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My Hero Academia e Naruto estão entre os maiores sucessos do gênero shonen nas últimas décadas, mas, apesar da popularidade compartilhada, as duas obras apresentam universos bastante diferentes. Enquanto a série de Masashi Kishimoto explora um mundo de ninjas e jutsus, a criação de Kohei Horikoshi se concentra em jovens heróis tentando proteger o mundo contra vilões. Ainda assim, é comum que autores da Shonen Jump deixem escapar influências de outras obras, e no caso de Horikoshi, a admiração por Naruto acabou impactando sua forma de contar história.
Em uma conversa entre Horikoshi e Kishimoto, o autor de My Hero Academia admitiu que grande parte de sua inspiração veio da maneira como Naruto estruturava os painéis. Essa técnica diz respeito a como o mangaká guia os olhos do leitor pela página, alternando entre planos abertos e fechados para dar ritmo e intensidade às cenas de ação e emoção. Kishimoto, ao ler o trabalho de seu colega, afirmou ter notado imediatamente esse traço, citando como Horikoshi faz transições rápidas de planos gerais para closes dramáticos.

Um exemplo concreto citado pelo criador de My Hero Academia é a luta entre Bakugo e Deku no arco do Exame de Batalha, logo no começo do mangá, em que o herói explosivo encurrala o protagonista em um túnel. Horikoshi revelou que usou como referência direta uma passagem de Naruto em que Jiraiya enfrenta Itachi e Kisame dentro de uma estrutura semelhante, aproveitando o mesmo jogo de câmera nos quadros para manter clareza espacial e impacto visual.
Além disso, Horikoshi reconheceu que algumas influências surgiram de forma inconsciente. Ele comparou Aizawa, o Professor conhecido como Eraser Head, que anula poderes com o olhar, a Kakashi, cujo Sharingan concede habilidades únicas em batalha. A similaridade só ficou clara após a conversa com Kishimoto, e o autor acredita que isso se deve à forte presença de Naruto em sua juventude. Curiosamente, Kishimoto fez a mesma reflexão sobre seu próprio trabalho, reconhecendo paralelos não intencionais com Dragon Ball e a trajetória de Goku.
Esse diálogo entre autores mostra como grandes obras acabam servindo de alicerce para novos sucessos, mesmo que de forma sutil. Mais do que semelhanças superficiais, trata-se de uma troca de linguagem narrativa que mantém viva a tradição do mangá shonen, mas que também permite a cada criador imprimir sua marca pessoal.
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O anime de My Hero Academia será concluído ainda este ano, marcando o fim definitivo da saga nas telinhas. A série está disponível nas plataformas Crunchyroll e Netflix. Já o mangá completo pode ser lido via Manga Plus, em inglês, e pela Panini no Brasil.
Fonte: GameRant