Quando escrevi a série de artigos sobre as melhores minisséries da Marvel e da DC, me deparei com muitos comentários sugerindo outras histórias nas listas – a grande maioria tendo saído em revistas mensais. Logo, com a intenção de continuar a saga de exaltar ótimas HQ’s, dou seguimento à primeira parte das melhores histórias em quadrinhos que foram publicadas em mensais, contando tanto com arcos (duas ou mais edições contínuas) como com edições únicas. Você pode conferir a parte I clicando aqui.
Giant Size X-Men #1
Quando os mutantes surgiram nos quadrinhos, suas histórias não faziam um enorme sucesso. Formados inicialmente pelo Professor X, Jean Grey, Ciclope, Fera, Anjo e Homem de Gelo, os X-Men enfrentavam uma enorme baixa nas vendas de suas revistas. Foi então que, em 1975, Len Wein, Chris Claremont (argumento) e Dave Cockrum (arte) reformularam a revista e acrescentaram à equipe personagens que são fundamentais nas narrativas até hoje, como Wolverine, Noturno, Tempestade e Colossus.

Mesmo com uma trama simples, a história contada em Giant Size X-Men #1 merece estar nesta lista justamente pelo fato de conseguir alavancar o título dos mutantes e torná-los o fenômeno que são hoje. Após ter sua equipe original desaparecida em uma missão na ilha Krakoa, Xavier recruta outros mutantes para formar uma equipe de resgate. Liderados por Ciclope – o único membro original que havia conseguido escapar da ilha – os heróis precisam travar uma batalha contra a própria Krakoa, que na verdade era um organismo vivo que se alimentava da energia de outros mutantes. Importante frisar que, cronologicamente, essa história se passa imediatamente antes dos fatos narrados em Uncanny X-Men #94.
Amazing Fantasy #15
Nem todos os heróis têm sua primeira aparição em uma revista própria. Como um ótimo exemplo, podemos citar o Homem-Aranha, o qual teve, além de sua estreia, sua história de origem contada (a qual se manteve inalterada até hoje) na revista Amazing Fantasy #15. Publicada em 1962, a história foi escrita por Stan Lee com a arte de Steve Ditko.

O interessante desta edição é que, mesmo sendo escrita nos anos 60 e tendo detalhes que diferem – e muito – das HQ’s atuais, elementos importantíssimos para o cânone do Aranha estão mais do que presentes na história. Em apenas 25 páginas, Lee e Ditko nos mostram Peter Parker sofrendo bullying no colégio, sendo picado pela aranha radioativa, lutando no ringue para conseguir uma grana, construindo o lançador de teia, perdendo o tio Ben e ainda sendo visto pelo jornal de J. Jonah Jameson como uma “ameaça”. Após o estrondoso sucesso do personagem, logo no ano seguinte o Homem-Aranha já ganhou uma revista solo intitulada Amazing Spider-Man, que começou o título mantendo Stan Lee nos argumentos e Steve Ditko na arte.
Um Sonho de Mil Gatos
Como eu disse na primeira parte, Sandman é uma obra tão única e magnífica que merece ocupar posições de excelência em todas as listas possíveis e existentes. Escrita por Neil Gaiman e ilustrada por Kelley Jones, “Um Sonho de Mil Gatos” foi publicada na edição 18 da obra, no ano de 1990. Por mais que eu insista em recomendar a leitura de toda a saga, Sandman possui algumas tramas isoladas, que podem ser lidas de maneira única e sem o prejuízo de um não conhecimento das edições anteriores.

Morpheus, ou “Sandman”, é o perpétuo responsável pelo Reino do Sonhar. Desta forma, fica a seu encargo os sonhos de todas as criaturas vivas no mundo, não apenas dos seres humanos. Aqui nesta história, temos como figura central uma gata que tem como missão propagar a palavra de liberdade felina que recebeu em um sonho. Após ter sua ninhada morta pelos seus “donos” humanos, a gata percebe que sua espécie jamais seria livre se continuasse vivendo com a humanidade. Em busca de respostas, ela reza. Reza e sonha. E é, justamente em um de seus sonhos que a bichana encontra com Morpheus – que assume a fisionomia de um gato.
O Rei dos Sonhos explica que o mundo nem sempre foi assim: há muitos e muitos anos atrás, os gatos eram a espécie dominante no planeta Terra, e os humanos não passavam de pequenas criaturas que eram caçadas e devoradas pelos gatos. Porém, em determinado momento, um humano teve um sonho. Ao sonhar com a liberdade, o humano passou a espalhar sua palavra e incentivar os demais a sonharem também. Se um número suficiente de humanos sonhassem com a sua libertação, esta então finalmente ocorreria – e ocorreu. Não pretendo contar aqui o final desta história, tanto por querer manter a expectativa dos que pretendem lê-la como também por já estar preparando um artigo especial sobre essa edição. Contudo, posso finalizar dizendo que “Um Sonho de Mil Gatos” é, definitivamente, uma fábula atemporal.
Crepúsculo Esmeralda
A queda de um herói sempre é um ponto marcante em qualquer cronologia. A corrupção de um ideal e a consequente mudança de paradigma nos mostra que ninguém está livre de padecer sob seus próprios medos. Escrita por Ron Marz e ilustrada por Bill Willingham (edição 48), Fred Haynes (edição 49) e Darryl Banks (edição 50), o arco “Crepúsculo Esmeralda” foi publicado nas edições 48, 49 e 50 de Green Lantern, revista mensal do Lanterna Verde, no ano de 1990.

Após os trágicos eventos de “O Retorno de Superman“, Hal Jordan vê todos os habitantes de Coast City serem dizimados. Totalmente desamparado e desesperado, o herói tenta achar uma maneira de reconstruir a cidade e recuperar seus moradores. Utilizando de maneira desenfreada os poderes de seu anel, Hal acaba sendo advertido por um dos guardiões, afinal estava valendo-se do anel em benefício próprio. Ao perceber que não teria poder suficiente para salvar sua cidade, o Lanterna parte até OA para mergulhar na bateria central e conseguir energia suficiente para seguir com seus planos. Consumido pelo luto e completamente cego pelo seu objetivo, o até então herói enfrenta toda a Tropa dos Lanternas Verdes, matando seus antigos amigos e pegando todos os anéis para si.
A Trilogia de Galactus
Assim como o Homem-Aranha, outros dois grandes personagens dos quadrinhos da Marvel também surgiram em outras revistas. O temido Galactus e seu até então fiel arauto, o Surfista Prateado, foram apresentados pela primeira vez na revista mensal do Quarteto Fantástico, que na sequência viria a se chamar “A Trilogia de Galactus“. Escrito por Stan Lee e ilustrado por Jack Kirby, o arco foi publicado nas edições 48, 49 e 50 da revista Fantastic Four, no ano de 1966.

Galactus, também conhecido como “devorador de mundos“, é um ser que necessita consumir planetas para manter a sua existência. Mesmo sendo retratado como um vilão, Galactus não sente prazer nas mortes que causa; elas não passam de uma consequência de seu objetivo principal. Seu arauto foi, durante muito tempo, o Surfista Prateado: era ele quem saia universo a fora em busca de planetas para seu mestre consumir e saciar a sua insaciável fome. Em meio a uma infinidade de planetas, chegou o dia em que a Terra virou o alvo da fome do devorador, fazendo com que o Quarteto Fantástico – juntamente com o Vigia – precise desesperadamente achar uma forma de barrar a sua destruição iminente.
E aí, o que acharam desta lista? Não se esqueçam de deixar aqui nos comentários as sugestões e apostas de vocês para a parte III!






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