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IT: Bem-Vindos a Derry está chegando à HBO como quem não quer nada, mas tem tudo para se provar uma das grandes surpresas do ano. Completamente embriagada pelo universo de Stephen King, a obra derivada mergulha ainda mais fundo no terror sem, no entanto, deixar de ser divertida.

It: Bem-Vindos a Derry é uma divertida ópera do medo (primeiras impressões)
Reprodução/HBO

Por cortesia da HBO, assisti aos primeiros cinco episódios da série. Eles cumprem muito bem o papel de expandir a história da Coisa, colocando Derry como protagonista. Ao contrário dos filmes, que davam mais peso ao carisma dos personagens infantis, a série foca em discutir sobre a maldição da cidade.

Afinal, Derry é um lugar hostil porque um ser de outra dimensão se manifesta e assassina pessoas a cada 27 anos, ou tal fenômeno está conectado à origem sanguinária da civilização norte-americana? O que veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A versão original de It: A Coisa foca nos traumas e na manifestação da natureza do mal através da indiferença. Bem-Vindos a Derry respeita esses pilares; no entanto, a série vai além ao priorizar o medo como seu assunto principal e mais potente.

Reprodução/HBO

Não é surpresa para ninguém, graças ao showrunner Jason Fuchs, que a presença física de Pennywise só aparecerá perto do final da série. A sombra do palhaço, contudo, é uma constante. Isso torna a Coisa mais assustadora do que nunca, já que sua liberdade para se manifestar em qualquer lugar e de qualquer forma a deixa muito mais imprevisível e amedrontadora.

A origem da ideia de que Pennywise não é a única manifestação é incerta — pode ter vindo da tentativa de ser mais fiel aos livros ou de uma possível dificuldade em negociar com Bill Skarsgård. Posso dizer, contudo, que essa decisão jogou muito a favor da série.

Reprodução/HBO

A indefinição sobre o que constitui ou não uma ameaça provoca um sentimento constante de paranoia em IT: Bem-Vindos a Derry. Esse sentimento é reforçado pelo estilo visual vibrante e divertido de Andy Muschietti, que dirigiu os dois primeiros episódios e estabeleceu seu padrão característico de jogo de iluminação para os demais diretores.

Confesso que, nos episódios seguintes, senti falta dos floreios visuais do diretor argentino — aqueles baseados em ângulos de filmagem incomuns e movimentos de câmera criativos em espaços reduzidos. Embora haja quem ache exagerado, para mim é um charme.

Reprodução/HBO

Com uma escrita baseada na tensão, a estratégia do cineasta para engajar o público é provocar o sentimento de choque, e ele é extremamente bem-sucedido nessa abordagem. Afinal, grande parte dos personagens é desconhecida das adaptações cinematográficas. Essa liberdade narrativa permite que tudo pode acontecer a qualquer um e configura momentos cruciais e impactantes da série.

Se você esperava que IT: Bem-Vindos a Derry fosse uma versão da HBO de Stranger Things, é hora de recalibrar as suas expectativas, pois a série é uma experiência distinta. Construída sobre uma cidade onde o preconceito e a intolerância são tão ameaçadores quanto um ser interdimensional macabro, a série se estabelece como uma ópera do medo envolvente.

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IT: Bem-Vindos a Derry chega à HBO e à HBO Max no próximo domingo, às 22h (horário de Brasília).