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O Mercado Nacional de RPG em 2015 – Lançamentos, Pré-vendas e Financiamentos

 

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Mesmo sem ter uma revista regular publicada nas bancas, como era a Dragão Brasil, e também não ver por algum tempo a publicação de sistemas/cenários famosos no Brasil, como Dungeons and Dragons, Mundo das Trevas e GURPS, o RPG tem mostrado um crescimento e uma variedade que antes não acontecia no país.

Por algum tempo foi uma opinião bastante difundida a ideia de que o RPG estava morrendo no país. As publicações eram poucas, o público parecia não crescer como antes e os jogos de dados e papel pareciam estar perdendo sua luta contra os jogos digitais. Claro que mesmo assim existia movimento. A Devir publicou títulos do Novo Mundo das Trevas e de D&D 4.0 anos atrás e a Jambô, nacionais e internacionais com certa regularidade. Ainda assim, era praticamente só isso e as coisas pareciam um tanto quanto paradas, avançando muito lentamente, se realmente estivessem avançando. A diversidade dos títulos era pouca e havia inúmeros RPGs interessantes e até mesmo famosos que não podiam ser esperados pelo público..

No entanto, já fazem uns cinco anos que este cenário começou a mudar. 2011 viu o surgimento de editoras indies como a Redbox – que publica o jogo nacional Old Dragon – e a Retropunk, e nos anos que se seguiram vieram a New Order e a Pensamento Coletivo, entre outras. Além destas novas editoras, a popularização de plataformas de financiamento coletivo, como o Catarse e o Kickante, trouxeram novas possibilidades de publicação e divulgação que foram vitais para a validação de certos projetos e até mesmo para a existência de algumas editoras.

Essas novidades acabaram esquentando o cenário RPGístico, tanto em termos de movimento nas redes sociais, quanto na criação de eventos e publicação e produção nacionais. O que culminou em 2015, um ano que viu a movimentação de mais de 20 livros de RPG dos mais diversos sistemas e cenários.

Abaixo, segue a lista destes materiais, que contam com criações nacionais, internacionais e tanto obras famosas quanto menos conhecidas. Ela serve para mostrar as novas possibilidades que o mercado nacional de RPG vem trazendo e a força que este hobby vem ganhando. Nela não estão apenas títulos que foram de fato lançados e entregues, mas que também os que geraram movimento no cenário do RPG com pré-vendas, segundas edições, relançamentos e financiamentos coletivos.

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Lenda dos Cinco Anéis

 

Já houve outras tentativas de se publicar Lenda dos Cinco Anéis no Brasil, mas foi em 2015, através da New Order Editora, que este RPG de temática oriental finalmente chegou ao país. L5A, como é abreviado, apresenta o Império de Rokugan, uma nação governada por um imperador que descende dos deuses e servido pelos Clãs Maiores, famílias de samurai que descendem dos fundadores de Rokugan.

Este livro traz um conjunto de regras bastante letal, onde a morte é algo frequente para os samurais; neste mundo de mestres espadachins, monges, espíritos e onis, a intriga e a dissimulação podem matar tanto quanto a espada.

Lenda dos Cinco Anéis busca mostrar um mundo com uma sociedade muito diferente da ocidental, com regras de etiqueta e hierarquia próprias, onde o menor erro pode trazer desonra e a obrigação de suicidar-se para limpar o nome da família. O cenário do jogo é apropriado tanto para histórias de investigação, intriga quanto para as que se propõe a contar jornadas e aventuras épicas recheadas de guerra.

Lenda dos Cinco Anéis tem por volta de 400 páginas e foi publicado pela New Order Editora em formato físico e digital.

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Inimigos do Império

 

O primeiro suplemento de Lenda dos Cinco Anéis a ser lançado no Brasil, Inimigos do Império funciona como uma espécie de bestiário, trazendo informações e estatísticas de diversos onis, espíritos, bandidos, mortos-vivos e outros tipos de ameaças para os samurais de Rokugan.

Apesar do paralelo óbvio com o Manual dos Monstros de D&D, Inimigos do Império vai além de simplesmente enumerar uma série de inimigos para os jogadores. Cada capítulo do livro é focado em um tipo diferente de criatura, adversário ou organização e em geral a maior parte do conteúdo se dedica a explicar sua história, conceito e funcionamento. Servindo, portanto, como um complemento para a história do mundo que é apresentada no livro básico.

O livro também traz muito conteúdo para personagens dos jogadores, como vantagens, desvantagens e magias novas. Mas a maior parte do material é realmente voltada para o mestre, e as informações sobre o mundo de Lenda dos Cinco Anéis e a história do cenário acrescentam bastante ao que é mostrado no livro básico.

Inimigos do Império possuirá cerca de  290 páginas e até a publicação desta matéria ainda não foi lançado, sua pré-venda foi realizada no fim de 2015 pela New Order Editora e a previsão é que seja entregue em março ou abril. No blog Dados Malditos é possível encontrar um resumo do conteúdo da obra.

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Fate

 

Financiado através do Catarse, a quarta edição de Fate foi lançada no Brasil pela Solar apenas dois anos após ter sido publicado no exterior. Este é um sistema genérico que tem feito muito sucesso no mundo do RPG. Altamente customizável, Fate não se prende muito a regras rígidas e dá bastante atenção à criação conjunta entre mestre e jogadores.

