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Durante a CCXP – Comic Con EXperience, tivemos o imenso prazer de entrevistar um dos maiores escritores de quadrinhos de todos os tempos, Mark Waid. Extremamente simpático, gentil e solícito, nos recebeu com um enorme sorriso em pleno evento, enquanto uma fila aguardava ansiosa pelos autógrafos de seu ídolo.

Apesar da correria, da crescente fila aguardando, e do staff do evento apressando a entrevista (algo completamente compreensível) Waid respondeu todas as perguntas de forma paciente e empolgada. Sabe quando você encontra um amigo nerd e bate um bom papo sobre quadrinhos e filmes? Pois é, mais ou menos assim. Apenas com a diferença que esse amigo escreveu as histórias em pauta.

De seu amor pelo Superman, à forma como modificou o Demolidor, o roteirista comentou ainda sobre a vontade de voltar a escrever para a DC e sobre quais personagens ainda gostaria de ter a oportunidade de trabalhar.

Enfim, vamos à entrevista!

OV: Quando você assumiu o roteiro do Demolidor, deu uma drástica mudança no status quo do personagem. Sai o cara amargurado e sofrido, entra um Matt mais feliz e sorrindo sob o sol. Como você pensou nessa mudança?

MW: Bem, quando eles me pediram para escrever o Demolidor, o trabalho de Frank Miller foi bastante influente, assim como o de Bendis, Brubaker, mas todos o escreveram de forma sombria e isso é legal, mas se tem algo que eu não faço bem é lidar com coisas muito sombrias, eu faço personagens esperançosos e aí eu pedi para a Marvel para fazer desse jeito. Eles disseram: “Ok, vamos tentar isso!” Mas ainda há tons sombrios, coisas horríveis ainda acontecem para o Matt Murdock na minha run, mas a diferença é como Matt lida com elas. Vemos um sorriso no rosto dele, ainda que ele não estivesse rindo por dentro.

OV: Durante muito tempo você trabalhou na DC, e lá criou histórias memoráveis como suas passagens por Flash e Liga da Justiça, além é claro de Reino do Amanhã. Tem vontade de voltar a trabalhar com esses personagens?

MW: Eu amo esses personagens, ninguém no mundo ama o Superman mais do que eu.Talvez num futuro, pois eu estou muito feliz em trabalhar na Marvel agora. Mas antes eles tem que me chamar. 

OV: Na época do lançamento do filme O Homem de Aço, saiu na grande mídia que você não gostou da controversa cena onde Superman quebra o pescoço do General  Zod. Hoje, quais as expectativas do Mark Waid para Batman vs Superman?

MW: Sim, não gostei. É ridículo! Eu vi o trailer, vi o mesmo que todos viram. Espero que não seja tão sombrio, espero que não retornem com um Superman assassino. Isso me faria bastante feliz. Eu me preocupo com esse tom sombrio, eu me preocupo com o Superman. Eu ainda amo os personagens o suficiente para assistir o filme. Eu irei comprar o ingresso no primeiro dia, mas eu me preocupo, pois Superman não é um assassino. Este é um pensamento totalmente errado. E quando as pessoas me dizem: “Bem, mas isso é o que deveria acontecer no filme”… Eu respondo: “Não, pois Superman não é um assassino”. Daí elas me mostram uma história antiga em que Superman tira uma vida ou coisa assim, mas isso não prova que ele é um assassino. Temos que lembrar que tudo isso é ficção, o roteirista faz o que ele quer na história. Superman tirar a vida de alguém em uma história de 20 anos atrás significa que a história é ruim. Se fosse assim, Superman ainda estaria batendo nos japoneses (como aconteceu há muitos anos atrás) ou espancando pessoas. Superman não é um assassino e ponto final.

OV: Lendo obras como Legado das Estrelas e Reino do Amanhã, percebemos um carinho especial pelo Superman. Qual  sua relação com o personagem?

MW: Sim! Ele salvou minha vida. O personagem literalmente salvou minha vida. Quando o primeiro filme do Superman saiu, eu era um garoto com 16 anos, me sentia muito solitário, triste, eu não sabia o que faria com minha vida, eu acreditava que ninguém ligava pra mim, pois eu não tinha uma situação muito boa em casa. Daí eu assisti o filme, daí assisti duas vezes seguidas e assisti de novo quando tinha 17. E eu me apaixonei pelo personagem, pois Superman se importava com todos, não importa se fosse rico, pobre, jovem ou velho. E isso estava claro nas telas: Superman se importava com todos. Deste momento em diante, não importava o que eu faria na minha vida, eu só queria ser que nem o Superman.

OV: Existe alguma história que você ainda gostaria de escrever, ou algum personagem que gostaria de trabalhar?

MW: Eu gostaria de escrever o “Shazam”, o “Capitão Marvel” da DC. Isso seria bem legal. E eu nunca escrevi o Batman, eu fiz algumas histórias do Batman aqui e ali, mas nunca foi uma run. E na Marvel, eu gostaria muito de fazer o Homem de Ferro, acho que faria algo legal com ele.

OV: Atualmente você está escrevendo uma equipe bastante incomum de Vingadores. Como está sendo essa experiência?

MW: Tem sido muito boa. Nós não planejávamos ter uma equipe tão diversa, pois eu sabia que teria o Capitão América, Thor e Homem de Ferro, sem saber quem estava vestindo as fantasias. Assim que descobrimos, daí eu disse: “bem, agora temos uma equipe bem diversa de raça, idade e gêneros”. Mas vamos ver quem podemos adicionar, vamos procurar quem no Universo pode entrar na equipe sem ser um cara rico e branco. E eu gosto do fato de ter esse time com essa diversidade, foi parte por acidente e parte intencional. Agora só temos um cara rico e branco na equipe e eu estou muito orgulhoso disso!

OV: Muito obrigado pela entrevista!

MW: Eu que agradeço!

collage

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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