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Kaiju No.8 traz grandes expectativas por ser um dos animes mais aguardados desta temporada e do ano em geral. Junto com Solo Leveling, ele é uma grande aposta como o melhor anime estreante de 2024 em questão de popularidade. O seu mangá foi uma das primeiras obras da Shonen Jump+ que fez um sucesso inesperado de audiência.
Antes mesmo do lançamento do anime, Kaiju No.8 já era muito famoso no Japão e no ocidente, então sua animação já está trazendo um crescimento notável de fama e vendas. O primeiro episódio adapta fielmente o capítulo 1 do mangá, com algumas mudanças na sua introdução e na reviravolta para intensificar as cenas de ação.
Introdução do episódio
Muitos mangakás famosos e experientes enfatizam que a primeira página de um capítulo é extremamente importante, já que ela é a vitrine da história para os leitores. Para apresentar o seu universo, história e personagens de forma rápida, eles ilustram as primeiras páginas com cenas impactantes, claras e objetivas. Naoya Matsumoto manteve esses fundamentos em mente quando ilustrou o primeiro capítulo de Kaiju No.8.

Sua primeira página já deixa claro qual é o mundo e a história que o mangá se propõe a apresentar com apenas três painéis: o desenho de um kaiju gigante e feroz no meio de uma cidade sob alerta; um close no seu olho sangrando e, por fim, ele caindo no chão. Em seguida, vem uma página dupla com o kaiju destruído, a mulher que o venceu em frente do seu olhar morto e o protagonista, Kafka Hibino, observando de longe com um binóculo.
A introdução mostra que esse é um mundo humano ameaçado por kaijus gigantes, existe uma força tarefa para combatê-los e o protagonista está em uma posição inferior da qual ele almeja. Por outro lado, o primeiro episódio do anime estendeu um pouco mais essa cena para mostrar as habilidades da mulher que venceu o kaiju, Mina Ashiro.
O episódio abre com cenas de pessoas normais andando pela cidade até o kaiju emergir pelo mar e destruir tudo. Então os civis entram em pânico e vão para abrigos de evacuação, indicando que incidentes como esse já são comuns no Japão. A primeira força de defesa que aparece para combater a ameaça são naves de guerra, mas os seus mísseis não causam nenhum dano.
Depois que o kaiju mostra o quanto ele é perigoso, Ashiro entra em cena de forma triunfal. Seu esquadrão lida facilmente com a situação, enquanto ela carrega sua arma laser para exterminar o kaiju. Embora sua introdução tenha sido diferente do mangá, o primeiro episódio do anime também conseguiu mostrar logo no início que Ashiro está no lugar que Kafka deseja chegar.
As duas introduções foram bem planejadas, elas apresentaram o necessário da história sem fugir dos objetivos e prioridades de cada mídia. Se a animação simplesmente copiasse e colasse as páginas do mangá, o episódio teria um começo sem graça pela falta de ação. Isso não quer dizer que a primeira página do mangá é chata por não ter ação, suas imagens por si só geram curiosidade e surpresa para prender a atenção do leitor que se interessar.
Ação, suspense e qualquer outra sensação pode ser transmitida pelas imagens estáticas dos mangás, mas nós esperamos que os animes passem a mesma experiência com mais agitação e apelo visual. Dedicar alguns minutos do episódio para incluir a cena de Ashiro em ação trouxe essa agitação à tona.
Como estamos falando de um anime de kaijus, é óbvio que vamos esperar lutas entre monstros gigantes, mas o primeiro episódio/capítulo foca mais em fazer o público sentir empatia pelo protagonista e atiçar a sua curiosidade em relação a sua transformação inesperada.
A perseguição de Kaiju
O autor de Kaiju No.8 não tem receio de demonstrar o lado mais nojento e asqueroso dos kaijus. Kafka ganha a vida como limpador de restos de kaiju, então seu grupo precisa lidar todos os dias com o odor das tripas espalhadas pela cidade.
Na página 11 do capítulo 1, ele vai limpar os intestinos, que são borrados para criar um ar cômico de censura, mas essa parte ficou bem visível no anime. Borrar os intestinos amenizou o sofrimento desse trabalho no mangá, enquanto anime não economizou na sensação de nojo.
Kafka repensa sobre o rumo que tomou em sua vida quando conhece o novato do trabalho, Ichikawa Reno, um jovem determinado a entrar na Força de Defesa. Tanto o anime quanto o mangá foram ágeis na interação inicial dos dois personagens para mostrar o contraste entre eles.
No mangá, vemos a diferença dos dois lados com Ichikawa passando direto pelo seu superior como uma negação de desistência. Para esconder sua frustração, o protagonista é isolado em painéis pequenos, inventando desculpas por desistir do seu sonho. Essa frustração apenas serve para aumentar o impacto das palavras confiantes de Ichikawa.
No anime, a cena de interação tem uma mudança leve que funciona, mas não passa o mesmo peso. Ao invés de sentir a frustração passando através dele, Kafka evita encarar a verdade virando as costas. Esconder os seus olhos perante o seu reflexo atual transmitem a frustração que ele sente, mas talvez a cena poderia ser mais intensa com uma intimidação frente a frente igual foi no mangá.
Outro acréscimo de ação que veio nesse episódio é a perseguição do kaiju que acontece no clímax. Quando Kafka e Ichikawa começam a se acertar, somos guiados pelo ritmo calmo do momento, até um kaiju horripilante aparecer do nada. Como ato de coragem, o protagonista decide lidar com o monstro sozinho para o novato do trabalho escapar.
O mangá resume esse conflito com um simples empurrão, e o anime estende a cena com uma perseguição desesperada. Em comparação com a cena de introdução, a perseguição não é nada demais. Assim como o mangá, o anime apenas enfatiza como Kafka é uma pessoa corajosa, colocando-o em uma situação de risco.
Enfim, o anime e o mangá conseguiram fazer uma introdução interessante dos seus personagens, mas agora que Kafka já está transformado, não deve demorar muito para vermos como o Kaiju No.8 se sai em uma luta de monstros.
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O mangá original de Naoya Matsumoto é serializado na plataforma Shonen Jump+ desde julho de 2020 e conta com 11 volumes até o momento.
Recentemente, a obra ultrapassou a marca de 12 milhões de cópias em circulação. No Brasil, o título é publicado pela Panini.
O anime é produzido pelo estúdio Production I.G (Haikyuu!!, Tengoku Daimakyo:
Ilusão Celestial), com o Studio Khara sendo responsável pelo design das criaturas.