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Para evitar spoilers, mas ainda assim apresentar a arte, nem todas as páginas desta resenha são do volume 1

Lançado originalmente em 1970 e finalizado 6 anos depois, o mangá Lobo Solitário (Kozure Okami no original em japonês) foi uma dessas obras a alcançar tanto sucesso que continua sendo relançada, vendida e servindo de base para inspirações mesmo mais de 40 anos após o seu término. De fama mundial, a saga do samurai do roteirista Kazuo Koike e do artista Goseki Kojima, deu origem a seis filmes, quatro peças e uma série de televisão, além de inspirar o cartoon samurai Jack e vários escritores, entre eles Frank Miller, que revolucionou o modelo de quadrinhos americanos com o seu “Ronin”. Não é para menos. A obra entra com facilidade em qualquer top 10 de respeito no que se refere a revistas japonesas, e possui uma qualidade narrativa, gráfica e cultural que se equipara, talvez até mesmo exceda por pouco, o cultuado Vagabond.

No fim dos anos 90, o próprio Koike viria a se basear em sua antiga obra, criando uma sequencia direta que ficou conhecida no ocidente como Novo Lobo Solitário, título que a Editora Panini está lançando paralelo com a republicação do material de origem. Com a morte de Goseki Kojima, seu parceiro em várias obras que retratam o Japão feudal da era Edo, com seus samurais, assassinos, castas sociais e sutilezas culturais, acabou ficando para Hideki Mori a pressão de assumir a arte tão característica de Kojima. A mudança acaba causando preocupações imediatas. Uma continuação de uma obra tão clássica, e ainda com outro artista acaba trazendo aquela inquietação de “será que ele estará a altura?”. No entanto, o fraco de Novo Lobo Solitário acaba não sendo a arte de Mori, mas o próprio roteiro do criador original, Kazuo Koike.

Isso não é o mesmo que dizer que a obra é ruim. A principal característica de Novo Lobo Solitário é que ele depende tanto de seu antecessor que é impossível separar as duas obras e tratar cada uma delas individualmente. A continuação começa poucos horas depois do original, tomando tempo para deixar claro todo o desfecho dos 28 volumes de Lobo Solitário. Se por um lado isso tem o papel de deixar claro que uma história acabou e outra está para começar, também cria um elo inseparável entre as duas obras. E nessa junção, Novo Lobo Solitário acaba tirando a sorte menor.

Apesar de começar bem, prometendo uma história interessante também pautada nos valores dos samurais e ainda mais embrenhada nas tramoias da época, nem de longe tem a força dos primeiros capítulos de sua antecessora. No Lobo Solitário original o leitor é apresentado a uma figura misteriosa que anda com o seu filho, vendo os seus feitos em diferentes lugares e diferentes assassinatos antes de ser introduzido à trama e os motivos para que pai e filho trilhem o meifumadou, a estrada dos assassinos. Se Lobo Solitário começa com uma narrativa episódica, mostrando quase contos, histórias curtas sobre o personagem e seu filho, para só então começar a uma narrativa mais linear e se voltar também para o lado do antagonista, Novo Lobo Solitário faz diferente, já começando com um ritmo mais tradicional.

Isso não seria problema algum, principalmente se tratando de uma continuação. O problema é que o argumento dessa nova história é muito mais vago, e muito mais fraco do que a proposta da revista original. Além disso, o formato mais voltado para o progresso dos personagens – e também dos novos vilões, a família de espiões do Shogun – acaba tornando mais complicado aquelas histórias focadas em mostrar as hipocrisias e idiossincrasias da sociedade samurai, que são tão exploradas no início de Lobo Solitário. Não é que seja uma trama ruim, pelo contrário, começa interessante e promete bastante, mas parece ter muito menos identidade do que original. Lobo Solitário tinha um sabor muito mais único. Em seu primeiro volume Novo Lobo Solitário não consegue nem reproduzir esse sabor e nem criar um novo “prato da casa”.

Mas Koike não perdeu a mão em tudo. Se a história e a narrativa são um pouco mais fracas, os personagens são tão bons quanto. Ao longo das páginas, a caracterização de Daigoro é tão boa, se não melhor, do que a da obra anterior. O novo vilão (ou vilã?) principal acaba ficando bem abaixo do velho Yagiu, tão imponente e ameaçador, mas deixando de lado as comparações, é bem apresentada e demonstra muito potencial. Mas quem rouba realmente a cena é Togo Shigetaka, um novo samurai apresentado na história, cujo conceito e personalidade funcionam muito bem à história e trazem toda uma nova visão do “ser samurai”.

E todos eles ficam muito bem nos traços de Hideki Mori. O novo artista usa técnicas semelhantes ao finado Kojima, se valendo do naquim para criar personagens e cenários muito belos. No entanto, ele não busca emular o estilo do outro, e são bem distintas as artes do Novo e do velho Lobo Solitário. Talvez a arte de Kojima tenha tido um algo a mais, uma personalidade maior devido a um traço mais irregular, mais antigo e mais simples nas figuras humanas. Mori, contudo, traz um realismo maior aos personagens, criando cenas de luta que, embora mais estáticas e menos dinâmicas, acabam sendo fenomenais. Suas paisagens são boas. Mas nesse quesito, o primeiro volume de Novo Lobo Solitário não lhe dá muitas oportunidades.

A nova jornada está apenas começando, a é pouca a variação de cenário que acontece. Mas do que se pode ver, à sua maneira, ele é tão bom quanto fora Kojima, muito elogiado pelas suas representações de conhecidos panoramas japoneses. Infelizmente, se Kojima sempre buscava colocar o background em seus quadros, ou pelo menos criar alguma emoção com o pano de fundo, o novo artista omite muito mais isso em seus quadros, se focando muito mais nos personagens. Quando ele se dedica a desenhar as paisagens, ou apresentar elementos imagéticos e “metafóricos” da cena, ele se sai muito bem e cria composições bastante satisfatórias e muito bem desenhadas.

Novo Lobo Solitário pode não está no mesmo patamar do que seu clássico antecessor. No entanto, é uma obra bem feita e um bom mangá sobre o tema que se propõe a apresentar: histórias de samurais no Japão feudal. Sua leitura acaba ficando apenas para os que já leram toda a saga do Novo Solitário ou para aqueles que não se importam com o spoilers. Não se preocupando em esconder o desfecho do história anterior, até trazendo flashbacks de seus últimos acontecimentos, pode estragar a experiência de quem quer ler a história original em primeira mão. De uma forma ou de outra, é uma obra que vale a pena. E para os que gostam do gênero, pode ser uma boa ideia comprar agora para no futuro não se esbarrar com uma palavra que amedronta todos os colecionadores: Esgotado.

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