Era un ragazzo que come io…

MISTER NO: REVOLUÇÃO, Vol. 1- VIETNÃ, DE MICHELE MASIERO E VÁRIOS ARTISTAS
É por causa de histórias como essa que vale a pena continuar investindo em fumetti, os quadrinho italianos. Mister No: Revolução – Vietnam vem com a premissa de atualizar a origem do personagem Jerry Drake, o Mister No. Enquanto originalmente o personagem foi criado para ter saído dos flancos da Segunda Guerra Mundial, essa atualização de origem coloca o personagem nas florestas tropicais do Vietnã. É muito interessante essa ambientação do personagem nos anos 1960, que vai e vem na narrativa mostrando um quadro completo dos soldados entre a realidade americana e a realidade da guerra no sudoeste asiático. Lembra filmes como O Sobrevivente, de Werner Herzog e Across The Universe, de Julie Taymor ao mesmo tempo. O roteiro de Masiero é um drama que, como dito, poderia ser um belíssimo filme, casando com o traço impudico e vanguardista de Matteo Cremona, que não poderia ficar mais completo sem as tonalidades pastéis impactantes de Luca Saponti e Giovana Niro. Os quadrinhos italianos adultos da Bonelli rendem muito nas mãos e na imaginação do leitor trazendo um impacto narrativo e visual bem diferente daquele fornecido pelos quadrinhos adultos americanos.
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DRAGONERO ESPECIAL: O CAÇADOR DE DRAGÕES, DE LUCA ENOCH
Quando eu vi pela primeira vez o título dessa revista, eu jurei ter lido “DragoNerd”, é que a gente está tão acostumados a ver sites wannabes de quadrinhos como QuadrinhosNerd, CinemaNerd, SériesNerd, que já virou lugar comum. Mas o nome é DragoNero, de Dragão Negro. Ele envolve uma coisa bem cara aos nerds: as raças e classes medievais desenvolvidas contemporaneamente por J. R. R. Tolkien no seu O Senhor dos Anéis, então quem curte Dungeons & Dragons, seja o RPG ou a animação de A Caverna do Dragão, vai adorar esse fumetto lançado originalmente na Itália em 2007. A HQ tem um enredo envolvente e um mundo cheio de mapas e quetais, muito bem desenvolvido e com seu funcionamento próprio, criados por Luca Enoch e Stefano Vietti. Além disso, a arte de Giuseppe Mateoni é espetacular, lembrando às vezes os estilos de Moebius (Jean Giraud) e de Mike Mignola, claro, dentro das possibilidades de um fumetto. Se essa publicação possui um ponto negativo é o seu acabamento gráfico, ainda feito no infame papel pisa brite, quando os novos fumetti da Mythos vêm sendo publicados em offset. Fica a dica pras próximas edições para a editora. Para os leitores de quadrinhos, fica a dica de lerem esse empolgante publicação, com quase 300 páginas de aventura e fantasia medieval!
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LILITH, VOLUME 1, DE LUCA ENOCH
Você gosta de quadrinhos com mulheres fortes e poderosas? Você gosta de quadrinhos com viagens no tempo para salvar uma civilização inteira de uma ameaça que não é nem percebida e que existe toda uma conspiração para que, ao mesmo tempo, ela prevaleça e ela pereça? Você gosta de quadrinhos que dão a impressão que tem alguma coisa errada, uma pulga atrás da orelha, de que alguém, nessa história toda está sendo enganado e pode muito bem ser você, leitor? Lilith é um quadrinho que tem o melhor que os fumetti da Sergio Bonelli Editore da última geração têm a oferecer. É uma trama em 18 edições originais, que serão 6 no Brasil, por isso, o leitor não precisa se comprometer tanto com o título como um Tex por exemplo. A arte de Luca Enoch é de babar, cheia de detalhe e totalmente atual, assim como sua narrativa incrível. A impressão é em papel offset que valoriza o quadrinho, que traz as 3 primeiras edições originais de Lilith, uma mulher do futuro que precisa matar, através do tempo, pessoas infectadas por um vírus que decretou o fim da humanidade. Ela precisa impedir que suas cepas se desenvolvam. É um quadrinho para os amantes da história da humanidade, já que Lilith, nesses três volumes, se aventura pela Guerra de Tróia, pelo Caribe dos Corsários e pela Primeira Guerra Mundial. É um deleite narrativo e visual, delicinha de leitura em quadrinhos rara de se ter. Aproveitamento de 100% na minha humilde opinião. Acabou de chegar em minhas mãos pela campanha do Catarse da Editora Red Dragon, cujo trabalho é impecável. Devorei todas as quase 400 páginas de Lilith numa noite apenas tal é a qualidade excepcional das suas histórias.
CHAMBARA: O CAMINHO DO SAMURAI, DE ROBERTO RECCHIONNI E ANDREA ARCADI
Uia, que quadrinho ótimo! Que fumetti sensacional! Nossa, mas que aquisição recompensadora! 5 de 5 estrelas! Aproveitamento 100%! No início deste lindíssimo álbum o desenhista/artista faz um agradecimento para o mestre Frank Miller, pois ele e o roteirista Roberto Recchioni se inspiraram por demais em seus trabalhos para fazer este fumetto. Estão ali o pace mais lento das belíssimas paisagens do Japão feudal trazidas por Accardi. Também estão presentes as composições de cenas, visualizadas em planos abertos em sua maioria e em formato widescreen. As cores que Accardi usa ajudam a compor o ritmo e a troca de cenas e cenários da HQ, tanto na primeira história como na segunda dela, com a paleta demonstrando momentos da narrativa de acordo com a intenção dos autores para aquelas cenas. São dois contos de honra e desonra, vingança e redenção, ambos estimulados pelo velho mestre, através do qual os dois jovens encontram alguma espécie de sabedoria para conduzir o restante de suas vidas, nem sempre pelo caminho mais benévolo. Dos três quadrinhos da linha adulta dos fumetti da Sergio Bonelli Editore, este foi o que mais gostei. Vale muito a pena!
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DAMPYR VOLUME 2, DE MAURO BOSELLI, LUCA ROSSI, MAURIZIO DOTTI, NICOLA GIANZANELLA E MAURIZIO COLOMBO
Todo mundo sabe quando uma comida é gostosa. Ela tem sabor, ela nos faz babar só de pensar nela, ela tem textura e equilíbrio. Dampyr é assim. Uma história de quadrinhos gostosura de ler. Ela tem sabor, que é o clima que a história nos transporta para. Ela nos faz babar (sangue?) só de pensar nos enredo mirabolantes que Mauro Boselli vai colocar na nossa frente. Ela tem textura porque não se sustenta apenas no personagem Harlan Draka, o Dampyr, tem outras camadas, como numa massa folheada, que estruturam a história, além das subtramas. Ela tem equilíbrio porque não é sensacionalista nem sem sal demais, ela sabe dosar o terror e a aventura, o mistério com o suspense. Este segundo volume começa com uma fascinante história sobre a lenda do Golem no gueto de Praga. Depois continua com uma história em duas partes, onde os personagens principais precisam se defrontar com dois lordes da noite africanos cujos interesses entram em conflito. Por fim, um grimório preservado durante séculos dá início a uma revelação de seres e interesses mórbidos e nefastos sobre este livro, tudo isso com a intervenção de Harlan Draka atuando como professor de vampirologia! Isso mesmo! Foi Dampyr que me fez voltar mais precisamente minha atenção para os fumetti e tenho sido regiamente recompensado. Agora é partir para o terceiro volume de Dampyr!