O sistema não se prende a atributos genéricos e abstratos, ao invés disso, seu sistema de criação de personagem se foca em descrição de características e capacidades, que podem ser usadas de diversas formas durante o jogo. Pode ser jogado em qualquer tipo de ambientação, seja medieval, moderna, futurista ou qualquer outra coisa, apresentando, inclusive, regras para se construir um cenário junto com os jogadores em apenas uma sessão de jogo.

Fate tem cerca de 300 páginas e teve seu financiamento coletivo realizado pela Solar – Jogos e Entretenimento, conseguindo 198% da verba necessária para que fosse bem sucedido. O material já foi entregue aos financiadores.

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Cachorros Samurai

Em Cachorros Samurai é apresentado um mundo de fantasia oriental baseado no Japão onde não existem humanos, mas sim animais falantes, sendo os cães em sua maioria samurais e os gatos ocupando o papel dos ninjas. Nessa ambientação, os jogadores precisam lidar com a natureza canina dos personagens e toda a filosofia nipônica de honra e disciplina.

O sistema de regras de Cachorros Samurai é minimalista, mas utiliza mecânicas com características da filosofia oriental e também do lado canino, por exemplo, premiando os jogadores com biscoitos que podem ser utilizados para criar situações de heroísmo para seus samurais.

Cachorros Samurai tem 84 páginas e foi publicado em formato físico pela Pensamento Coletivo e desenvolvido pelos estúdios brasileiros Inseto Vermelho e House Rules. A versão digital do jogo é gratuita e pode ser encontrada no site do Inseto Vermelho.

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Blood & Honor

 

Continuando com a temática oriental, Blood & Honor, republicado em 2015 pela Redbox, busca oferecer meios para que narrador e jogadores criem histórias de tragédia samurai. Ambientado no Japão pré batalha de Sekigahara, este RPG é completamente voltado para uma criação compartilhada de histórias. Nele, o mestre precisa apenas definir as aventuras de forma geral, pois ao invés de fazer testes para serem bem sucedidos ou não, os jogadores fazem testes para determinar se irão narrar ou não algum acontecimento, podendo inclusive acrescentar detalhes significativos nas cenas e até nas motivações de personagens do mestre.

Em Blood & Honor, o Clã a que os jogadores pertencem também é criado por eles e é mais importante que os próprios personagens; com regras para passagem das estações e dos anos, o Clã pode ter tempos de guerra, paz, melhorar suas províncias e conquistar inimigos. Enquanto personagens morrem, e basta um golpe de katana para que isso aconteça, o Clã permanece.

Blood & Honor tem 188 páginas e é publicado pela editora Redbox. O título já havia sido lançado no Brasil, no entanto, estava esgotado e foi republicado em 2015 em formato físico e digital.

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Jadepunk

 

Utilizando regras baseadas no sistema de Fate, Jadepunk se foca na cidade de Kausao, que mistura a estética e mitos orientais com elementos e noções do gênero steampunk. Na cidade, a tecnologia possui muitos paralelos com os dias atuais, mas sempre apresentando paradoxos e se e possuindo um clima de antiguidade.

No jogo, quando refinada, a jade possui propriedades místicas baseadas em sua cor, e é utilizada em conjunto com a ciência para se criar coisas fantásticas e grandiosas. Navios voam com a ajuda da jade branca, arranha-céus são construídos com o auxílio da jade verde e a jade azul é utilizada pela elite por suas propriedades medicinais.

Claro que, sendo baseado no steampunk, esse RPG apresenta uma grande disparidade econômica e social e, por isso, a mistura de diversas culturas que é Kausao possui ricos que pouco se importam com quem está abaixo deles e um governador corrupto que se vale de corporações malignas para se aproveitar de uma massa trabalhadora completamente descartável. Neste situação, claro, os personagens dos jogadores se erguem para lutar contra o establishment usando jadetecnologia e recursos da Jianghu, a rebelião.

Jadepunk tem 160 páginas e foi publicado pela Pensamento Coletivo em formato físico e digital.

 

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Pathfinder

 

Um dos sistemas que mais faz sucesso no mundo, Pathfinder é conhecido também como o D&D 3.75, por trazer uma nova abordagem para o D&D, sem aderir às mudanças da quarta edição. Em um livro com mais de 500 páginas e ricamente ilustrado, Pathfinder modifica e atualiza várias regras de Dungeons and Dragons sem tornar o sistema irreconhecível. Uma das mudanças mais notáveis é a progressão dos níveis das classes, que, diferente da edição 3.5, ganham habilidades e recursos a cada nível conquistado.

Este RPG já teve inúmeras publicações no exterior desde 2009, quando foi lançado, incluindo os adventures paths, campanhas modulares em seis episódios que levam os personagens até níveis altos, que se tornaram bastante famosas. Além disso, Pathfinder possui um cenário próprio de fantasia medieval, Golarion, que com o tempo ficou tão conhecido e querido quanto o sistema de regras e ambientações antigas do D&D.

O Livro Básico de Pathfinder Roleplaying Game tem 576 páginas e foi publicado aqui pela Editora Devir.

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Ouça no Volume Máximo

 

Uma publicação 100% brasileira e com um conceito bem diferente do padrão, Ouça no Volume Máximo foi produzido pela editora Unza RPG e é vendido pela Redbox. Neste RPG minimalista, os jogadores assumem o papel de integrantes de uma banda famosíssima que voltam a se encontrar 15 anos após terem se separado. No jogo, essencialmente interpretativo e narrativista, os jogadores precisarão confrontar uns aos outros sobre as mágoas, arrependimentos e frustrações do passado, revivendo conflitos antigos no presente e, talvez, quem sabe, trazendo a oportunidade de começarem de novo.

