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Está oficialmente confirmado que Naruto vai ganhar uma adaptação de filme live-action, o que deixou alguns fãs alegres e outros com incerteza. Essa dúvida entre o público é compreensível visto que só tem dois caminhos para esse filme: outra falha de Hollywood em tentar adaptar animes para o cinema ou um filme inovador e que seja fiel a obra de Masashi Kishimoto.

O live-action de Naruto, que será produzido pela Lionsgate, foi anunciado em 2015, mas, nos últimos anos, não tivemos quase nenhuma atualização sobre as gravações, elenco e lançamento do filme. Depois de 8 anos, descobrimos que o projeto ainda está em andamento devido ao anúncio da Variety, que revelou o nome de Tasha Huo como uma das roteiristas do filme.

Ainda não sabemos quase nada sobre o filme, mas esse anúncio serviu para nos mostrar que ele vai acontecer em algum momento. Será que o live-action de Naruto será mais uma decepção como Dragon Ball Evolution ou uma boa adaptação como One Piece: A Série da Netflix?

A maldição dos live-actions de anime

Todos que cresceram assistindo animes clássicos como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Death Note e Yu Yu Hakusho já devem ter assistido suas adaptações de live-action que decepcionaram muito os fãs. O mais famoso entre eles provavelmente é Dragon Ball Evolution, que iniciou essa fama de que toda adaptação live-action de anime é ruim.

Um dos maiores motivos para adaptações como Dragon Ball Evolution falhar é a tentativa de Hollywood de americanizar a história original do anime/mangá. Por exemplo, Goku, que é conhecido como um garoto das montanhas, inocente e apaixonado por lutas na obra original de Akira Toriyama, virou um típico adolesce dos filmes americanos que vai ao ensino médio e se apaixona pela garota popular.

O mesmo aconteceu no live-action de Death Note da Netflix, onde o brilhante e estrategista Light Yagami virou um garoto ingênuo e facilmente manipulado. Outro fator que pode estragar a adaptação de um anime é deixar o projeto responsável por pessoas que não sabem absolutamente nada sobre a obra original e produzem o filme sem pesquisar a respeito.

Esse foi o caso de Os Cavaleiros do Zodíaco: O Começo, parece que o diretor e os roteiristas do filme usaram o anime CGI de 2019 como inspiração ao invés da história original de Masami Kurumada, porque a trama do filme segue uma linha bem similar a animação mais americanizada.

Obviamente, alterações são necessárias em uma adaptação live-action de animes japoneses para criar um filme com público amplo, e não algo específico só para os fãs do anime.

Fazer um live-action realmente bom de anime é muito mais complicado do que aparenta, seria necessário fazer alterações sem perder a essência da obra original, criar um roteiro para um público amplo e levar os fãs do anime ou mangá em consideração e equilibrar tudo isso em um único prato.

Essa fama de maldição não se aplica somente aos filmes de Hollywood, ela também engloba os live-actions japoneses. Muitas pessoas do ocidente debocham dos live-actions japoneses de anime, dizendo que a qualidade do filme é ruim, os efeitos especiais não são nada demais e os figurinos parecem mais cosplays baratos.

Existem filmes live-actions baseados em obras japonesas que até ganharam críticas positivas como No Limite do Amanhã, Alita: Anjo de Batalha e Pokémon: Detetive Pikachu. Além disso, também há live-actions japoneses bem elogiados como os filmes de Samurai X e os de Death Note.

Por outro lado, a fama da maldição cai mais forte nas adaptações americanas de animes shounen porque o público já é mais exigente e quer ver batalhas, personagens e efeitos de poder igual ao anime. Como os piores filmes ficaram mais famosos nesse meio, quase todo mundo perdeu as esperanças de que Naruto ou qualquer anime poderia ter um destino diferente em um live-action.

A Netflix começou a mudar esse ponto de vista com a série de One Piece, que se tornou um sucesso mundial. Atualmente, a Netflix está investindo bastante em séries de anime, sua primeira tentativa foi Cowboy Bebop, que foi cancelada na primeira temporada, depois fizeram uma grande aposta em One Piece.

