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Em 2018 chegou aos cinemas Homem-Aranha no Aranhaverso, um filme animado que não apenas foi aclamado por público e crítica, como também venceu o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Animação.

A ideia, inspirada numa saga dos quadrinhos, foi tão bem recebida que os fãs começaram a questionar: e se algo assim pudesse acontecer também com as versões live-action dos personagens? E… bem, daí em diante começaram a pipocar os rumores de que o terceiro filme do Homem-Aranha de Tom Holland trará o multiverso e contará com outras versões do herói-aracnídeo no cinema, como a dos atores Andrew Garfield e Tobey Maguire.

E quem já terminou a primeira temporada de Loki sabe que o caminho para isso já foi pavimentado, e que o futuro do MCU será realmente multiversal. Mas afinal, como é o Aranhaverso nos quadrinhos? O que acontece nessa saga que já gerou um filme animado e agora parece estar migrando para o MCU? É sobre isso que vamos falar aqui.

Então vamos lá, o que é exatamente o “Aranhaverso“, e como ele surgiu? Bem, não é segredo para ninguém que o Homem-Aranha, assim como diversos outros heróis populares, possui dezenas de versões que foram se acumulando ao longo dos anos, não apenas nos quadrinhos, mas nas mais diversas mídias.

Foi então que, em 2015, o roteirista Dan Slott, que na época era o responsável pela revista principal do herói aracnídeo (onde ficou por longos 10 anos) decidiu que seria uma boa ideia usar todo o seu amplo conhecimento da mitologia do Homem-Aranha para simplesmente reunir TODAS as versões existentes do herói, em uma trama multiversal.

Uma ideia ousada? Sem sombra de dúvidas. Mas não para o cara que já tinha dado poderes de aranha para toda Nova York em “Ilha das Aranhas” e que tinha feito o Doutor Octopus trocar de corpo com Peter Parker na super criativa fase “Homem-Aranha Superior“. Ambas ideias aparentemente bizarras, mas que tiverem uma ótima execução. Então fica bem claro porque a Marvel aprovou sem pestanejar a ideia do Aranhaverso.

Antes de qualquer coisa, vamos deixar algo claro: Dan Slott é um grande fã do Homem-Aranha e, sinceramente, duvido que exista hoje alguém na indústria que conheça com tanta profundidade o universo aracnídeo. E isso foi algo crucial para que Aranhaverso funcionasse, com cada versão do Homem-Aranha tendo sua própria voz e background.

E estamos falando aqui de MUITOS Homens-Aranha, o que engloba até mesmo o Aranha japonês da série da década de 70 e o antropomórfico Porco-Aranha, além é claro de alguns originais como o Homem-Aranha Punk e a Spider-Gwen, que foi extremamente bem recebida e, não à toa, recebe papel de destaque na animação Homem-Aranha no Aranhaverso.

Como base para sua história, Slott usa um conceito inserido por J. Michael Strackynzki quando o escritor escreveu as histórias do Homem-Aranha mais de 15 anos atrás: a ideia de que os dons de heróis (e vilões) que usam animais como representação de seus poderes advém de um “totem” relacionado àquele animal. No caso de Peter Parker, obviamente, a aranha. Foi durante essa fase que tivemos a chegada do vilão Morlun, uma espécie de vampiro cósmico que se alimenta da “energia totêmica” dos seres ligados a animais.

Slott resgata Morlun para sua história, mas agora com uma família inteira de vampiros, e viajando por dimensões para drenar a vida do máximo possível de Homens-Aranha. Até que os heróis dessas dimensões decidem se unir para enfrentar a ameaça de uma vez por todas. Quem leu a fase do Aranha pelo Straczynski e conferiu os dois encontros anteriores de Peter Parker com Morlun, sabe o terror que esse inimigo causa, e que para enfrentar uma família inteira de seres como aquele, só mesmo com um número grande de Homens-Aranha. A ideia da ameaça é boa, pois é a única que justificaria a necessidade de reunião de tantos aracnídeos

Sendo uma saga multiversal, com uma família de vilões e uma gama enorme de versões do Homem-Aranha, o todo do Aranhaverso precisou reverberar para outros títulos, mostrando as missões dos diferentes Aranhas pelas linhas temporais. Aranha Escarlate, Mulher-Aranha e Homem-Aranha 2099 foram alguns dos outros títulos envolvidos, contando com roteiristas como Peter David, Mike Costa e Dennis Hopeless.

Infelizmente, e curiosamente, o maior trunfo de Aranhaverso é também o seu maior problema. A saga é muito satisfatória em trabalhar cada um dos Homens-Aranha, e é muito divertido ver como se relacionam – um verdadeiro presente para um fã do personagem. No entanto, o excesso de fanservice e demonstração de conhecimento de Slott da mitologia é, dessa vez, talvez o único ponto a se destacar. A história é divertida e tem bons momentos, mas parece que não houve muita dedicação na trama.

Felizmente, a animação Homem-Aranha no Aranhaverso parece ter arranjado um jeito um pouco mais criativo e com mais coração para usar esse tema, reduzindo o número de Homens-Aranha e dando destaque principalmente à relação de dois deles: Peter Parker e Miles Morales.

Isso, aliás, vem de um outro excelente quadrinho que, assim como Aranhaverso, foi usado como base para o filme animado: Homens-Aranha, de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli. Mas falo sobre isso em outro momento.

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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