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Maquiavel já dizia que a preservação do poder exige vigilância constante e desconfiança. Isso configura paranoia e estabelece o poder como um fim em si mesmo. Em Lanternas, não é porque Hal Jordan não se tornou um ditador como Sinestro que ele não herdou dele a obsessão pelo poder.
Com o pouco que sabemos sobre o personagem de Kyle Chandler, já podemos entender que ser um Lanterna Verde é sua tentativa de preencher um vazio. O herói perdeu os pais e, desde então, nunca conseguiu realmente construir uma vida. Ele é solitário e não faz nada além de patrulhar o universo obsessivamente. Para os Guardiões, isso foi ótimo enquanto durou. Agora que ele está velho e se tornou uma ameaça, precisa ser substituído…

Embora interpretações equivocadas digam o contrário, Hal jamais deixou de ser um herói em Lanternas. Mas é importante entender que a série sempre deixou claro que ele agia seguindo os próprios instintos — e esses instintos agora estão comprometidos. Hal está em estado de paranoia por medo de perder um poder que ele nem sabe mais por que quer tanto.
O arco de John já desenhava uma clara reviravolta. O recruta percebe que o poder concedido pelos Guardiões era só mais uma forma de manipulação. Cansado de ser usado, o jovem deixa a promessa deles de lado e ainda livra Hal Jordan da influência das autoridades cósmicas — embora Hal jamais vá entender dessa forma.
O episódio 5 de Lanternas espelha em John a desilusão da geração mais jovem em relação às instâncias do poder político no mundo. É muito comum ver pessoas que preferem dizer que simplesmente “não gostam de política” a participar dela com a força de vontade de mudar algo. Isso acontece, em grande parte, porque a velha guarda não largou o osso até hoje. Não houve um preparo real para que pessoas mais jovens e capazes resolvessem os problemas atuais. Assim, elas se cansaram de promessas jamais cumpridas e perceberam que não queriam se tornar os velhos que hoje dominam o poder.

O que Lanternas prepara de reviravolta nessa alegoria, entretanto, é que John acabará sendo forçado a entrar no jogo — porque fazer parte da política não é uma escolha. Tudo é política, principalmente cabeçudinhos azuis decidindo o que é melhor para a segurança do universo. Não há vácuo nas cadeias de comando. Se os capazes as deixam vazias, os incapazes vão ocupá-la. Se o vício no poder é um problema, cabe aos mais jovens enfrentá-lo. Afinal, mesmo que as chances de vitória sejam mínimas, um problema jamais será resolvido se for ignorado.






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