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Se você gosta de mangás, certamente já deve ter visto o nome de Junji Ito em algum lugar. Conhecido como um dos maiores mangakás do gênero de terror/horror, Ito se destaca não só pela sua narrativa amedrontadora, mas também pelos seus desenhos extremamente gráficos e muito explícitos. Aqui, com o intuito de apresentar aos que ainda não conhecem o trabalho deste incrível autor, separei 5 obras que definitivamente me tiraram – pelo menos – um pouco do sono.

Uzumaki

Nada mais justo do que começar esta lista com a obra mais consagrada de Ito: Uzumaki. Usando a figura geométrica da espiral como a grande “vilã” da trama, o autor consegue nos fazer sentir medo até das coisas mais banais. Se passando na pequena cidade Japonesa de Kurôzu, vemos pouco a pouco como o local é tomado pelo que acabam chamando de “maldição das espirais”. Enquanto uns habitantes ficam ensandecidos e deslumbrados pela forma, outros a temem como se carregasse um significado terrível.

Conforme abordei mais detalhadamente neste artigo aqui, Uzumaki é uma obra que mescla elementos tanto do horror em si como também do mistério, do suspense. Vamos descobrindo o segredo das espirais e, consequentemente o segredo da cidade, junto com os personagens, e isso faz com que cada virada de página seja profundamente tensa. Publicada pela primeira vez em 1998, o mangá contém 20 capítulos, compilados em um único volume aqui no Brasil, através da editora Devir.

Gyo

Provando que consegue transformar qualquer elemento em algo assustador, Ito torna uma simples viagem em um completo pesadelo. Ao decidir passar uns dias em Okinawa – uma ilha ao sul do Japão – Tadashi e sua namorada Kaori  começam a perceber que algo está errado com o local em que se encontram. Tudo começa quando o casal, depois de um passeio no mar, começa a notar algumas coisas estranhas tanto nos arredores da casa como em seu interior, além de um cheiro muito forte de algo podre.

Tanto em Gyo como nas demais obras de Junji Ito, o surpreendente não está apenas na premissa da história, mas principalmente na forma como o autor a desenvolve. O fato de colocar os personagens em situações completamente bizarras e adicionar elementos completamente fora do comum causam no leitor uma sensação positiva de confusão, como se estivéssemos tão perdidos e sem saber o que está acontecendo assim como os protagonistas. Publicada pela primeira vez em 2001, o mangá contém 19 capítulos (e mais 2 one shots), compilados em um único volume aqui no Brasil, através da editora Devir.

Frankenstein

Chegou a vez de um dos mangás mais aguardados ter finalmente a sua publicação no Brasil. Ganhador do prêmio Eisner em 2019, Frankenstein é uma excelentíssima adaptação do clássico homônimo, escrito por Mary Shelley. Captando perfeitamente todo o horror que a história carrega consigo, Junji Ito consegue transcrever para os quadrinhos todo o terror e suspense da obra original, fazendo com que a adaptação seja tão magistral quanto a obra que a inspirou.

Ao tratar de uma história em que um cientista cria vida a partir de partes de diferentes cadáveres, o mangaká capta e transcreve para seu traço todo o grotesco e bizarro que tamanha ideia proporciona. Além de uma história clássica, Frankenstein é também a afirmação da genialidade de Ito, não apenas em adaptar perfeitamente um clássico, mas de conseguir reinventar a seu próprio modo uma história já há tempos consagrada. Publicada pela primeira vez em 1994, o mangá já está em pré-venda pela editora Pipoca e Nanquim.

O Enigma da Fenda de Amigara

Aqui, não temos uma obra em vários capítulos, mas sim um one shot. Mesmo curta, O Enigma da Fenda de Amigara é tida por muitos como uma das melhores histórias do autor e certamente não ficaria de fora desta lista. Tudo começa quando, em decorrência de um terremoto, se descobriu uma espécie de fenda em uma montanha da região, chamada de Amigara. E é, a partir de uma fenda, que Ito consegue criar um terror muito específico.

Ao chegarem na fenda, as pessoas que escalaram a montanha se deparam com uma incrível – e inusitada – visão. Na fenda há várias estruturas em formas humanas, cada uma com um tamanho e formas específicas, como se tivessem sido criadas exclusivamente para alguém. Contudo, não se tem ideia de quando e porquê surgiram, nem para onde levam. O bizarro nesta história, além é claro do fato de haverem fendas em formato de seres humanos em uma montanha, é que as tais fendas começam a exercer uma curiosidade cada vez maior nas pessoas que ali se encontram. Algumas, destinadas a encontrar a “sua própria fenda”, adentram as cavidades misteriosas, e nem sempre voltam… Publicado pela primeira vez em 2002, o one shot pode ser encontrado como um extra no volume de Gyo, publicado aqui pela editora Devir.

Tomie

Se temos hoje todas as obras que citei anteriormente, devemos agradecer à Tomie. Sendo o primeiro trabalho do autor, a obra pode ser considerada como o impulso que fez de Ito o grande mangaká que é hoje. Como se trata de sua estreia no mundo dos mangás, podemos ver claramente são só a evolução de Ito na escrita e na narrativa, mas também percebemos um enorme avanço nas ilustrações e na forma de passar o terror através das imagens.

Tomie, a garota que dá nome ao mangá, é uma lindíssima estudante do colegial. Num certo dia, porém, a menina é brutalmente assassinada e seus restos mortais são enterrados em diversas partes. O que o leitor não espera – e obviamente nenhum dos habitantes da cidade – é que Tomie simplesmente reaparecesse, como se nada tivesse acontecido. Em uma série de contos episódios, mas que se unem para dar todo o contexto da trama, Ito mostra como Tomie seduz os rapazes a sua volta e como todos eles, após encantados pela moça, a matam de forma extremamente violenta. O mistério que gira em torno da protagonista e do porquê de suas ações faz com que a história seja viciante, na mesma proporção que é assustadora. Tendo o início de sua publicação no ano de 1987, o mangá conta com 2 volumes, publicados aqui no Brasil pela editora Pipoca e Nanquim.



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