
Com tantos anos de histórias em quadrinhos para conhecer, ler e lembrar, é importante reler algumas. Eu, geralmente, gosto de reler algumas das edições antigas que tenho, principalmente para comparar o perfil dos personagens em antigas aventuras e nas mais recentes. Porém, nem sempre sobra tempo para fazer isso. Mas aí começam a surgir boas histórias que trazem exatamente aquilo que eu procuro.
O review de hoje trata de um material chamado Doutor Octopus: Origem. Este foi lançado no exterior com o nome de Doctor Octopus Year One. Claro, todo mundo gosta de reler as origens dos heróis, ainda que em várias versões diferentes (tenho muitas HQs diferentes falando da origem do Homem-Aranha, por exemplo). Mas e os vilões? Eu devo confessar que sou atraído por histórias de vilões, curto bastante. Um exemplo é Caveira Vermelha Encarnado ou até mesmo Magneto: Testamento, ambas são edições que já foram lançadas no Brasil e que são histórias realmente muito boas. Neste caso, estamos diante de outra bem legal, afinal, Zeb Wells, o escritor de Doutor Octopus Origem, também é o escritor de boas fases do Aranha como em Peter Parker: Spider-Man, antes de retornar nesta safra de artistas que começou no rodízio em Amazing Spider-man após o “Um dia a Mais”. Ele tem uma veia bem humorística e resgatou personagens antigos e bizarros como o Homem-Sapo. Alguns anos atrás, foi destacado como o autor da história em que o Aranha encontra o presidente Barack Obama. Ele também escreveu a minissérie do Anti-Venom e duas minisséries do Carnificina. Além disso tudo, assumiu algumas histórias dos títulos Avenging Spider-Man e Spider-Man Team-up.
Publicada originalmente como uma minissérie em cinco partes, a a obra chega ao Brasil em edição única, justamente no momento em que o inimigo do Homem-Aranha assumiu a identidade do herói e cujas aventuras estão sendo publicadas mensalmente na revista Homem-Aranha Superior. Neste encadernado, Wells nos traz a infância e adolescência de Otto Octavius, que além dos anos seguintes, podemos ver até o seu primeiro encontro com Peter Parker, é interessante notar que Octavius consegue se identificar com Peter desde o primeiro momento. Você pode estar pensando que é meio clichê conectar as experiências da infância do herói e vilão, e pode até estar correto, mas a forma que Wells escreve é surpreendente. Ao mesmo tempo em que ganhamos simpatia pelo Doutor, vendo seu sofrimento nas mãos de um pai violento e uma mãe negligente, ele não nos deixa esquecer como o homem pode ser mau e sádico, é legal ver Otto imaginando o que deveria acontecer com cada um de seus “inimigos”.
Além disso, vemos o desenvolvimento da energia nuclear no Universo Marvel. Wells é complexo, ousado, maduro e o mais importante de tudo: respeita toda a cronologia da editora. Também dá pra ver o surgimento dos braços mecânicos, de acordo com a necessidade que Otto encontrava e a inspiração que o levou a construir esse aparelho. E mesmo quando Otto mostra seu lado mais humano, vemos como esse lado é reprimido, o que causa feridas profundas no personagem. Enfim, é interessante ver como um gênio, que poderia ser comparado a Da Vinci (pelo menos dentro da própria HQ) tornou-se um louco criminoso.
Mas isso é só metade desse grande material. A Arte é de Kaare Andrews, o primeiro vencedor do prêmio Schuster pelo seu trabalho em Doutor Octopus Origem. Você pode reconhecer o seu trabalho por Homem-Aranha – Potestade (que eu recomendo ler) ou o seu trabalho em X-men com Warren Ellis.
A Edição está saindo pela Panini em um material com Capa Dura, ótimo acabamento, 120 páginas e pelo preço de R$21,90!
Recomendado para todos aqueles que querem uma boa história.