Ouça no Volume Máximo possui um livro pequeno, de apenas 16 páginas, e que emula o encarte de um cd de música, além de trazer as regras do jogo, como cartas de memória, cartas de integrantes e cartas de disposição inicial.

Ouça no Volume Máximo possui 16 páginas, foi criado por Luiz Prado e publicado pera Unza RPG.

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Fronteira do Império

 

Star Wars já teve algumas encarnações no mundo do RPG, passando por diversos sistemas de regras. Fronteira do Império, a mais nova delas, utiliza um conjunto próprio de regras que se destaca pelos dados customizados que utiliza. Ao invés de números, esse jogo utiliza símbolos de sucesso, falha, vantagem e ameaça, entre outros. A proposta é que, a partir da interpretação dos símbolos nos dados, o mestre e os jogadores possam determinar rapidamente não só se o personagem foi bem sucedido no seu intento, mas também se ocorrem acontecimentos secundários, tanto para efeitos mecânicos quanto narrativos.

Outro diferencial de Fronteira do Império é que ele é um jogo extremamente focado em um aspecto do universo Star Wars: a vida e atribulações dos moradores da Orla Exterior. O objetivo deste RPG é jogar com aqueles que lidam com coisas um tanto quanto à margem da lei, como Han Solo, Boba Fet e outros contrabandistas, mercenários e caçadores de recompensas. O que significa que jedis, tão icônicos na saga de George Lucas, quase não são mencionados no livro. Mas, sendo tão característicos de Star Wars, a Força e seus usuários não deixam de ter espaço na obra e se algum jogador quiser, e o mestre permitir, poderá se descobrir um usuário da Força.

Fronteira do Império  tem 448 páginas e foi publicado pela Galápagos Jogos em 2015. A editora também publicou o escudo do mestre deste RPG.

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Tormenta RPG

 

Tormenta tem uma longa história no RPG brasileiro. Surgido em 1999 na Dragão Brasil, esse cenário nacional mistura elementos clássicos da fantasia medieval com ideias, personagens e climas de mangás e animações japonesas. Já faz alguns anos que essa versão do jogo foi publicada, mas 2015 recebeu a segunda impressão da edição revisada deste RPG. Inicialmente, o mundo Tormenta utilizava sistemas famosos como o D&D e o GURPS, passando depois de um tempo para o 3D&T. No entanto, Tormenta RPG, da mesma forma que o Pathfinder, modifica o D&D terceira edição para incluir classes, raças e um conjunto de regras mais apropriado ao mundo de Arton, onde as histórias são ambientadas.

Desde sua criação, o cenário de Tormenta ganhou várias histórias e passou por diversos sistemas de regras. Muitos RPGistas brasileiros conhecem os personagens e eventos que moldaram a história atual de Tormenta: personalidades como o Paladino e o Mestre Arsenal são velhos conhecidos no meio RPGístico, bem como a caçada aos Rubis da Virtude, que é contada na HQ Holy Avenger. Isso sem falar na Tormenta, a tempestade rubra e alienígena que contamina o mundo de Arton com loucura, destruição e demônios incompreensíveis.

Tormenta RPG tem 320 páginas e foi publicado pela Jambô Editora.

 

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O Desafio dos Deuses

 

Esta aventura para o cenário de Tormenta adapta o enredo do jogo digital homônimo para as mesas de RPG. Em O Desafio dos Deuses, Gatzvalith, o Lorde da Tormenta, sequestrou uma poderosa maga e pretende sacrificá-la em um ritual que espalhará a Tormenta em todo o continente.

Neste livro, mestres encontrarão todos os eventos, locações e monstros que aparecem no jogo eletrônico – o primeiro baseado em um RPG nacional – dispostos de forma a serem utilizados numa aventura ou pequena campanha.

Além disso, a publicação também conta com fichas e histórico dos protagonistas do jogo. Apesar da maior parte do conteúdo ser voltado para mestres dispostos a narrar a história de O Desafio dos Deuses, também é possível encontrar material para os jogadores: uma nova classe de prestígio e talentos emulando as habilidades e ataques da versão eletrônica.

O Desafio dos Deuses tem 48 páginas e foi publicado em formato físico e digital pela Jambô Editora.

 

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Manual do Malandro

 

Mais um livro para Tormenta RPG, o Manual do Malandro é um suplemento voltado para personagens que levam uma vida um tanto dúbia, indo de meros viajantes contadores de história, a fanfarrões e vigaristas.

O título é principalmente voltado para jogadores, que irão encontrar em seu conteúdo diversas novas opções para personagens que se valem da esperteza e da falsidade para realizar suas tarefas. É possível encontrar ao longo do livro novas classes para Tormenta RPG, como o Nobre e o Ninja, além de novas opções para classes já existentes.

Talentos, equipamentos e perícias, todos coisas muito importantes para este tipo de personagem, também recebem atenção no Manual do Malandro. Se aprofundando no tema, a obra também traz informações e descrições sobre guildas de ladões do mundo de Arton.

O Manual do Malandro tem 128 páginas e foi publicado em formato físico e digital pela Jambô Editora.

