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Tudo indica que o próximo filme do Homem-Aranha, “Um Novo Dia”, deve explorar uma verdadeira guerra de gangues em Nova York, os fãs já podem imaginar o caos que isso trará para a vida de Peter Parker, que inclusive terá que lidar com o Justiceiro.
Mas essa ideia não surgiu do nada. Nos quadrinhos, o Aranha já enfrentou sua própria Guerra de Gangues em uma saga icônica dos anos 80, que colocou personagens como Justiceiro, Demolidor, Duende Macabro e o próprio Rei do Crime em rota de colisão. No vídeo de hoje, falamos sobre essa história.
Um vácuo de poder desafia o Homem-Aranha
O Homem-Aranha havia começado a perder a confiança em sua capacidade de proteger as pessoas de Nova York. Confrontos com inimigos como o Devorador de Pecados resultaram em inúmeros civis feridos como dano colateral, e isso ainda foi agravado pela crescente desconfiança da polícia em relação ao herói.
Peter Parker chegou a considerar seriamente que seu tempo balançando pelas ruas da cidade poderia estar chegando ao fim. No entanto, sua possível aposentadoria foi interrompida pelo início de uma grande guerra entre as facções criminosas mais poderosas de Nova York. Tudo começou com a ausência de Wilson Fisk, o Rei do Crime.
Em sua obsessão crescente de destruir o Demolidor, o Rei do Crime havia enviado um mercenário chamado Bazuca para matar o vigilante, o que acabou resultando na destruição de grande parte de Hell’s Kitchen. Pouco tempo depois, o Rei do Crime desapareceu, deixando que seu segundo em comando, o Arranjador, assumisse as operações diárias da organização. Infelizmente, isso só encorajou outros elementos criminosos da cidade a tentar tomar o trono.

Assim, personagens como Cabelo de Prata, Cabeça de Martelo e o Rosa passaram a disputar a posição de líder do crime em Nova York. A violência entre os chefes das gangues aumentou à medida que eles começaram a contratar criminosos fantasiados para atuarem como seus executores. O Rosa acabou contratando o Duende Macabro, cuja identidade ainda era um mistério na época.
Enquanto isso, o Arranjador contratou o Jack O’Lantern para ser seu braço armado aterrorizante. Não demorou para que as gangues começassem a atacar a liderança umas das outras, acendendo de vez a guerra. Enquanto o Homem-Aranha corria para tentar limitar os danos à cidade, outras pessoas com suas próprias ideias de como combater o crime também entraram em ação, forçando o herói a enfrentar alguns dos indivíduos mais perigosos do Universo Marvel.
O embate moral entre heróis e vilões
Um dos primeiros — e talvez o mais óbvio — a aparecer foi o Justiceiro. Ele sempre foi categórico em afirmar que força letal era necessária para lidar com criminosos, algo que o Homem-Aranha considerava que o tornava tão ruim quanto aqueles que caçava. Mas a guerra de gangues acabou forçando Peter a enfrentá-lo. O Justiceiro começou a atacar criminosos de todos os lados indiscriminadamente, obrigando o Homem-Aranha a lutar contra ele e contra os diversos membros de gangues que tentavam se eliminar mutuamente.
Durante o conflito, Homem-Aranha e Justiceiro tiveram uma intensa discussão moral sobre como cada um só estava piorando as coisas: o Justiceiro, ao trazer ainda mais mortes para as ruas, e o Aranha, ao não ir longe o suficiente e permitir que esses criminosos continuassem a atormentar a cidade apenas para manter a própria consciência limpa, mesmo que suas mãos não estivessem totalmente livres de responsabilidade. O confronto se intensificou quando o Justiceiro disparou uma bazuca contra um prédio, sendo detido pelo Homem-Aranha no último instante. No entanto, Peter não conseguiu capturá-lo.
Quase imediatamente depois disso, o Demolidor passou a interferir na vida do Homem-Aranha. De certa forma, ele teve mais influência para o início dessa guerra do que qualquer outro personagem, ainda que de forma indireta. Seu método de lidar com Peter era bem mais manipulador: ele o distraía para que estivesse em outro lugar quando os confrontos mais violentos entre gangues acontecessem. Demolidor acreditava que, se deixasse a guerra correr, o Rei do Crime seria obrigado a voltar à cidade para restaurar a ordem em seu império.
