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O novo Universo Ultimate teve seu fim decretado pela Marvel na New York Comic-Con. Isso causou grande comoção entre os leitores e fez o assunto ser debatido por mais de uma semana. O que se deve reconhecer, no entanto, é que essa possibilidade de fim em dois anos sempre foi real. Não se pode dizer que os leitores não foram preparados para isso; mesmo assim, há um sentimento ruim quanto ao anúncio. Afinal, o que há de errado?
Na esfera comercial, é pouco crível que a editora esteja acabando com a linha que está expandindo sua área de atuação e conquistando um público mais jovem. O Universo Ultimate é a única coisa da Marvel que faz frente ao colosso devorador do mercado que é o Absolute da DC.
Embora as vendas sejam um tópico importante, um verdadeiro leitor não se importa tanto com isso. Como a Marvel ganha ou deixa de ganhar dinheiro é um problema dela, não do consumidor final.

O sentimento de frustração do leitor está ligado ao fato de que o Universo Ultimate é o único sopro fresco na grade de publicações da editora, que há anos se limita a ser o quintal do MCU.
Sendo honesto, o próprio Universo Ultimate não é o auge da criatividade. Se você tira os X-Men da Peach Momoko da equação, todos os outros títulos, sem exceção, buscam conceitos do cinema para a construção de mundo. Veja só: dentre tantos nomes possíveis para o evento final, eles escolheram justamente Ultimate Endgame. Mas é aquilo: para quem está com uma semana de fome, até sopa é banquete.
Se você realmente se importa com o que essa editora já foi um dia, é desesperador acompanhar o noticiário dela.

A semana passada, em particular, foi uma tristeza. Enquanto a DC anunciava na NYCC várias novas colaborações com outras editoras, a expansão do selo Absolute, o renascimento definitivo da Vertigo e uma nova iniciativa com histórias excêntricas lideradas por criadores de primeira linha, o mais interessante que a Marvel conseguiu prometer foi mais uma série do Deadpool, uma queda de avião com o Ciclope e, por fim, anunciou que o Homem de Ferro vai voltar para a caverna de sua origem.
No fundo, qualquer pessoa que seja honesta o suficiente entende que o melhor e mais natural para o Universo Ultimate é que o fim aconteça em abril, conforme prometido pela Marvel. A tristeza, quase involuntária, tem a ver com o fato de a Marvel não ter absolutamente nada de interessante para colocar no lugar.
Eu entendo essa onda de reclamações como um sinal de desespero de quem se importa e está vendo a Marvel morrendo. Talvez por isso a sensação do fim do Universo Ultimate flerte com a frase constantemente repetida nas redes: “a Marvel acabou“.

E eu realmente não acho que esse vazio vá ser preenchido pela Marvel voltando atrás e dando continuidade ao Universo Ultimate, pois o problema da editora é bem mais complexo que a descontinuidade da linha.
O leitor está cansado de que o auge das ideias dos editores seja usar o vilão da moda do cinema para construir uma megassaga, ou de bolarem um novo e ridículo jeito de bagunçar a vida do Homem-Aranha para ganhar as manchetes e vender gibi pela polêmica. O que os fãs querem é a volta das boas histórias, mas isso parece ser pedir demais.
Não há nada de errado com o fim do Universo Ultimate. Para quem realmente se importa com esses personagens, o descontentamento reside em testemunhar o falecimento criativo de uma editora que um dia já foi a “Cada das Ideias“.
Atenção: Este texto é baseado inteiramente na opinião de seu autor e não necessariamente reflete a opinião do site.






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