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Nesse período de Copa do Mundo, dividir a atenção com o que ocorre fora das quatro linhas é uma missão inglória, pois, para o público brasileiro, pouca coisa importa mais na mídia do que as partidas. Basta observar os comentários do que é postado por aqui diariamente. Bem, é preciso ser honesto do lado de cá também. Não é como se nós também não estivéssemos acompanhando o que tem tomado os holofotes do mundo atualmente. Foi justamente por prestar atenção na terça-feira histórica de 7 de julho de 2026, que me peguei pensando em como a trajetória heroica de Messi se assemelha à de Goku em Dragon Ball.

O arco de herói

Reprodução/Toei Animation

Quando o fenômeno Messi se tornou realidade em Barcelona, no final dos anos 2000, criou-se um enredo quase profético de que ele seria o sucessor legítimo de Diego Maradona — talvez o fato de o deus do futebol argentino treinar a seleção naquele período tenha colaborado para isso. A semelhança com o arco de Goku já começa a bater à porta. Se você é um otaku bem treinado, sabe que a história começa com Goku carregando o peso de ser o último grande defensor da Terra.

Nos dois casos, o talento puro não bastou para evitar o calvário. As finais perdidas por Messi em 2014 (Copa do Mundo para a Alemanha), 2015 e 2016 (Ambas Copa América para o Chile) levantaram contestações pesadas sobre ele não ser “argentino de verdade”, já que fizera toda a carreira na Europa até aquele ponto. Ele chegou a desistir, a se aposentar precocemente da seleção. Esse período é equivalente ao sacrifício de Goku contra Cell. Foi o momento em que o herói parecia quebrado, incapaz de vencer a ameaça final, deixando sua nação órfã e imersa em questionamentos. Era o ápice do drama, onde muitos decretaram o fim de uma era sem que o destino fosse cumprido.

O retorno de Messi à Albiceleste, no entanto, não poderia ter sido mais triunfante. Ele perdeu a Copa América no Brasil, em 2019, mas venceu a de 2021, dando início a uma nova era vitoriosa que culminou com o título mundial de 2022. Foi como a vitória definitiva de Goku contra Majin Boo.

A consagração tardia de Messi para o seu povo, que se estende de forma inacreditável até este julho de 2026, é o ápice dessa narrativa de resiliência. O herói, que outrora era cobrado por não sentir o peso de ser argentino, hoje joga com a leveza de quem já derrotou todos os vilões e alcançou o topo do Olimpo.

Ver Messi em campo hoje, aos 39 anos, operando milagres em ritmo desacelerado, é como assistir a Goku atingir o Instinto Superior. O sofrimento das batalhas passadas cedeu lugar a uma maestria plena. O manto da Argentina, que outrora era uma armadura pesada, agora é a consagração definitiva do maior guerreiro que o futebol já viu nascer desde Pelé.

Os deuses mundanos

Divulgação/AFA

Seria Messi um guerreiro alienígena dos campos? Afinal, como explicar que, aos 39 anos e visivelmente exausto, ele ainda seja capaz de conduzir seus companheiros a uma virada histórica em uma oitava de final de Copa do Mundo? Como decifrar aquela noção de jogo que faz a arte de lançar a bola na cabeça dos companheiros — ou direto nas redes — algo quase banal? Não, Messi não é um alien como Goku. A relação entre os dois não é por aí.

Tanto o protagonista de Dragon Ball quanto o camisa 10 da Argentina lidam com seus dons de maneira única. O simples ato de exercê-los é o ápice para eles. Não é como a relação entre Cristiano Ronaldo e Vegeta, em que a vitória é uma obsessão e exige preparação máxima. Existe uma pureza quase infantil na forma como eles se divertem praticando seus respectivos esportes. Por isso, as versões mais angelicais de ambos surgem quando agem como se não tivessem mais nada a provar a ninguém. A pressão, afinal, nunca fez bem a nenhum deles.

A jornada desses dois personagens icônicos reflete a evolução da técnica sobre a força bruta. Messi perdeu a explosão física da juventude — algo natural a qualquer atleta —, mas continua a fazer a diferença no futebol ultra-físico atual justamente por ter refinado sua percepção de jogo ao longo do tempo. Ele lê os espaços e os atalhos do campo como nenhum outro jogador em atividade. Novamente, é como o Instinto Superior de Goku. O atleta parece se mover antes mesmo do pensamento.

Messi não se tornou um líder por proclamar isso aos quatro ventos. Ele inspirou gerações e tornou-se um ídolo apenas sendo quem é. Ele é uma figura autêntica de pura magia futebolística. Alguém a quem os companheiros de seleção se entregam e a quem reconhecem como sábio. Ele é o melhor porque simplesmente é, e não porque fabricou uma imagem heroica de si mesmo. Como diz o ditado: o rei que precisa dizer o tempo todo que é rei, não é rei de verdade.

É muito fácil se identificar com essa figura, pois trata-se de um arquétipo leve. Todos conhecem os sacrifícios que a perfeição exige, e alguns fazem questão de expô-los para se colocarem em uma espécie de missão sagrada, acima dos meros mortais. Messi e Goku, no entanto, não buscam esse pedestal. Pelo contrário. Mesmo estando acima de nós, ambos mantêm costumes mundanos, escolhem ver o mundo como nós vemos, agem como um de nós e nos fazem enxergá-los como nossos iguais. São deuses mundanos.

Se você quer saber minha opinião futebolística: a Copa do Mundo da Argentina é terrível! É um time que sofre para furar defesas adversárias e apresenta problemas sérios na transição defensiva. A de Messi, no entanto, é messiânica. Não consigo prever — nem duvidar — sobre quão longe esse senhor lendário de 39 anos conseguirá levar os pedreiros da Scaloneta. Mas uma coisa é fato: cada minuto extra dessa magia em campo é um presente para quem ama o futebol. Desfrutem, pois a história de Messi está chegando ao fim, e não haverá outro igual.

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