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Neste mês, o novo filme do Studio Ghibli, O Menino e a Garça, finalmente chega ao Brasil, dirigido por ninguém menos que o ilustre Hayao Miyazaki. Ele é conhecido como um dos maiores artistas da animação não só no Japão, mas no mundo inteiro por criar animações que mergulham em questões emocionais, filosóficas e sociais de uma forma tão natural e mágica.

Em todos os seus filmes, Miyazaki atua como animador, design de personagens, roteirista, diretor e o que mais for preciso para garantir que tudo esteja ao seu gosto. Todo esse empenho exige um tempo de produção maior para os seus filmes, O Menino e a Garça levou cerca de 7 a 8 anos para finalizar.

Para celebrar a estreia do seu novo filme no Brasil, confira aqui um pequeno resumo da história de carreira de Miyazaki. Descubra como ele entrou no ramo das animações até se tornar a lenda de agora.

A trajetória de Miyazaki

Hayao Miyazaki nasceu em 1941 na cidade de Tóquio, no Japão, durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial. A infância de Miyazaki foi marcada por mudanças frequentes devido aos bombardeios militares.

A sua perspectiva artística já começou a ser moldada nessa época, observando a natureza das pessoas que tentavam sobreviver em situações desesperadoras. Seu pai, Katsuji Miyazaki, era diretor de uma empresa de aeronáutica, uma paixão que o seu filho também levou para a vida e suas animações.

Sua mãe, Dola Miyazaki, também foi uma grande influência em sua vida, ela lutou para viver com a família após sofrer com tuberculose vertebral e foi uma mulher forte que lutou contra as normas sociais do Japão que diminuíram as mulheres. Aparentemente, ele presta uma homenagem a sua mãe em Meu Amigo Totoro através da mãe das protagonistas, que vivia no hospital por causa de sua condição de saúde.

Depois de se formar em Ciência Política e Economia, Miyazaki decidiu seguir pela carreira artística, ingressando na Toei Animation em 1963. O local onde ele conheceu seu grande amigo Isao Takahata e sua futura esposa Akemi Ota.

Miyazaki chegou em uma posição alta na Toei, trabalhando em animações como Ken, o Menino Lobo e o primeiro filme dirigido por Takahata, Horus, o Príncipe do Sol. Contudo, Miyazaki e Takahata não concordavam com a lógica da Toei de preferir o aumento de produção ao invés do trabalho artístico, o que levou os dois a deixarem o estúdio em 1971.

Durante os anos 70, os dois continuaram firmes e fortes na indústria de animação. Miyazaki subiu no posto, trabalhando como animador chefe e diretor de animação, sua primeira direção de um longa-metragem foi em O Castelo de Cagliostro em 1979.

O traço único de Miyazaki se tornou mais conhecido em Nausicaä do Vale do Vento, que começou como uma tira de mangá mensal da revista Animage, antes de ganhar uma adaptação de filme animado em 1984.

Nausicaä foi lançado nos Estados Unidos com dublagem em inglês em 1985, mas o seu título foi alterado para Warriors of the Wind, com uma capa alternativa destacando um grupo de personagens masculinos na frente enquanto a protagonista mulher foi posta no fundo. O filme só ganhou uma versão restaurada em inglês em 2005.

Claramente, Miyazaki não gostou das alterações americanas em seu anime. Então ele foi muito exigente para que os seus próximos filmes não tivessem alterações desnecessárias no lançamento internacional.

Inspirados pelo desejo de fazer animações de qualidade, Miyazaki e Takahata tornaram sua parceria permanente, abrindo o próprio estúdio deles.

O nascimento do Studio Ghibli

Com o apoio de Toshio Suzuki e Yasuyoshi Tokuma, Miyazaki e Takahata fundaram o famoso Studio Ghibli em 1985. O nome do estúdio pode ser traduzido como “O Quente Vento do Deserto do Saara”, uma metáfora poética que representa o novo vento soprando sobre a indústria de animação.

A maioria dos filmes Ghibli foi escrito, desenhado e dirigido por Miyazaki, que ganhou destaque como o principal animador do estúdio. O Studio Ghibli fez seu primeiro lançamento nos cinemas japoneses em 1986, com O Castelo do Céu.

