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Três décadas e meia após chegar aos cinemas e redefinir o gênero de suspense, O Silêncio dos Inocentes volta a ser discutido sob uma ótica contemporânea e crítica.

O ator Ted Levine, eternizado pelo papel do aterrorizante serial killer Buffalo Bill, abordou pela primeira vez as polêmicas envolvendo a representação de seu personagem.

Embora o longa seja aclamado pela dinâmica entre Clarice Starling (Jodie Foster) e Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), a construção de Bill — que mata mulheres para criar um “traje feminino” de pele — foi historicamente criticada como uma representação “transfóbica” e estigmatizante.

Em entrevista ao Hollywood Reporter (via Screen Rant), Levine reconheceu que sua visão sobre o papel mudou com o tempo.

“Há certos aspectos do filme que não envelheceram bem”, admitiu o ator. “Todos nós sabemos mais, e eu estou muito mais informado sobre questões transgênero. Há algumas falas no roteiro e no filme que são infelizes.”

Levine explicou que, durante as gravações, não interpretou o assassino como um homem gay ou trans, mas sim como um “homem heterossexual perturbado”.

Contudo, ele entende agora o dano causado pela associação entre a identidade de gênero e a psicopatia do vilão: “É lamentável que o filme tenha demonizado isso, e é completamente errado”.

O produtor Edward Saxon reforçou o coro de arrependimento, afirmando que a intenção da equipe era ser fiel ao livro de Thomas Harris, retratando o personagem como uma “aberração” sem rótulos sexuais definidos.

Ainda assim, Saxon confessa que a produção falhou ao ignorar o peso dos estereótipos: “Do meu ponto de vista, não fomos suficientemente sensíveis ao legado de muitos estereótipos e à sua capacidade de causar danos”.

Vale lembrar que, após esse filme, o diretor Jonathan Demme comandou Filadélfia (1993), obra elogiada justamente pela representação humana e digna de personagens LGBTQIA+, indicando que os erros anteriores não foram fruto de malícia.

O clássico O Silêncio dos Inocentes está disponível atualmente nos catálogos da Netflix, Prime Video e Paramount+.

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