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Octopath Traveler 0 chega com uma grande missão: Após o impacto positivo de Octopath Traveler II, muitos esperavam que esta nova entrada mantivesse o mesmo nível de refinamento e ambição narrativa. A proposta, desta vez, é diferente: transformar o universo de Champions of the Continent, originalmente um RPG mobile com mecânicas de gacha, em uma experiência premium e totalmente independente. A ideia é ousada e, em seus primeiros capítulos, já mostra um jogo que tenta equilibrar o peso dessa tarefa com novas ideias.

A história começa com um cenário clássico de tragédia e vingança, um ponto de partida bem reconhecível para quem já percorreu longas jornadas em JRPGs. Um vilarejo destruído, perdas irreparáveis e a promessa de revanche contra figuras poderosas e moralmente corrompidas. Apesar da previsibilidade do enredo inicial, o texto é muito bem construído, com diálogos que transitam entre o dramático e o exagerado. A caracterização dos vilões é marcante, ainda que caricata, o que reforça o tom teatral que a série sempre cultivou (e que eu aceito e aprecio).

Na parte técnica, Octopath Traveler 0 apresenta um contraste notável. O estilo HD-2D continua sendo uma das marcas mais encantadoras da Square Enix, mas aqui ele parece estar meio inconsistente. Algumas áreas exibem iluminação e efeitos belíssimos, enquanto outras parecem menos caprichadas, com texturas em baixa resolução e sprites menos refinados. O desempenho também preocupa, especialmente durante as seções de reconstrução da cidade, onde quedas de taxa de quadros e pequenos engasgos quebram a imersão. Para um jogo que nasce de um projeto mobile, é estranho ver tais tropeços em plataformas mais poderosas. Entretanto, como ainda falta tempo até o lançamento, é possível que novas atualizações corrijam estes problemas que acontecem nesse preview.

Em termos de jogabilidade, o sistema de combate preserva a base estratégica da série, com o uso inteligente do sistema de Break e Boost em batalhas contra chefes. Ainda assim, as lutas comuns poderiam ser mais desafiadoras. Outro ponto que chama a atenção é a grande quantidade de personagens jogáveis, são mais de 30 disponíveis, que, no começo do jogo, acabam trazendo alguns problemas para o desenvolvimento tático, já que o gerenciamento do grupo se torna algo menos preocupante para o jogador, que logo encontra novos personagens sem ter tempo de ter testado os anteriores.

Mas calma, existem pontos bastante positivos neste preview de Octopath Traveler 0: As batalhas principais são grandiosas, as composições musicais continuam impecáveis e o uso das Path Actions oferece boas oportunidades de interação com NPCs, ampliando o senso de mundo vivo. O novo sistema de reconstrução de cidades, ainda que embrionário, promete expandir as possibilidades de personalização e dar mais propósito à exploração.

As primeiras horas deixam claro que Octopath Traveler 0 é um projeto ambicioso, mas fora do eixo: Ele combina a alma de um JRPG clássico com uma apresentação técnica e narrativa que nem sempre acompanha suas ambições. Há momentos de brilho e emoção, mas também sinais de que o jogo ainda luta para encontrar seu próprio equilíbrio entre nostalgia e inovação. Ainda tenho muitas horas pela frente e dias para poder testar o jogo, além de existir tempo para a Square Enix corrigir alguns desses problemas.

Octopath Traveler 0 será lançado em 4 de dezembro de 2025 para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam e Microsoft Store).

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.