Após muitos rumores, O Auto da Compadecida teve a produção de sua sequência confirmada pela colunista do O Globo, Patrícia Kogut.
Isso deixou parte dos fãs muito preocupados, pois a peça original de Ariano Suassuna não tem sequência, o que evidentemente levanta dúvidas sobre que tipo de história o novo filme vai contar.
Porém, por mais que a obra original seja completa, existem sim oportunidades de ela continuar, como discorrido logo a seguir.
Vai sair mesmo?

Bem, só que nunca leu a coluna “10 e 0 da Kogut” que não sabe o quanto ela é uma jornalista confiável no que se refere a bastidores da TV brasileira. Mas além do confiável relato dela, existiram também algumas evidências deixadas por pessoas que andaram falando mais do que deveriam.
Uma delas, aleatoriamente, que chegou a vazar o desenvolvimento da sequência, foi o atual Ministro de Portos e Aeroportos do Brasil, Márcio França, que disse durante participação no podcast Avesso, em maio de 2022, que o próprio neto de Ariano Suassuna lhe deu a informação que o filme já tinha recebido o aval da Globo.
Isso praticamente confirma que família de Ariano está ciente sobre a sequência, e sugere fortemente até que esteja envolvida no desenvolvimento dela.
Outro evento que “entregou” o segredo sobre a sequência aconteceu no começo deste ano, quando Virginia Cavendish, intérprete de Rosinha na franquia, chegou a anunciar a produção do novo filme em sua conta no Twitter, e voltou atrás logo depois, alegando que tinha apenas sonhado que iria fazer O Auto da Compadecida 2.
“Gente, estava me coçando aqui há muito tempo para dar essa notícia para vocês. Mas não podia. Hoje, finalmente, o chefe me liberou. Pra mim, é uma alegria e emoção enorme! Quem vai assistir o Auto da Compadecida 2? Viva o cinema brasileiro!” Escreveu Cavendish em um Tweet já apagado;
“Gente, apaguei o tweeter do Auto!! Era brincadeira, na verdade um sonho que tive. Desculpa!!! Todo mundo ficou tão feliz!! No fakenews né? Mas sonho pode?? Desculpemmmm.” Publicou a atriz logo depois.
Enfim, as conversas pela sequência vem acontecendo há um tempo, e agora, como Patrícia Kogut bem relatou, ela deve finalmente começar sua produção em meados de julho.
Quais histórias a sequência pode contar?

Na participação no podcast Avesso, Márcio França chegou a citar a sequência como “uma parte 2” da história de Ariano, o que sugere que não vai ter passado muito tempo entre um filme e outro.
Nesse caso, a história pode seguir rumos interessantes de ganchos que o filme original deixa, como o do destino de João Grilo, Chicó e Rosinha, que partem em uma jornada para o desconhecido logo após Major Antônio Morais botar sua filha para fora de casa.
O mais interessante falando em dinâmica narrativa, é ver como a adição de Rosinha no centro da história vai mudar João Grilo e Chicó como personagens. Afinal, já tivemos uma prévia disso na cena em que o trio interage com Jesus Cristo/Emanuel.
João Grilo mesmo, vai ter que aumentar ainda mais a sua sabedoria, tendo em vista que corre risco de perder a segunda chance que Nossa Senhora deu, não só por manter seu estilo malandro, como também pelo “Cabra“, capanga do cangaceiro Severino, ter terminado a adaptação de Guel Arraes vivo.
Se você lembra do filme/série original, sabe que um reencontro entre o personagem de Matheus Nachtergaele e o capanga de Severino certamente não seria nada amigável, tendo em vista que João Grilo foi responsável pela morte do capitão dos cangaceiros.
Aliás, além dos cangaceiros, o Diabo em pessoa também pode ser uma grande ameaça a João Grilo, pois ele não ficou muito feliz de ter sido passado para trás no julgamento do ato final.
Além desses ganchos que a adaptação de O Auto da Compadecida de Arraes deixa para a sequência, certamente seria divertido reencontrar personagens fabulosos dessa história, como Cabo Setenta e Vicentão.
No mais, o que é certo é que podemos esperar muitas novas mentiras de Chicó, bem como armações ainda mais mirabolantes de João Grilo.
Como vão manter o estilo narrativo sem Ariano Suassuna?

Certamente, um dos grandes méritos de O Auto da Compadecida é ter um bom grau de fidelidade ao texto de Ariano Suassuna, o que deixa a preocupação de se a sequência vai conseguir manter isso sem mais material para adaptar.
A verdade é que, existe material de Ariano para ser adaptado sim, mas não da peça que dá origem ao filme.
A própria adaptação feita por Guel Arraes usa do artifício de incorporar alguns elementos de outras peças de teatro do autor paraibano (de nascimento)/pernambucano (de coração) à sua história, como O Santo e a Porca e Tortura de um Coração.
Essas obras, por exemplo, resultam nas adições de Rosinha, Cabo Setenta e Vicentão à adaptação. Sim, eles não estão na peça que dá origem à série/filme.
Além disso, algumas passagens do clássico Decamerão, de Giovanni Boccaccio, também servem de complemento para o roteiro da série lançada em 1999.
Tudo isso aconteceu sob aval de Ariano, que concordou com a inclusão dessas histórias e personagens em O Auto da Compadecida, por achar que combinavam com o estilo narrativo popular de sua obra.
Sendo assim, é muito provável que o mesmo aconteça na sequência, com obras como O Castigo da Soberba e A Pena e a Lei sendo exploradas.
Além dessas, tem A Farsa da Boa Preguiça, a peça favorita de Ariano, que tem muitos elementos cômicos que podem facilmente serem exportados para O Auto da Compadecida 2, além de ter na história da relação do preguiçoso poeta Joaquim Simão com sua esposa, algo que pode inspirar os próximos passos de Chicó e Rosinha.
Aliás, as próprias histórias de Ariano Suassuna podem inspirar o roteiro da sequência. Afinal, o próprio chegou a dizer que se identificava bastante com Chicó no quesito de gostar de mentir.
Quase existiu uma série derivada de João Grilo e Chicó

A sequência de O Auto da Compadecida quase aconteceu muito antes, como Guel Arraes disse para o UOL em dezembro de 2019.
Na ocasião, falando com Cristina Padiglione e Mauricio Stycer, o diretor e roteirista revelou ter escrito o roteiro de um piloto para uma série chamada As Peripécias de João Grilo e Chicó, que acabou nunca vendo a luz do dia, pois ele acreditava que só valeria a pena continuar a história de Ariano Suassuna em uma coisa mais ambiciosa.
“Chegamos a escrever um piloto. Era muito engraçado. Só que não tinha essa dimensão. Era mais uma comédia regional. Era uma coisa fácil de fazer. A gente ia ganhar dinheiro. Mas não levamos adiante. Para honrar esse legado tinha que ser uma coisa mais ambiciosa.” Arraes.
Bem, parece que ele finalmente achou a tal coisa ambiciosa que justifica a sequência.
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De acordo com Patrícia Kogut, O Auto da Compadecida 2 vai contar com retorno de membros do elenco original.
Além disso, a jornalista disse que existe uma grande possibilidade de a sequência virar uma série da Globo depois de ser exibida nos cinemas. O que configuraria o caminho inverso da adaptação de 1999, que foi exibida primeiro na TV.
Assim como no primeiro O Auto da Compadecida, Guel Arraes (Lisbela e o Prisioneiro) assina como roteirista e diretor da sequência, só que desta vez ao lado da diretora Flávia Lacerda (Medida Provisória).






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