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13ª Era

 

Explorando bastante os arquétipos clássicos da fantasia medieval, 13ª Era é um sistema que mistura noções de duas edições bastantes distintas do Dungeons and Dragons: a terceira e a quarta. Em 13ª Era há um foco bastante nítido no heroísmo e também no lado épico da fantasia medieval. Para isso, uma das coisas que o RPG ignora é o costumeiro sistema de combate usando mapa e miniaturas, favorecendo resoluções mais dinâmicas e abstratas.

Este RPG também utiliza características narrativistas de jogos como Fate. Ao invés do sistema de perícias clássico de D&D, em 13ª Era o histórico dos personagens é utilizado como base, e os jogadores são encorajados a criar histórias para seu personagem, sobre como eles já tiveram que lidar com uma situação parecida no passado. Além disso, a ambientação de 13ª Era não é fixa, e o mundo em que as aventuras se passam é moldado no decorrer do jogo, com participação e influência dos jogadores.

Este RPG busca permitir aos jogadores criarem personagens únicos, e incentiva criações como um pirata imortal cuja alma é controlada por um dragão azul, ou o único cavaleiro halfling do Imperador.

13ª Era teve seu financiamento coletivo realizado pela New Order Editora e o livro, de cerca de 320 páginas, já foi entregue para os que apoiaram o projeto, portanto, estando disponível também na loja online da editora.

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Old Dragon

 

Mais um RPG nacional, Old Dragon é um sistema baseado em D&D que tem como proposta se afastar da terceira edição do jogo e se aproximar das versões mais clássicas do Dungeons & Dragons. Este RPG old school foi publicado em 2010 pela Redbox Editora, mas já existia de forma independente antes disto.

Diferente de outros sistemas considerados “retroclones” de D&D, os criadores de Old Dragon o consideram como um “retrogolem”, por não apenas tentar emular as edições antigas, mas sim construir algo novo com base em noções de mais de uma das velhas edições de D&D, ainda que mantendo o clima de velha guarda.

A Redbox permite, e incentiva, a criação de material para Old Dragon com base na Licença Open Dragon, sendo livres o desenvolvimento, publicação e compartilhamento de material baseado no sistema desde que se credite os autores e a obra original. Devido a isso, mais de uma editora brasileira já publicou suplementos e aventuras compatíveis com o Old Dragon.

A caixa básica de Old Dragon, que contém o livro básico do sistema, dados, fichas prontas, escudo do mestre e outros acessórios, foi relançada em 2015 pela Redbox Editora.

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Guia de Armadilhas

Armadilhas sempre foram um elemento muito presente em jogos de fantasia medieval e fundamentais para aventuras passadas em masmorras. Este suplemento para o sistema Old Dragon busca lidar com o tema e traz uma lista de mais de 100 armadilhas que o mestre pode utilizar ao criar as suas dungeons.

Contando com máquinas mortíferas, perigos naturais e enigmas, o Guia de Armadilhas apresenta não apenas descrição e o funcionamento, mas também os gatilhos, contramedidas e um nível de periculosidade para que os mestres saibam exatamente o que estão colocando contra os jogadores.

O Guia de Armadilhas  tem 144 páginas e foi publicado em formato físico e digital pela Redbox Editora.

 

 

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Accursed


Este é um cenário para o sistema Savage Worlds que foi lançado em 2013 no exterior através de um financiamento coletivo. Accursed traz uma ambientação inspirada no terror gótico, onde os jogadores não são meramente humanos tentando sobreviver às criaturas sinistras que habitam a escuridão.

O jogo se passa na região de Morden, lugar onde aconteceram diversas guerras contra bruxas que vinham de além dos Picos Muralhanegra. Tal exército inimigo era composto por mercenários sinistros e também pelos Malditos, humanos comuns, de lugares conquistados, que foram transformados em monstruosidades como vampiros, lobisomens e golens e então forçados a lutar contra seus compatriotas.

Com tal força profana à disposição, não é de se admirar que as Bruxas tenham ganhado a guerra. No entanto, entre as criaturas que elas criaram, existem aqueles, os chamados Amaldiçoados, que conseguiram manter sua consciência: humanos em corpo de monstro, desprovidos de amigos e família e sempre caçados pelas Bruxas.

São justamente essas almas atormentadas, que podem buscar por redenção ou se afundar no caminho da vingança, os personagens dos jogadores. Acossados onde quer que estejam, talvez sejam a única esperança de Morden de se livrar das bruxas.

O livro Accursed traz não apenas informações sobre Morden, mas também regras completas para equipamentos, magias e mecânicas para criar e interpretar os amaldiçoados.

Accursed foi viabilizado no Brasil por financiamento coletivo pela Retropunk Publicações e foi entregue para os colaboradores ainda em 2015. O livro possui 176 páginas e também está disponível na loja da editora. Além do livro básico, também foram publicadas aventuras e suplementos em formato físico e digital.

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Crônicas RPG

De criação nacional, Crônicas RPG é um jogo medieval que oferece um sistema genérico para ambientações medievais que se foca na narrativa e no “contar” de histórias. Suas regras são simples e rápidas, voltadas para a construção de histórias curtas, que possam ser terminadas em poucas sessões.

O jogo se baseia principalmente nas “fichas de crônica”, um modelo utilizado no jogo que serve para definir os parâmetros da história a ser contada e também do mundo em que os personagens dos jogadores viverão. Nesta ficha, em uma única página o narrador determina a duração da campanha, detalhes sobre a magia do mundo, tramas, desafios, organizações e arquétipos a serem utilizados pelos jogadores.

