangelion) é o diretor de animação.
Joe Hisaishi (A Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke, Meu Amigo Totoro) compôs a trilha musical, enquanto Kenshi Yonezu, conhecido pelos temas de abertura de Chainsaw Man e My Hero Academia, interpretou a música-tema intitulada “Chikyūgi” (Globo).
Do que se trata a história?
Um jovem garoto chamado Mahito, em luto por sua mãe, se aventura em um mundo compartilhado por vivos e mortos. Lá, a morte chega ao fim e a vida encontra um novo começo. Uma fantasia semiautobiográfica sobre vida, morte e criação, em tributo a amizade, da mente de Hayao Miyazaki.
A trama do filme é inspirada no romance de Genzaburō Yoshino, publicado no Japão em 1937. Segundo Miyazaki, o livro é muito importante para o protagonista.
Lançamento sem marketing
Antes de sua estreia nos cinemas japoneses, o filme não recebeu trailers, sinopses ou imagens promocionais. O único material de marketing divulgado foi um pôster.
O cofundandor e vice-presidente do estúdio, Toshio Suzuki, que também atuou como produtor do longa, foi o responsável pela ideia.
Ele afirmou querer resgatar a época quando se ia no cinema sem saber muito sobre o filme, ao contrário dos tempos atuais com excesso de informação, e disse estar empolgado para surpreender os fãs.
Miyazaki demonstrou receio com a estratégia, mas decidiu confiar em Suzuki. No final, deu tudo certo. A produção arrecadou US$ 13,2 milhões nos primeiros três dias, tornando-se a maior estreia da história do Studio Ghibli, batendo o recorde de A Viagem de Chihiro.
Esta também foi a primeira animação do estúdio a receber lançamento simultâneo em IMAX e conseguiu a maior bilheteria de abertura em salas do formato no Japão.






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