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O mais recente trailer de Vingadores: Ultimato revela muita coisa. O que ele nos diz, no entanto, não são detalhes do filme. Não é sobre quem vive, quem morre, ou como eles irão derrotar Thanos. O que o trailer nos revela, na verdade, é por que o Universo Cinematográfico Marvel funciona tão bem.

Parte do que fez a Marvel Comics extremamente popular na Era de Prata foi como ela adotou o princípio do universo compartilhado, que teoricamente existia na DC, mas que na verdade nunca havia sido efetivamente utilizado (muito pela rivalidade existente entre os próprios editores). Na Marvel, o Homem-Aranha podia esbarrar a qualquer momento com o Quarteto Fantástico. O Hulk poderia dar de cara com o Coisa, e daí por diante. E isso, de muitas maneiras, é o Universo Cinematográfico Marvel.

Essa construção de um universo coeso é o motivo pelo qual o último trailer de Vingadores: Ultimato é tão emocionalmente eficaz, visceral e empolgante, mesmo que não diga praticamente nada sobre o filme que está sendo anunciado.

Antes de “Homem de Ferro” em 2008, o conceito de universo compartilhado nunca havia sido um fator nos filmes de quadrinhos. Sim, poderia haver uma pequena referência a um personagem popular no filme de outro herói, mas tudo funcionava de maneira muito independente. E não estou nem falando sobre o tipo de semi-independência que a DC está adotando atualmente, onde os personagens existem no mesmo espaço, mas raramente irão interagir; antes de Homem de Ferro, não havia basicamente espaço compartilhado ou interação entre diferentes propriedades intelectuais, nem mesmo em teoria.

No momento em que Nick Fury apareceu para falar sobre a Iniciativa Vingadores pela primeira vez, houve uma mudança radical nos filmes de super-heróis. Fãs saíram do cinema empolgados com a possibilidade (agora muito real) de que outros personagens iriam aparecer e interagir – e não ficaram desapontados pelos próximos 10 anos.

O Homem de Ferro levou à próxima franquia, que levou à próxima, que então os reuniu em Os Vingadores, que deu ao universo compartilhado da Marvel um enorme evento de quadrinhos em live-action. Obviamente, ao longo dos anos, outros universos compartilhados surgiram, mas nenhum tão eficiente quanto o da Marvel.

O MCU em si é, portanto, uma grande parte do motivo pelo qual o trailer de Vingadores: Ultimato é incrível mesmo sem mostrar quase nada da trama do filme. Ele funciona especificamente por causa dos relacionamentos de uma década que o público cultivou com esses personagens. Mesmo quando não está dando a você basicamente nada, o trailer tem um impacto emocional por causa da jornada que o público teve com Steve Rogers e os outros personagens. Algo evidenciado nas cenas em preto e branco – que pegam boa parte da duração do trailer.

O primeiro trailer, no qual Tony Stark compartilhou suas últimas palavras com Pepper Potts, teve um impacto similar: a empatia humana básica poderia ter sido o suficiente para tornar seu discurso convincente se fosse algum filme de ficção científica aleatório, mas a conexão que o público tem com Tony durante toda uma década é o que torna verdadeiramente desolador.

É um nível de investimento emocional que é quase impossível de se obter no curso de um único filme, e é simbiótico com o universo compartilhado: essa conexão alimenta o universo compartilhado, fazendo com que tudo pareça mais conectado. Em última análise, cobrar de outros estúdios, hoje, um filme que traga o mesmo peso emocional e desenvolvimento de Guerra Infinita e Ultimato, é quase injusto.



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