Estimated reading time: 4 minutos
A um mês da estreia, Lanternas jamais teria sido concebida se não fosse por Tom King. Foi o premiado roteirista de quadrinhos da DC Comics quem sugeriu a James Gunn e Peter Safran uma reimaginação dos Lanternas Verdes como detetives terrenos e realistas, no estilo dos personagens de Matthew McConaughey e Woody Harrelson em True Detective. A série de super-heróis tornou-se, de fato, um drama policial no nível dos clássicos da HBO, em parte pelos reforços de peso de Damon Lindelof e Chris Mundy, mas também por como King trouxe sua experiência na CIA para os roteiros.
Entre o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, King estagiou tanto na Marvel quanto na DC, e chegou a ser assistente de Chris Claremont, famoso roteirista dos X-Men. Daí, veio o 11 de setembro e, motivado a ajudar o país, King entrou para a divisão contraterrorismo da CIA , e ficou lá até 2009.
Tom King defendeu os Estados Unidos na Guerra do Iraque. Ele viveu anos extremamente estressantes em Bagdá, e o resultado disso está exposto na excelente HQ Xerife da Babilônia, na qual ele deixa clara sua posição contrária àquela guerra — embora, nas redes sociais, algumas pessoas insistam em atacá-lo por causa desse histórico.
“Já vi rumores de que comecei a Guerra do Iraque. Eu não comecei a Guerra do Iraque. Eu tinha 23 anos“, disse King para a Variety. “Eu era contra a Al-Qaeda e o Talibã. Estávamos tentando impedi-los de fazer coisas horríveis. Eu era contra a Guerra do Iraque. Achei que foi a coisa mais estúpida do mundo. Eu vi pessoas mentindo sobre coisas na TV, mas ainda assim tive que ir. Era meu dever. Trabalhei em alguns casos onde pessoas iam explodir uma base, e nós as impedimos. Eu deveria tê-las deixado explodir? Deixar aquelas crianças morrerem porque eu não concordava com a guerra?“
De todo modo, King viveu e sentiu coisas reais no Iraque. Para Damon Lindelof, foi justamente a capacidade de entender o que vivenciou lá que fez do seu companheiro de criação uma peça fundamental para o desenvolvimento de Lanternas.
“É fácil esquecer que super-heróis são seres humanos. O que eles querem são as mesmas coisas que você e eu queremos. Essa é a abordagem fundamental de Tom“, disse Lindelof. “Há uma sofisticação em sua escrita porque ele viveu essas coisas. Antes de ser roteirista, eu era assistente de roteiristas; Tom estava na CIA. Ele experimentou um nível de intensidade que permeia seu trabalho.“
Lanternas é um mistério de assassinato que também aborda a guerra, mas não a do combate de campo. A trama envolve instituições, a manipulação da verdade e, de certo modo, figuras que lutam para expor as cicatrizes do poder. Esses foram temas que fizeram parte da vida real de Tom King entre 2001 e 2009.
A série, vale ressaltar, estreia em 16 de agosto na HBO e na HBO Max. Na trama, veremos um Hal Jordan veterano sendo forçado a treinar seu reserva, John Stewart, enquanto eles investigam um crime suspeito no Nebraska.
Leia mais sobre Lanternas
- Siga o O Vício no Google e não perca nada sobre Cultura Pop!
- Lanternas: Começa a Sala de Roteiristas da 2ª temporada
- Lanternas: Kyle Chandler diz que Hal Jordan foi um presente dos céus
Fonte: Variety






Comentários