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Ao fazer a série de artigos sobre as melhores minisséries da Marvel e da DC, li muitas pessoas dizendo nos comentários que sentiram falta de determinadas histórias nas listas – muitas essas que saíram em revistas mensais. Logo, com a intenção de continuar a saga de exaltar ótimas HQ’s, começo aqui a primeira parte das melhores histórias em quadrinhos que foram publicadas em mensais, contando tanto com arcos (duas ou mais edições contínuas) como com edições únicas.

Action Comics #1

Nada mais justo do que começar essa lista com a edição mais famosa de todas as histórias em quadrinhos! Escrita por Jerry Siegel e ilustrada por Joe Shuster, a primeira história do Superman foi publicada em abril de 1938 (mesmo que esteja escrito “junho” na capa) pela “Detective Comics, Inc“, empresa que seria incorporada à DC mais tarde.

Além de ser um marco para o início dos quadrinhos de super heróis e responsável pela primeira aparição do homem de aço, a edição também continha tramas de Chuck Dawson (escrita e ilustrada por H. Fleming), Zatara Master Magician (escrita e ilustrada por Fred Guardineer) South Sea Strategy (créditos ao Capitão Frank Thomas), Sticky-Mitt Stimson (creditos à Alger), The Adventures of Marco Polo (escrita e ilustrada por Sven Elven), Pep’ Morgan (escrita e ilustrada por Fred Guardineer), Scoop Scanlon the Five Star Reporter (escrita e ilustrada por Will Ely) e Tex Thompson (escrita e ilustrada por Bernard Baily).

Mesmo sendo uma história “datada” e muito simplista, Action Comics #1 é, definitivamente, um clássico quando tratamos do início dos super heróis nos quadrinhos. Ao contar a origem do que viria a ser o herói mais famoso do mundo, a edição consegue seu lugar no cânone de influência das HQ’s.

Ano Um

Após passar pela reformulação de suas histórias com o fim de “Crise nas Infinitas Terras“, a DC se viu na oportunidade de recontar a origem de alguns de seus personagens mais famosos. Assim como Superman foi remodelado por John Byrne, Mulher Maravilha por George Pérez e Lanterna Verde por Keith Giffen, foi a vez de Frank Miller voltar às origens do homem morcego. Escrito por Miller e ilustrado por David Mazzucchelli, “Ano Um” foi publicado em 1987 entre as edições nº 404 e 407 da revista mensal do herói.

Ao nos apresentar o início da carreira de Bruce Wayne e como ele se tornou o Batman, Miller também nos insere elementos fundamentais da mitologia do personagem. A alta criminalidade em Gotham, a corrupção na polícia e a violência da cidade são muito bem construídas tanto pelo roteiro como pela arte suja de Mazzucchelli. Além de ser uma ótima história de origem, “Ano Um” também estabelece um paralelo muito interessante entre a forma como o Batman e o Tenente Gordon enfrentam o crime, como melhor discorri neste artigo aqui.

O Som de Suas Asas

Literalmente todas as edições de Sandman merecem estar nessa lista. Todas, sem nenhuma exceção. No entanto, há uma história, que se encontra dentro do arco “Prelúdios e Noturnos“, que merece um destaque muito especial. Escrito por Neil Gaiman e ilustrado Mike Dringenberg, “O Som de Suas Asas” foi publicado em 1989 na edição número 8 da obra.

Após conseguir recuperar todos os seus itens de poder e voltar a ter o domínio do Reino do Sonhar, Morpheus se sente… entediado. Sem conseguir ver um propósito para sua existência, o perpétuo se senta em uma praça e começa a alimentar pombos, pensativo e melancólico. Mas, ao receber a visita de tua irmã, a Morte, vemos os dois irmãos dando um “passeio” no dia-a-dia de trabalho da perpétua. Esta, que sempre foi a mais próxima de Morpheus, o entende e o compreende como ninguém, conseguindo lhe dar uma luz em meio à escuridão e mais um motivo para sonhar.

Sandman, que em breve terá uma análise aqui, é uma das minhas obras favoritas. A forma como Gaiman constrói seus personagens, não apenas os principais, torna a HQ extremamente profunda e complexa, nos dando margem para diversas interpretações. No caso desta edição, é clara a dualidade que os dois irmãos apresentam – afinal, um é o perpétuo dos sonhos e a outra da morte. Porém, mesmo representando o fim da existência, é justamente a irmã que consegue incentivar Morpheus a continuar com o seu destino, a seguir em frente em seu próprio caminho.

A Queda de Murdock

Já é de conhecimento geral que Frank Miller revolucionou as histórias do Demolidor. Chegando ao estopim de sua trajetória no demônio de Hell’s Kitchen, “A Queda de Murdock” significa muito mais do que apenas um clássico do personagem. Escrita por Miller e ilustrada por David Mazzucchelli, a trama foi publicada nas edições nº 227 a 233 de Daredevil, no ano de 1986.

Ao ter sua identidade secreta vendida por Karen Page – sua antiga amada – em troca de uma dose de heroína, a vida de Matt Murdock literalmente vira de cabeça para baixo. O Rei do Crime, maior inimigo do herói, consegue por as mãos no segredo e finalmente sabe quem (e o quê) atacar com todas as forças. Destruindo aos poucos tudo que importa para Matt, Fisk dilacera a vida de seu oponente e o deixa à beira da ruina, tanto mental, profissional e financeiramente.

O Menino que Colecionava Homem-Aranha

Mesmo curta, essa com certeza é uma das histórias mais emocionantes do cabeça de teia. Escrita por Roger Stern e ilustrada por Ron Frenz, “O Menino que Colecionava Homem-Aranha” foi publicada na edição nº 248 de The  Amazing Spider-Man, em 1984.

Ao descobrir, através de uma reportagem no jornal, que o Homem-Aranha tinha um “fã número 1”, Peter Parker decide fazer uma visita ao seu admirador, um garoto que colecionava todas as matérias, vídeos e imagens do cabeça de teia. É lindo ver a relação que o Aranha estabelece com o jovem, em uma conversa que vai desde como ganhou seus poderes até como decidiu combater o crime. Quando Peter já estava quase indo embora do quarto do menino, este lhe faz um último pedido: que lhe revele sua verdadeira identidade. Em um momento de pausa, Parker hesita. Contudo, mesmo sabendo do que essa decisão significava, decide tirar a máscara e falar o seu nome. Para manter a emoção e a sensibilidade do final desta história, prefiro parar por aqui e deixar que você mesmo leia e se surpreenda. Vale a pena.

E ai, o que acharam desta lista? Não se esqueçam de deixar aqui nos comentários as sugestões e apostas de vocês para a parte II!