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Um pouco atrasados por alguns motivos técnicos damos início ao nosso rol de Melhores Leituras (e Piores, claro) de 2019. O legal é que teremos 12 categorias de leituras para você se aventurar nas avaliações que vamos publicar aqui n’O Vício. Lembrando que, é claro, eu, Guilherme Smee, não li todos os lançamentos de 2019 por motivos de espaço, dinheiro e tempo, mas o que consegui ter acesso vai ser levado em conta aqui. 


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Começamos a nossa lista com os representantes da Terra do Sol Nascente, o Japão, de onde vem a grande maioria dos Mangás. Mas você vai ver que na nossa lista temos também representantes brasileiros dessa categoria!

BOA NOITE, PUNPUN, VOLUME 1, DE INIO ASANO

Tenho chegado à conclusão que meu tipo favorito de mangá são aqueles que tratam o cotidiano. Algo muito diferente daquilo que se pensa quando se pensa em mangás, com suas linhas de ação e de movimento intensas. Esse Boa Noite, Punpun, é um quadrinho sensível, muito lindinho, em que, seguindo uma pegada Maus, de Art Spiegelman, o personagem principal é representado como um passarinho/fantasminha, assim como todas as pessoas da família dele. O restante é mostrado num realismo incrível, próprio do Inio Asano (Nijigahara Holograph, Solanin). Este primeiro volume mostra a infância de Punpun, que se apaixona pela garota nova no colégio. Junto com ela e seus amigos, Punpun vai tentar desvendar um crime ocorrido numa fábrica do seu bairro. Essa é a parte que começa a esquisitice que marca a história. Boa Noite, Punpun é muito interessante, tanto pela arte quanto pela forma como o autor faz a sua abordagem das “coisas da vida”, estabelecendo Punpun em uma família extremamente disfuncional e que não gosta do produto dessa família: o próprio Punpun, que vive num mundo à parte, à margem de tudo e de todos. Belo mangá que começarei a acompanhar suas sete edições pela JBC.

Você pode adquirir a coleção completa de Boa Noite, PunPun com desconto neste link.

ENJOY THE SILENCE, DE JOÃO EDDIE

João Eddie reúne neste mangá de mais de duzentas páginas diversas histórias em quadrinhos curtas e silenciosas feitas por ele. É difícil a gente encontrar trabalhos brasileiros de mangá que pareça mesmo uma publicação de mangá como aquelas que vêm do Brasil para cá. Geralmente elas tomam um formato híbrido. A do João, certamente poderia concorrer com um mangá vindo do Japão. Afinal, algumas dessas histórias curtas ganharam o Silent Manga Award, o prêmio para mangás produzidos internacionalmente e silenciosos, que é promovido pelo governo do Japão. O traço dos quadrinhos lembram bastante o de Akira Toriyama, de quem, imagino, o João seja grande fã. Das histórias, acredito que quando o autor investe mais nas situações de cotidiano e mais sensíveis, ele acaba se saindo melhor do que naquelas que são mais estrambólicas, com ficção científica e fantasia. Mas fica a dica: se você quer ler um mangá produzido no Brasil com a mesma qualidade ou melhor que aqueles feitos no Japão, Enjoy The Silence, de João Eddie é uma grande pedida. Você vai aproveitar o silêncio como nunca!

A ESTRELA DO HENTAI, VOLUME 2, APRENDENDO HENTAI DO PRINCÍPIO, DE MORIHITO KANEHIRA

Então, eu havia comprado a primeira edição deste mangá na Saraiva, mas cadê que eu encontrava a segunda edição? Não tinha em lugar nenhum. Então encomendei na Comix numa promoção. Aí pude ler o final da saga de Verme Desprezível em busca de ser uma Estrela do Hentai. Para quem ainda não sabe, hentai são os mangás eróticos japoneses, que apesar da cultura deles, são muito mais pervertidos do que quadrinhos pornôs normais. Isso porque, segundo a cultura japonesa, é proibido se mostrar explicitamente os órgãos genitais. Por isso, os mangakas que fazem hentai precisam compensar isso de alguma maneira. Neste mangá, que também é uma aula sobre o hentai, o projeto de desenhista Verme Desprezível é ensinado por diversos professores como deve ser feito um bom hentai. É um quadrinho bastante divertido de se ler e são bastante peculiares os meandros que orientam a produção desse tipo de produção. Para quem conhece mais as publicações em mangá, dizem que, guardadas as produções, ele é o Bakuman dos hentais. Ou seja, ele deixa o leitor extremamente por dentro da produção de hentais. Bem interessante e doido.

Você pode adquirir o primeiro volume deste mangá através deste link.

HELTER SKELTER, DE KYOKO OKAZAKI

Caramba! Carambinha! Carambolas! Carambraia! Que quadrinho incrivelmente impactante, nossa, ainda estou passado, chocado, bege, com ele! Ele conta a história de uma top model que faz de tudo pela fama e que manipula a sua assistente de maneiras que vão muito além da moral e da ética de um trabalho desta natureza. Comecei folheando o quadrinho, em pé, como quem não quer nada, que só ia olhar como eram os desenhos e a narrativa e, quando percebi já tinha lido mais da metade das mais de trezentas páginas que compõem esse compilado de mangá de Kyoko Okazaki trazido ao Brasil pela editora New Pop. Por falar em New Pop, eu costumo reclamar bastante do trabalho de edição deles, mas desta vez não consegui encontrar nenhum erro flagrante, ou seja, a editor está mais cuidadosa com isso. Parabéns pela mudança e por trazer um quadrinho tão fora do comum, tão excedente de limites e que nos faz arregalar os olhos e continuar lendo as barbaridades da top model Lilico a cada virada de páginas. Se você está procurando uma leitura diferente, principalmente no reino dos mangás, Helter Skelter, título inspirado na música dos Beatles, é uma ótima pedida!

O MARIDO DO MEU IRMÃO, VOLUME 1, DE GENGOROH TAGAME

Este mangá O Marido Do Meu Irmão tem um jeito todo próprio e fofinho de abordar os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ele coloca de um lado os preconceitos e a ignorância de um adulto e de outro lado a inocência e a pureza de uma criança. Somado a isso, O Marido Do Meu Irmão também apresenta as diferenças da cultura ocidental e oriental de tratar as relações entre as pessoas (seja do mesmo sexo ou não), em que as demonstrações de carinho dos japoneses, por exemplo, costumam ser muito mais contidas que as dos ocidentais. Os desenhos de Gengoroh Tagame variam entre um traço mais próximo ao SD (superdeformed) e o realista, que é o que ele usa em seus trabalho de bara, os quadrinhos gays voltados para homens. Isso se pronuncia bastante na maneira em como ele desenha os homens adultos de O Marido Do Meu Irmão, muita s vezes em momentos e posições sexies, mas que não perturbam ninguém e que não mudam o significado desse lindo mangá. O Marido Do Meu Irmão é uma lição de respeito e tolerância e como o olhar de uma criança pode simplificar e muito as relações humanas.

O Marido do Meu Irmão pode ser adquirido através deste link.



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