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O primeiro semestre de 2026 chega ao fim com uma safra de lançamentos fortes nos cinemas. Se grandes franquias, como Star Wars e a DCU, não conseguiram brilhar, originais como Obsessão e sequências surpreendentes como O Diabo Veste Prada 2 trouxeram um novo fôlego à discussão sobre a vida no século digital. Com o marco do calendário alcançado, separo neste artigo os 10 melhores filmes do ano até agora — ou seja, os melhores lançamentos em circuito comercial no Brasil entre janeiro e junho. Confira:
10º Extermínio: O Templo dos Ossos

Embora não seja tão autentico quanto o punk frenético de Danny Boyle, Extermínio: O Templo dos Ossos (2026) encontra sua voz como uma obra despojada, melancólica e focada na essência da condição humana. O longa utiliza o isolamento do Reino Unido como uma alegoria forte sobre o Brexit e a decadência de uma sociedade que, ao tentar se blindar do estrangeiro, apodrece por dentro. O Templo dos Ossos é, em última análise, um ato de fé na capacidade humana de, mesmo em meio à ruína, escolher ser algo mais do que apenas pó.
9º O Diabo Veste Prada 2

Que O Diabo Veste Prada 2 seria um sucesso absoluto, ninguém realmente duvidava. No entanto, ninguém imaginava que a sequência pudesse ser tão boa a ponto de superar a original. O longa traz aquela história de 2006 para o nosso tempo com uma maturidade ímpar, assumindo um mea culpa pela forma como, no passado, incendiou a crise da mídia que vivemos hoje e destacando o valor da criatividade e da tomada de decisão humana.
8º Socorro!

Um filme que, entre planos-detalhe expressivos e uma tensão que beira o absurdo, questiona a eficiência das nossas estruturas sociais, evidenciando que, sob a fachada de civilidade, o sucesso ainda depende da ausência de freios morais para devorar o próximo. Socorro! (2026), de Sam Rami, é uma alegoria brutal sobre como o capitalismo nos condiciona a agir como animais, provando, com uma crueza tão divertida quanto aterrorizante, que a meritocracia é uma mentira.
7º Cara De Um, Focinho de Outro

Cara de Um, Focinho de Outro (2026) é mais um filme muito conectado com a era digital, mas que se destaca por explorar o choque entre o urgente e o contemplativo com uma maestria técnica assustadora. Em vez de mastigar lições de moral, o longa provoca a empatia através de estímulos sensoriais, usando transições e “movimentos de câmera” para guiar o espectador em um jogo astuto entre o real e o caricato. É acima de tudo, a prova de que a Pixar reencontrou seu fôlego criativo, provando que, mesmo com ferramentas tecnológicas de última geração, o que realmente sustenta uma grande obra é a coragem de confiar na inteligência do seu público.
6º Toy Story 5

Outra sequência surpreendente do ano, Toy Story 5 mantém a franquia em alta com uma história sobre conexões que não cai no clichê de desmerecer o ambiente online. Essa é a nossa realidade hoje e não podemos fugir dela. É um filme que se preocupa em construir pontes. Na era em que tudo precisa ser rápido e prático, construir é um ato de bravura, já que as obras e as pessoas sempre tendem ao mais fácil: destruir.
5º Devoradores de Estrelas

Devoradores de Estrelas (2026) é uma reflexão existencial sobre o medo, o luto e a esperança, que descreve viver como um constante ato de bravura. É também um filme muito divertido sobre conexões e encontrar o seu lugar no mundo.
4º Caminhos do Crime

Situado em uma Los Angeles que já não suporta o próprio peso, Caminhos do Crime (2026) é um thriller metódico que reflete sobre a segurança como a mercadoria mais importante do nosso tempo. Bart Layton orquestra uma sinfonia de desilusões onde figuras como o assaltante à moda antiga de Chris Hemsworth e o policial exausto de Mark Ruffalo são, igualmente, operários de uma mesma engrenagem predatória, vampirizados por um sistema que descarta o indivíduo assim que sua utilidade esgota. Bebendo da elegância técnica de Michael Mann e da melancolia existencial de clássicos como Profissão: Ladrão, o filme é menos sobre o golpe em si e mais sobre a solidão de quem tenta manter princípios analógicos em um mundo digital afoito e ansioso.
3º O Drama

Uma comédia romântica madura e visceral, que usa o silêncio e a ansiedade contemporânea para dissecar a fragilidade das relações em um mundo viciado em estímulos. Através da química impecável entre Robert Pattinson e Zendaya, o filme transforma um dilema moral em uma bola de neve que desmantela a solidez de um casamento. Com um estilo visual inquieto, que alterna planos-detalhe e cortes secos para nos transformar em juízes da trama, Kristoffer Borgli questiona o nosso impulso desenfreado por opiniões rápidas e a arrogância moral de quem se coloca no centro do universo. O Drama é uma espécie de crônica sobre a imperfeição humana, sugerindo que o amor real tem a ver com a disposição constante de recomeçar sobre os escombros da própria falibilidade.
2º Obsessão

A grande surpresa do ano, Obsessão é extremamente competente como um terror de incômodo. Curry Barker concebe cada cena para evocar um sentimento genuíno de repulsa e medo, contando uma história miserável sobre pessoas que preferem o domínio a uma conexão humana real. Cara, esse terror é de verdade!
1º Marty Supreme

Se passa nos anos 50, mas, sensorialmente, pode-se dizer que é o Rocky (1976) dos nossos tempos. Não por ser a história de um herói improvável e desacreditado no próprio esporte — Marty é qualquer coisa, menos desacreditado —, mas pela forma como lida com a ansiedade e como as pessoas da nossa era, em que as informações correm e morrem rápido, sentem que precisam se provar o tempo todo. Enfim, é um filme sobre sonhos, frustrações e teimosia, sem personagens santos. Uma história sobre pessoas, suas ambições e o que são capazes de fazer para alcançá-las.
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