Meu Amigo Totoro estreou em 1988, mas o Takahata também planeja lançar o seu novo filme, Tumulo dos Vagalumes, na mesma época, então o Studio Ghibli fez um lançamento simultâneo com os dois filmes nos cinemas. Depois desse lançamento, Totoro virou um fenômeno de mercadorias para o estúdio, por isso o personagem virou o centro da marca Ghibli.

Miyazaki continuou produzindo histórias divertidas como O Serviço de Entregas da Kiki (1989) e Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992). Entretanto, ele decidiu abordar algo diferente em 1997, com Princesa Mononoke, um filme que explora os conflitos entre progresso humano e as forças da natureza.

Em 2001, Miyazaki e o Studio Ghibli alcançaram um novo patamar de reconhecimento com o lançamento de A Viagem de Chihiro. John Lasseter, o chefe de criação da Pixar, se tornou um fã de Miyazaki após assistir O Castelo de Cagliostro, ele ajudou no lançamento internacional de Chihiro, que estreou até aqui, nos cinemas do Brasil em 2002.

A Viagem de Chihiro ganhou vários prêmios, incluindo o Oscar de 2003, na categoria “Melhor Animação”. Mas Miyazaki optou por não comparecer à cerimônia em protesto contra a guerra do Iraque e os Estados Unidos. Embora ele não tenha comparecido na premiação de 2003, Miyazaki recebeu um prêmio honorário no Oscar de 2014.

Após esse sucesso global, ele seguiu com Castelo Animado em 2004, inspirado pelo clássico livro da renomada autora britânica Diana Wynne Jones. O Castelo Animado também concorreu ao Oscar em 2006, mas não ganhou a premiação. Seu próximo projeto foi Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar, que foi a maior bilheteria do Japão em 2008.

O seu filho, Goro Miyazaki, também seguiu a carreira artística, dirigindo as animações Ghibli, como Contos de Terramar e Da Colina Kokuriko, com o roteiro escrito por Miyazaki. Em 2013, Miyazaki lançou Vidas ao Vento, uma animação que explora bastante o seu interesse por aeronaves.

O seu último projeto, O Garoto e a Garça, foi lançado no Japão em julho de 2023, com uma forte propaganda da aposentadoria do diretor. O filme foi anunciado desde 2017, mas o lançamento demorou devido ao trabalho meticuloso de Miyazaki e os contratempos da Covid-19.

Seu estilo único de animação

Miyazaki gosta de abordar nos seus filmes assuntos baseados nas suas próprias experiências e crenças pessoais, como o militarismo, espiritismo e a relação do humano com a natureza.

A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke apresentam mundos espirituais em conflito com os humanos, refletindo na crença do xintoísmo, que traz muitas interpretações dos espíritos humanos, animais e a natureza como um todo.

Além disso, Miyazaki costuma focar em protagonistas femininas na maioria de seus filmes, possivelmente é um hábito adotado por inspiração na sua mãe. Ele valoriza a independência e progresso das mulheres, optando por criar personagens que lideram suas próprias jornadas sem depender de um príncipe encantado.

Por ter crescido durante os períodos de guerra, ele também gosta de introduzir ideias relacionadas ao militarismo como uma forma de expressar a sua inconformidade com o mundo. Mas, como suas animações são direcionadas para crianças e famílias, ele traz ideias maduras de forma leve e inclusiva para diferentes faixas etárias.

Será que Miyazaki vai se aposentar?

Mesmo tendo dito que iria se aposentar após o Menino e a Garça, os produtores do Studio Ghibli alegam que Miyazaki ainda está trabalhando em várias ideias. Ou seja, talvez ele não se aposente, mas vai ser difícil continuar firme na carreira, tendo 83 anos agora.

De acordo com as suas entrevistas, sua paixão pelo trabalho continua forte, mas as suas capacidades ficam mais limitadas conforme envelhece. Quando a aposentadoria realmente acontecer, Miyazaki deixará uma grande falta no mundo da animação.

Leia mais sobre O Menino e a Garça:

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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