Por ser um sistema genérico e aberto, Crônicas RPG recebe com certa frequência atualizações em seu site, como novas fichas de crônica, material para auxiliar nos combates, novas raças e dicas de como modificar e utilizar suas regras.

Crônicas RPG é de autoria de Pedro Borges e possui cerca de 300 páginas. Seu financiamento coletivo foi realizado em 2013, no entanto, o livro foi publicado e entregue aos financiadores em 2015 pela New Order Editora. A obra pode ser encontrada à venda no site da editora.

 

 

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Guerra dos Tronos RPG: Guia de Campanha

Este suplemento para o RPG baseado nas Crônicas de Gelo e Fogo tem como propósito apresentar a história dos Sete Reinos, seus locais, principais eventos e personagens. Esta publicação funciona como um verdadeiro livro de cenário, dando informações e estatísticas sobre a ambientação de Guerra dos Tronos.

Ao longo do suplemento, principalmente voltado para mestres, é possível encontrar dados e descrições sobre a maior parte dos locais apresentados nos livros de George Martin – inclusive Dorne, o Norte e as Ilhas de Ferro, locais que não aparecem muito no início da saga.

Além disso, existem no livro o histórico e a ficha de vários personagens icônicos de Guerra dos Tronos e que podem ser utilizados para interagir ou até mesmo combater os jogadores. Personalidades como o Rei Robert, Jaime Lannister e os últimos Targaryen fazem parte da lista.

Guerra dos Tronos RPG: Guia de Campanha tem 288 páginas e foi publicado no Brasil pela Jambô Editora em formato físico e digital.

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Medievo

Projeto de Raphael Lima, Medievo é um RPG que busca abordar temas clássicos deste hobby, se focando no período histórico conhecido como Baixa Idade Média. O jogo tenta se basear na verossimilhança com o período escolhido, no entanto, não deixa de utilizar elementos de fantasia. Em Medievo, lendas e criaturas fantásticas existem, normalmente não de forma tão explicita quanto é comum na fantasia, e, apesar de serem reais, não são exatamente como os jogadores poderiam esperar.

Neste RPG, os jogadores constroem seus personagens escolhendo uma profissão, que pode ir de Artesão a Cavaleiro, e também uma Mentalidade, que indica tanto partes da personalidade quanto a religiosidade do personagem. Além disso, existem 12 aspectos, que funcionam como características que definem o personagem e ajudam na interpretação; obrigatoriamente dois deles devem ser negativos, conferindo desvantagens ao longo do jogo.

Medievo foi baseado em projetos de uso de RPG em sala de aula e teve o seu fast play lançado no evento RPG na Dunas.

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Monstro da Semana

 

Seguindo o estilo de séries procedurais que envolvem investigação e confrontos com criaturas sobrenaturais, Monstro da Semana é um RPG com a proposta de que os jogadores interpretem personagens tão competentes quanto protagonistas como Sam e Dean de Supernatural, Fox e Mulder de Arquivo X ou ainda ou Doutor, de Doctor Who.

Este jogo de horror, criado por Michael Sands, é baseado no sistema Apocalypse Engine, ainda não publicado no Brasil. No entanto, o livro Monstro da Semana traz todas as regras necessárias para criação de personagem e resolução de conflitos. Neste sistema, cada personagem obrigatoriamente possui uma classe, sendo que cada uma delas, indo de O Mundano a O Profissional, em Monstro da Semana, possui ações e movimentos exclusivos.

Este RPG conta com diversos tipos de caçadores para os jogadores escolherem; o sistema do Apocalypse Engine, que busca simplicidade e apoiar a narração; ferramentas para criação de mistérios além de, claro, monstros.

Monstro da Semana foi trazido ao Brasil por iniciativa de Luiz Borges, que cuidou tanto da tradução quanto da edição. O livro é atualmente vendido através do site Clube de Autores, mas possui uma página própria.

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Manual 3D&T Alpha — Edição Revisada (2ª Edição)

 

Um dos mais antigos RPGs nacionais, a história de 3D&T está diretamente ligada à da revista Dragão Brasil, tendo surgido nessa antiga publicação e então evoluído durante os anos, ganhando diversas versões e atualizações.

Defensores de Tóquio Terceira Edição se propõe a ser um sistema genérico simples em que se possa contar principalmente histórias inspiradas em mangás e animes, incluindo os clichês de robôs gigantes e torneios marciais.

O livro inclui um sistema de magias; regras para criação de personagem; escala de poder para tratar de humanos a deuses e diferentes raças, tanto as mais comuns em histórias de fantasia quanto androides, anjos e vampiros. 3D&T busca apresentar um sistema de fácil aprendizado para iniciantes, com testes e combates que necessitam apenas jogar um dado convencional de seis lados e somá-lo aos atributos do personagem.

O Manual 3D&T Alpha — Edição Revisada possui 144 páginas e já existe há alguns anos no mercado nacional de RPG; mas a Jambô Editora lançou uma nova tiragem em 2015. O PDF do livro pode ser adquirido sem custos na loja online da editora.

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Belonave Supernova Vol. 2

 

O mundo de Brigada Ligeira Estelar é um cenário para 3D&T que coloca a estética e noção renascentista no espaço sideral, combinando duelos, guerra, esgrima e intriga com robôs gigantes, espadas laser e enormes naves capitais. Conforme a premissa da terceira edição de Defensores de Tóquio, esta é uma ambientação que se inspira bastante nas animações japonesas, lembrando bastante o anime Gankutsuo, ou O Conde de Monte Cristo.