Nesse ponto, Matt Murdock via o Rei do Crime como uma espécie de força estabilizadora — mesmo sendo um criminoso, era necessário para impedir que o caos absoluto tomasse as ruas. Já o Homem-Aranha, com sua inclinação de sempre fazer o que é certo, jamais conseguiria enxergar o “quadro maior”.
Outro fator central da guerra era o Rosa, que comandava um dos lados do grande conflito. O Rosa era, na verdade, o filho do Rei do Crime, Richard Fisk. Ele buscava tomar o controle do império do pai como forma de vingança, desprezando Wilson Fisk por ser um criminoso e por tê-lo negligenciado ao longo da vida. Usar a guerra de gangues como uma escada para tomar o poder e depois desmontar tudo que seu pai construiu era sua vingança definitiva.
No entanto, Richard queria fazer isso da forma mais “moral” possível, recusando-se a enxergar que já era um criminoso ao contratar pessoas como o Duende Macabro. Suas ilusões se quebraram quando ele matou um jovem policial apenas para escapar, manchando as mãos de sangue pela primeira vez. De repente, ele havia se tornado exatamente como o pai — que, naquele momento, estava prestes a retornar à cidade.
O fim da Guerra de Gangues
Desesperado para impedir o retorno do Rei do Crime, o Homem-Aranha tentou interceptá-lo, mesmo sabendo que ele havia feito um acordo com o governo da cidade para ter passe livre de volta à sua torre, já que não havia sido formalmente condenado por nenhum crime. Antecipando a visão limitada do Aranha, o Demolidor elaborou um plano para se disfarçar como o Rei do Crime e distraí-lo, permitindo que seu inimigo em comum voltasse para casa.
No fim, o Demolidor estava certo: o Rei do Crime realmente pretendia estabilizar a situação, mas primeiro precisava lidar com assuntos de família. Chamando o filho para perto, Fisk revelou que sua ausência se devia ao fato de estar lidando com uma recompensa colocada pela cabeça da mãe do Rosa, Vanessa Fisk, que havia sido mantida sedada para não sofrer ao descobrir que tinha sido arrastada de volta à vida do marido contra sua vontade. Com a ameaça eliminada, o Rei do Crime planejava levá-la em segurança de volta à Europa, para onde ela havia fugido depois de abandoná-lo.
Isso acabou reunindo temporariamente o Rosa com seu pai. O Rei do Crime também encerraria a guerra naquela mesma noite, mas à sua maneira: promovendo uma limpeza interna. Ele ordenou que todos os tenentes que haviam se rebelado fossem apagados, enquanto alguns de seus mais leais subordinados eram executados. O Homem-Aranha, mais uma vez, precisou trabalhar ao lado do Demolidor e de outros heróis para tentar impedir que o Rei do Crime promovesse uma chacina apenas para encerrar o conflito.
Mas até isso era um truque: os assassinos contratados pelo Rei do Crime estavam usando apenas balas de festim. Furioso por ser manipulado novamente, o Homem-Aranha confrontou o vilão sozinho, disposto a encerrar de vez a rivalidade que já durava anos.
Foi então que o Demolidor voltou a apelar ao Homem-Aranha, dessa vez sendo franco sobre como o Rei do Crime, por mais corrupto que fosse, era uma influência estabilizadora para a cidade. Isso finalmente convenceu Peter a recuar, ainda que odiasse a ideia. Ele aceitou que o Rei do Crime era necessário naquele momento, mas jurou que, mais cedo ou mais tarde, ele seria formalmente preso.
Cansado de ambos, o Homem-Aranha foi embora, e assim não presenciou como Rei do Crime e Demolidor saíram derrotados de alguma forma. Matt Murdock havia comprometido sua moral para ajudar o vilão, e Fisk havia perdido o amor e a confiança da esposa devido à sua vida criminosa.
Ninguém realmente saiu vitorioso dessa guerra. Um lembrete de que, não importa de que lado se esteja em um conflito, a violência sempre cobra um preço. Pelo menos o Homem-Aranha recuperou sua confiança, mesmo que nada tenha mudado de fato em relação às pessoas contra quem ele luta.