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Hal Jordan é frequentemente considerado o maior dos Lanternas Verdes, sendo o primeiro humano a ser escolhido pelo anel e a ingressar na Tropa. No entanto, sua trajetória nos quadrinhos da DC é marcada por uma das quedas mais drásticas e controversas já vistas, quando o herói foi transformado em um dos maiores vilões da editora, o Parallax.

Compreender o trauma que corrompeu o personagem é essencial para entender o peso de seu legado, então confira agora a história completa de como Hal Jordan se tornou a maior ameaça do Universo DC e como ele saiu dessa.

A Queda de Coast City

A semente para a transformação de Hal Jordan foi plantada logo após o evento “A Morte do Superman”. Em 1993, durante a saga “O Retorno do Superman”, o vilão intergaláctico Mongul uniu forças com o Superciborgue. O objetivo da dupla era transformar a Terra em um novo Mundo Bélico, e o primeiro passo desse plano envolveu a aniquilação completa de Coast City, a cidade natal de Hal Jordan.

No momento do ataque, Hal estava no espaço. Quando finalmente retornou à Terra, ele encontrou apenas uma cratera fumegante onde antes ficava sua cidade. Sete milhões de pessoas haviam sido vaporizadas em um instante. O impacto psicológico de perder sua família, seus amigos e todos que ele havia jurado proteger causou uma fratura irreparável na mente do herói.

Consumido pelo luto e pelo desespero, Hal utilizou o poder de seu anel de forma inédita. Ele drenou praticamente toda a energia de sua bateria pessoal para recriar Coast City inteira através de construtos de luz sólida. Ele recriou os edifícios, as ruas e até mesmo os habitantes, interagindo com construtos de seus pais e de sua ex-namorada na tentativa de viver uma ilusão onde a tragédia nunca ocorreu.

Porém, a energia do anel tem um limite. Quando o poder começou a falhar e a cidade de luz começou a desaparecer, os Guardiões do Universo entraram em contato com ele através de uma projeção holográfica. Em vez de oferecerem compaixão ou assistência psicológica diante do trauma de seu principal patrulheiro, os Guardiões adotaram uma postura fria e burocrática. Eles o repreenderam por violar a regra principal da Tropa: usar o anel para ganho pessoal. Imediatamente, ordenaram que Hal se apresentasse em Oa para sofrer medidas disciplinares.

Guerra em Oa

A frieza dos Guardiões foi o estopim. Hal concluiu que os Guardiões possuíam poder suficiente para consertar o universo, mas se recusavam a usá-lo por pura arrogância e dogmatismo. Determinado a reviver Coast City definitivamente, ele tomou uma decisão drástica: viajar até Oa, absorver a energia da Bateria Central e usar esse poder absoluto para reescrever a realidade. Esse arco foi batizado de “Crepúsculo Esmeralda”.

Ao detectar sua aproximação e suas intenções, os Guardiões enviaram uma sucessão de Lanternas Verdes para interceptá-lo. Boodikka, Ke’Haan, Laira e vários outros guerreiros de elite tentaram pará-lo. No entanto, movido por uma fúria cega, Hal derrotou seus ex-companheiros um a um de forma implacável. Para cada Lanterna derrotado, ele confiscava o anel, acumulando poder e deixando-os à deriva no espaço, essencialmente condenando-os à morte.

Desesperados com a aproximação de Hal e vendo suas defesas caírem, os Guardiões tomaram uma atitude extrema. Eles libertaram Sinestro, o maior inimigo da Tropa e ex-mentor de Hal, da prisão dentro da Bateria Central, devolvendo-lhe um anel verde para que ele detivesse Jordan. O embate entre os dois foi brutal, mas o estado mental de Hal o tornou letal. A luta terminou quando Hal Jordan, o outrora grande herói, quebrou o pescoço de Sinestro.

Logo em seguida, Hal foi confrontado por Kilowog, seu amigo íntimo e treinador. A batalha foi emocionalmente carregada, mas a determinação distorcida de Hal prevaleceu. Ele utilizou o poder concentrado de vários anéis para incinerar Kilowog, deixando para trás apenas os restos mortais de seu amigo.

A Ascensão e Queda de Parallax

Sem mais obstáculos, Hal chegou à Bateria Central do Poder. Os Guardiões, percebendo que o fim era inevitável, transferiram toda a sua própria energia vital para Ganthet, o único entre eles que sobreviveria para tentar consertar as coisas no futuro. Hal entrou fisicamente na Bateria e absorveu toda a energia verde do universo.

Quando ele emergiu, a Tropa dos Lanternas Verdes havia deixado de existir. A Bateria estava destruída, Oa estava em ruínas e Hal Jordan vestia um novo traje, declarando ter abandonado seu antigo nome. Ele agora era Parallax. Nos destroços de Oa, Ganthet forjou um último anel a partir dos fragmentos da Bateria e viajou para a Terra, entregando-o ao jovem artista Kyle Rayner, que se tornaria o único Lanterna Verde em atividade no universo por anos.

Como Parallax, Hal Jordan se tornou uma ameaça em escala multiversal. No evento “Zero Hora”, ele tentou destruir e recriar toda a linha do tempo do Universo DC para garantir que Coast City nunca fosse destruída, operando sob a lógica de que os fins justificavam os meios. Ele foi impedido pelos heróis da Terra em uma batalha que reestruturou a cronologia da DC.

Apesar de suas ações imperdoáveis, o núcleo heróico de Hal Jordan não havia desaparecido por completo. Em 1996, durante o arco “A Noite Final”, um Devorador de Sóis consumiu o sol da Terra, condenando o planeta ao congelamento. Em seu ato final de redenção, Hal utilizou quase toda a energia restante que possuía como Parallax para reacender o sol, sacrificando sua vida no processo e morrendo como o herói que um dia foi.

Após sacrificar sua vida, a alma de Hal Jordan foi enviada ao Purgatório devido aos crimes que cometeu como Parallax. Sua chance definitiva de expiação surgiu no evento “Dia do Julgamento”, quando se fundiu com a entidade Espectro. Essa fase durou alguns anos e foi o elo fundamental para o retorno do herói.

O Renascimento

Por uma década, a história de Hal como um herói caído permaneceu como o cânone indiscutível. Contudo, em 2004, o roteirista Geoff Johns reescreveu essa mitologia no arco “Lanterna Verde: Renascimento”. Johns introduziu um “retcon” que alterou permanentemente a compreensão de quem ou o que realmente era Parallax.

Foi revelado que Parallax não era apenas um codinome adotado por Hal em seu momento de loucura, mas sim uma entidade cósmica ancestral que representava a luz amarela do medo. Essa entidade parasitária estava aprisionada dentro da Bateria Central há milênios, e era a verdadeira razão pela qual os anéis verdes possuíam a infame impureza e fraqueza contra a cor amarela.

Quando Coast City foi destruída, a vontade inabalável de Hal Jordan foi finalmente rachada pelo luto e pelo medo intenso. A entidade Parallax aproveitou essa brecha para estender sua influência de dentro da Bateria, infectando a mente de Hal progressivamente. Cada atitude extrema que ele tomou durante o Crepúsculo Esmeralda foi amplificada pela influência do parasita. Quando ele entrou na Bateria Central, a possessão se tornou completa.

Esse ajuste narrativo absolveu Hal da culpa total por seus crimes, permitindo que ele se libertasse da entidade, retornasse à vida e reassumisse seu manto como o Lanterna Verde principal da DC, reestabelecendo a Tropa para uma nova era.

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