Seguindo essa tradição “animesca”, Belonave Supernova é uma campanha para o cenário citado que busca emular e estrutura e formato do que seria uma anime clássico de ficção científica, sendo dividida em 26 episódios, como é comum ao gênero.

Esta edição, o segundo volume de Belonave Supernova, apresenta a segunda metade da campanha, no caso, os treze episódios finais da saga em que os heróis, no caso, os personagens jogadores, precisam lidar com a ameaça da poderosa arma de guerra cujo nome batiza o livro e a campanha, que sozinha pode fazer com que grupos mal intencionados dominem populações inteiras.

Belonave Supernova Vol. 2 possui 80 páginas, é de autoria de Alexandre Lancaster e foi lançado pela Jambô Editora tanto em formato físico quanto digital.

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Deadlands: Oeste Estranho – Guia do Xerife e Guia do Pistoleiro

Sendo composto por dois livros, um voltado para o mestre e outro para os jogadores, Deadlands: Oeste Estranho é um cenário para Savage Worlds que se encaixa no gênero “weird west”, subgênero da literatura que apresenta uma história no velho oeste americano mas com elementos de ficção científica, fantasia ou terror. No caso de Deadlands, pode-se encontrar dos três.

A história deste cenário se passa no ano de 1879, mas a história dos Estados Unidos não é a que ocorreu na realidade. Em Deadlands, a guerra civil americana continua, com o norte e o sul funcionando quase como nações diferentes; tecnologias estranhas e máquinas fantásticas existem podem ser encontradas em posse dos Barões Ferroviários e também existem indícios de coisas sinistras, como monstros e criaturas sombrias que espreitam na escuridão. Entre os que vivem nesse Velho Oeste Estranho, há quem fale sobre magia, e um poderoso ritual que pode trazer o inferno para a Terra.

Deadlands: Guia do Pistoleiro é voltado para os jogadores, apresentando vantagens e desvantagens de Savage Worlds que são apropriadas para o cenário, o processo de criação de personagens para Deadlands e informações sobre o mundo do jogo que são conhecidas por qualquer cidadão americano. Já o Guia do Xerife é voltado para mestres, mostrando os segredos de Deadlands, comentando sobre criaturas sobrenaturais e dicas para narrar no cenário.

Ambos os livros de Deadlands: Oeste Estranho foram metas extras alcançadas no financiamento coletivo do livro básico de Savage Worlds em 2012, projeto realizado pela Retropunk. O Guia do Pistoleiro e o Guia do Xerife possuem 128 páginas cada e foram entregues e postos à venda na loja online da Retropunk em 2015.

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Despreparado, Nunca!

 

Diferente das outras publicações, “Despreparado, Nunca!” é um título que não trata de sistemas ou cenário. É voltado para mestres e a tarefa de organizar, preparar e mestrar qualquer aventura ou campanha que seja.

Escrito por Phil Vecchione, um dos autores do premiado site de RPG Gnome Stew, o livro tem por objetivo passar alguns métodos e técnicas do autor, que conta com décadas de experiência mestrando RPG. Indo da fase de brainstorm de uma campanha/aventura à sua revisão, o livro apresenta diversas ferramentas, dicas e ponderações sobre o processo criativo que existe por trás de mestrar.

Como o fator tempo é um grande preocupante para mestres, que nem sempre conseguem encontrar o momento e ocasião para preparem suas histórias, este tema também é tratado por Vecchione. O título também dispõe de uma série de modelos para sessões, NPCs, monstros e combates que podem ser personalizados e alterados, além de sugestões para o que fazer caso todas as preparações deem errado.

“Despreparado, Nunca!” possui 144 páginas e é vendido em formato físico e digital pela editora Pensamento Coletivo.

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The Strange

 

De autoria de Bruce Cordell e de Monte Cook (famoso por seus trabalhos em D&D), The Strange é um RPG que se ambienta nos dias atuais, mas existem diversas “recursões” – mundos paralelos com suas próprias regras e história que podem ser alcançados por aqueles com conhecimento e recursos suficientes para tanto.

Neste RPG, os personagens jogadores são alguns dos poucos humanos que podem viajar e explorar as recursões, que podem variar desde mundos completamente novos, lugares exóticos e desconhecidos, a ambientes tirados de livros famosos, como Oz e a Londres de Sherlock Holmes.

No entanto, a passagem por entre as recursões não é algo corriqueiro. As energias que regem a realidade fazem com que seja necessário que os personagens se adaptem, se traduzam, ao novo mundo. Efetivamente, aqueles que viajam entre as recursões ganham e perdem habilidades, têm seu equipamento completamente modificado para se adequar às regras locais e podem chegar mesmo a mudar de raça devido à tradução.

O sistema utilizado em The Strange é o Cypher System, um conjunto de regras que ficou famoso em Numenera, outro RPG de Monte Cook, que preza pela narrativa e simplicidade, e busca trazer um sistema de combate dinâmico e que incentive os jogadores a descreverem suas ações de forma mais criativa, além de tratar coisas como pontos de vida e experiência de forma diferente do que é comum nos RPGs. As regras completas do Cypher System podem ser encontradas no livro de The Strange.