Desde que anunciaram uma série de One Piece, todos os fãs acharam que seria só mais um live-action fracassado. Ninguém achou que era possível trazer o estilo fantasioso e caricato do mangá de Eiichiro Oda para uma versão realista, então era muito difícil criar expectativas positivas.

O próprio Oda mandou mensagens para dizer que ele está totalmente envolvido no projeto com a Netflix para criar uma série fiel ao seu mangá, o que incentivou os fãs a terem mais esperança. Como resultado, eles entregaram algo que parecia impossível, um live-action de anime realmente bom e que agradou os dois públicos, os fãs do mangá e o público amplo que não sabe nada sobre a história.

O sucesso de One Piece mostrou que é possível fazer live-actions bons de animes, mas isso é resultado da soma de vários fatores que a maioria das obras japonesas não teve a sorte de ter. Nesse sentido, Naruto pode ter um bom filme dependendo das circunstâncias de sua produção.

O que seria preciso para Naruto ter uma boa adaptação live-action?

Reprodução: Internet

Algo que foi fundamental para o sucesso de One Piece: A Série foi deixar o projeto responsável por profissionais que são realmente apaixonados pelo mangá e o grande investimento financeiro da Netflix. O showrunner e os atores principais da série afirmam que são fãs de One Piece, por isso eles deram o seu melhor para tornar esse sucesso global possível.

O resultado poderia ser completamente diferente se o projeto tivesse caído nas mãos de alguém que não é fã de One Piece. Mesmo que diretores e roteiristas prestigiados e talentosos de Hollywood fiquem responsáveis por Naruto, seria difícil fazer um filme bom se os envolvidos não tiverem interesse em conhecer o mangá ou anime.

Algumas fontes dizem que Michael Gracey será o diretor e que a produção do filme será feita por Avi Arad. Entretanto, Michael já mencionou em uma entrevista para Collider em 2018 que não tem certeza se Naruto será o seu próximo filme, então pode acontecer uma mudança de diretor e produtor no futuro, como o caso da roteirista Tasha Huo, que substituiu Jonathan Levine.

Michael afirmou que, se for dirigir o filme, ele quer que Masashi Kishimoto esteja envolvido no projeto porque ele tem um grande prestígio pelo mangá de Naruto. Tasha também diz que se inspira mais em seu trabalho quando escreve sobre personagens que ela adora como fã.

Então talvez o filme esteja em boas mãos, se essa equipe tiver uma paixão genuína pelo mangá ou, pelo menos, estudá-lo a fundo como base para o roteiro. Além disso, as exigências para coreografias de lutas e efeitos visuais vão ser grandes, já que ação e poder são fatores indispensáveis para Naruto.

Adaptar os arcos como filmes também seria uma tarefa desafiadora. Diferente das séries, o filme tem um tempo curto e limitado, o que é um problema para uma série tão longa como Naruto.

O arco do Zabuza ou do Exame Chunin sozinhos já dariam um filme completo, então o ritmo do filme pode ser muito acelerado e cortar coisas essenciais se optarem por adaptar mais de um arco de uma vez só. Uma franquia de vários filmes poderia facilitar esse planejamento, mas é provável que eles comecem apenas com um filme para ver o alcance de audiência.

Cenas como Kakashi atacando Naruto com o Jutsu “Mil Anos de Morte” nunca dariam certo em um filme americano, o mínimo exigido seria manter as ideias como selos de mão e técnicas ninja para demonstrar o potencial da ação que esse universo tem a oferecer.

É difícil imaginar como eles podem fazer esse projeto dar certo devido às questões de tempo, alterações e efeitos, mas Naruto pode ser a grande prova de que também é possível fazer bons filmes live-actions de animes, além de séries. Só podemos esperar que os responsáveis pela produção superem esses desafios para não entregarem um novo Dragon Ball Evolution.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.