The Strange tem cerca 416 páginas e foi viabilizado através de financiamento coletivo pela New Order Editora tanto para formato físico quanto digital. A campanha no Catarse se iniciou em dezembro de 2015 e terminou em fevereiro de 2016. A data de entrega do livro ainda está para ser anunciada.

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A Fita

 

Focado em narrativas de Terror, A Fita é um RPG nacional que tem como proposta criar uma história compartilhada com uma trama semelhante a filmes de terror found-footage – gênero no qual se enquadram títulos como A Bruxa de Blair e Cloverfield.

Neste RPG, os jogadores vão construindo juntos a narrativa de um found-footage, se distribuindo entre diretor e editores. O diretor estabelece cenas, cria personagens e descreve acontecimentos, gastando “pontos de vídeo” para fazer suas ações e ganhando mais desses pontos ao criar adversidades na história. Os jogadores que estiverem como editores podem alterar características da cena caso não concordem com a visão do diretor, gastando pontos para negociar a cena e alterar os acontecimentos. Os papéis atribuídos aos jogadores vão se alternando.

Este jogo é puramente narrativo. Ninguém possui um personagem específico, os personagens são da história e podem ser utilizados e interpretados por qualquer um. Como as adversidades são puramente narrativas, não existem jogadas de dados. Este RPG utiliza um cronometro para medir o quanto cada jogador pode narrar quando estiver compondo uma cena. No quickstart do jogo – que é gratuito – um ponto de vídeo equivale a 15 segundos. Caso o jogador não consiga descrever tudo o que pretendia neste intervalo, conta-se como se a gravação tivesse sido cortada, algo comum aos filmes found-footage.

A Fita é de autoria de Diego Astaurete, possui 88 páginas e foi publicado pela Retropunk em formato digital.

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Interface Zero 2.0

 

Marcando o retorno dos RPGs cyberpunk ao Brasil, Interface Zero é um jogo que utiliza o sistema de Savage Worlds e apresenta um futuro nos moldes High-Tech/Low-life. O livro se passa no ano de 2090 e mostra um cenário dominado por mega-corporações corruptas e tecnologia que ultrapassa barreiras do que seria a própria humanidade.

Apesar de seguir os fundamentos do cyberpunk, a principal proposta de Interface Zero é fugir da ideia retrofuturista onde o que é mostrado é o futuro de 1980. Ao invés disso, este RPG busca representar um futuro dos tempos atuais, extrapolando as possibilidades, moda e cultura existentes na época de 2010.

Na ambientação de Interface Zero, a internet de 2090 é conhecida como DataNet Global e, diferente dos antigos cyberpunks com seus deckers e uma internet cabeada, a DataNet existe em todos os cantos sob forma de transmissão wireless entre redes interconectadas. Não é necessário possuir um computador, a maioria das pessoas possui um modem, um TAP (Tendrill Acess Processor) instalado no cérebro, que gera uma hiperealidade na visão das pessoas, misturando o mundano e o digital, e é utilizado até para as coisas mais básicas, como fazer compras ou abrir portas. Claro que hackers, vírus e spams enlouquecedores são uma constante ameaça, mas, em 2090, são apenas elementos da vida moderna.

Interface Zero 2.0 terá cerca de 380 páginas e teve seu projeto de financiamento coletivo realizado pela Pensamento Coletivo no fim de 2015. A data de lançamento ainda está para ser anunciada, mas o livro deve ser publicado ainda em 2016.

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O Chamado de Cthulhu 6ª Edição

 

Baseado nas obras de Lovecraft, O Chamado de Cthulhu é um dos RPGs de investigação mais famosos, tendo colaborado muito para que as obras do autor de histórias de horror cósmico sejam atualmente um fenômeno da cultura pop.

Neste RPG, os jogadores assumem o papel de investigadores do oculto, em geral, gente simples, estudiosos, bons vivants, estudantes e escritores – o tipo de personagem comum nas histórias de Lovecraft -, mas que acabaram por se encontrar com verdades aterradoras, cultistas e monstros cuja mera existência a mente humana não consegue conceber.

As aventuras e campanhas deste RPG costumam ser bastante letais para os personagens. Ninguém é um herói em O Chamado de Cthulhu, e os personagens dos jogadores podem morrer em situações mundanas, como um encontro com um cultista armado com uma faca, ou serem completamente dilacerados ao caírem nas garras de alguma monstruosidade. E mesmo aqueles que sobrevivem, podem não sair incólumes, pois suas mentes podem ser destruídas pelas coisas sinistras que vislumbraram e o terror de perceberem que a humanidade nada representa no esquema do universo. Ainda assim, com sorte, perseverança e talvez um ou outro ritual, é possível atrasar os planos dos Antigos ou, quem sabe, até mesmo bani-los para onde vieram.

O Chamado de Cthulhu 6ª Edição tem cerca de 300 páginas e teve seu financiamento coletivo realizado pela Editora Terra Incógnita. O livro já foi entregue para os financiadores. Também é possível comprar o livro na loja online da editora.

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Fiasco 2ª Edição

 

Principalmente narrativo, Fiasco é um jogo que tenta emular situações típicas de filmes do gênero Crime Comedy, onde pessoas um tanto incompetentes, ou apenas azaradas, tentam realizar planos mirabolantes e, em geral, acabam se dando mal. Obras como Snatch: Porcos e Diamantes; Matadores de Velhinhas e até mesmo os filmes de Tarantino, são adequadas para o clima de Fiasco.

Não há mestre nesse RPG, e os jogadores criam seus personagens de forma colaborativa, adicionando características e ligações uns com os outros, baseados em um cenário pré-determinado. A partir daí, eles vão compondo cenas em que o jogador ativo na cena pode escolher apenas entre uma situação ou se ele vai ser bem sucedido nela, ficando a decisão remanescente para os outros jogadores.

Não há qualquer tipo de teste em Fiasco. Ao fim de suas cenas, os jogadores recebem dados pretos ou brancos, que podem ser prejudiciais ou não no fim do jogo. No meio da partida, acontece o Fiasco, uma situação caótica e descontrolada que movimenta a história e deixa a situação inteira desnorteada. Ao fim do jogo, que pode durar apenas uma sessão, os dados pretos e brancos são utilizados para determinar o destino dos personagens, que, em geral, acabam tendo prejuízos consideráveis ou não conseguindo nada do que queriam, ou, num estilo completamente tarantinesco, acabam todos mortos.

Fiasco 2ª Edição possui 128 páginas e foi publicado pela Retropunk em formato físico e digital.

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Cosa Nostra

Se voltando para o tema da Máfia italiana, Cosa Nostra é um RPG narrativo onde os jogadores se reúnem para gerir um grupo de mafiosos em plena época da Lei Seca. O jogo, portanto, possui regras simples voltadas para auxiliar na interpretação e na criação da história, como é comum neste “gênero” rpgístico.

O RPG é ambientado na década de 20 e seu principal foco é a criação de histórias que contenham um pouco do glamour, da violência e das grandes ambições que existem na época retratada. Para isso, não são apenas regras e sistema de RPG que o livro apresenta, mas também dados e informações sobre o período de 1920 e também algum recursos narrativos e visuais, como uma história em quadrinhos roteirizada por Raphael Fernandes, autor de Apagão: Cidade Sem Lei/Luz e editor da Mad Brasil. Além de descrever o funcionamento de grupos mafiosos, o livro traz informações de cidades clássicas para este tipo de ambientação: Nova Iorque e, é claro, a Chicago de Al Capone.

Cosa Nostra tem 48 páginas e seu financiamento coletivo foi realizado em 2013 pelo Estúdio V (composto na época do financiamento por João Paulo Francisconi, Leonel Domingos, Marco Forte, Thiago Ribeiro e Rodrigo dos Santos) e teve seu lançamento em abril de 2015, sendo entregue aos financiadores e então vendido na loja da

 

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Aventuras Urbanas

 

Suplemento do cenário Reinos de Ferro, Aventuras Urbanas se propõe a se aprofundar em um tipo de ambiente muito comum à histórias passadas neste cenário steampunk, onde as grandes cidades são abarrotadas de gente, sujeira, crime e possibilidades de empreendimentos sórdidos.

O livro conta com novas profissões, estas voltadas à raças não humanas que precisaram se adaptar à vida nas grandes cidades, além de equipamentos apropriados para mercenários e trabalhos escusos daqueles que preferem passar despercebidos. Existem também novas regras para combate, tratando principalmente de golpes sujos e estilos de luta desonestos, mas também de manobras genéricas.

Além das regras, o livro também traz a descrições e informações da cidade dos Cinco Dedos, um local portuário que esconde uma série de piratas, criminosos e todo tipo de cartel mafioso. Também podem ser encontrados ao longo das páginas encontros pré-prontos para o mestre utilizar contra os jogadores e uma aventura chamada “Amigos em Lugares Altos”.

Aventuras Urbanas tem cerca de 100 páginas e foi publicado pela Jambô Editora. A tradução e a revisão do livro ficou por conta do grupo do site Reduto do Bucaneiro, fãs de longa data do cenário de Reinos de Ferro, que é liderado por Rafão Araújo, atualmente também membro do Lampião Game Studio, que já começou a trazer RPGs para o Brasil.

 

Vale ressaltar que esta lista cita apenas as publicações mais importantes. Materiais menores, como aventuras curtas, lançadas apenas em PDF – o que é uma prática recorrente da Retropunk – não foram mencionados em sua totalidade.

Além dos títulos puramente RPGísticos, também existe uma série de obras derivadas do RPG, ou melhor, sub-produtos do RPG, que também tiveram lançamento no Brasil. Entre elas encontram-se, por exemplo, as hqs passadas no mundo de Tormenta, livros-jogos da Fighting Fantasy e até mesmo um jogo eletrônico baseado no carro chefe RPGístico da Jambô.

Foram listados 30 livros nesta matéria, distribuídos entre 11 editoras (ou publicantes, como é o caso de Monstro da Semana). Dentre elas, a Retropunk, a New Order e a Pensamento Coletivo foram as que mais movimentaram o mercado, trazendo tanto RPGs novos como suplementos para títulos já lançados.

Ainda é cedo para dizer se 2016 será tão frutífero quanto foi 2015, principalmente com o aumento de preço do papel, possíveis crises econômicas e uma crise política ameaçando a estabilidade do país. No entanto, até a data em que esta matéria foi publicada, já houve dois financiamentos coletivos e duas pré-vendas, com uma terceira pré-venda prometida para abril e os lançamentos de Numenera, Inimigos do Mundo e Interface Zero já marcados para este ano. Além de algumas promessas, como Shadow of the Demon Lord e o lançamento do card game Shadowrun Crossfire pressagiando um possível lançamento do RPG do qual se originou.

Certamente, é um bom começo.



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