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Sem perder tempo, a 2ª temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder deixa claro, desde o prólogo, que segue seu próprio caminho, mesmo usando a obra de Tolkien como guia. Ou seja, o novo ano mantém o tom de “fanfic” do primeiro, mesmo explorando menos lacunas da Segunda Era e adaptando mais elementos dos livros.
Por cortesia do Prime Video, já tive acesso a todos os episódios da nova temporada, e me chamou atenção o modo como a equipe criativa lidou com as lacunas dos registros dos livros quanto à forja dos anéis. Há mais equilíbrio nesse segundo ano, embora a cinematografia seja um pouco menos impressionante — infelizmente, o talentosíssimo J.A. Bayona (A Sociedade da Neve), que dirigiu os dois primeiros episódios do ano anterior, não retorna ao time de diretores.

O grande mérito das adições ao material original no novo ano é que elas servem para solidificar a história que a série quer contar, e não são montadas por qualquer tipo de conveniência. Adar, personagem que jamais apareceu nos livros de Tolkien, talvez tenha sido a melhor novidade da 1ª temporada, e a forma como ele é usado no novo ano é ainda mais interessante.
Na busca por essa solidificação narrativa, J. D. Payne e Patrick McKay inteligentemente bebem de fortes fontes de inspirações como A Arte da Guerra de Sun Tzu e eventos históricos reais envolvendo o Império Romano.
A 2ª temporada de Os Anéis de Poder é, em síntese, uma história sobre ganância, guerra, corrupção e, principalmente, vingança. Sauron está muito mais presente e complexo, mas é um vilão inequivocamente sombrio, que acredita piamente estar fazendo o necessário para curar a Terra-Média.
O Sauron da série é o típico personagem que odeia o mundo e quer moldá-lo à sua imagem. Isso, obviamente, em paralelo a uma busca por vingança contra Adar e seus Uruk. O vilão, no entanto, não é a raiz de todo o mal da Terra-Média. A ambição dos anãos*, a corrupção dos homens e o ego inflado do elfos são coisas que já existiam, e agora apenas estão mais fortes pela influência do despertar das trevas.

Pode-se dizer que a 2ª temporada da série é menos sobre jornada e mais sobre guerra. De fato, é bem mais sombria que a 1ª. Entretanto, nem tudo funciona, especialmente quando a história tenta pausar seu núcleo principal para dar atenção às jornadas de outros personagens. A montagem, embora esteja melhor, ainda é confusa, de modo que, quando os núcleos se juntam, é difícil decifrar como funciona a passagem de tempo entre as histórias.
Há também decisões criativas — uma em especial que vamos falar muito mais sobre no futuro — que podem dividir os fãs. Não que seja algo que estrague a série, ou nada do tipo. Creio até que sejam condizentes com o tom estabelecido já nos primeiros minutos do novo ano. No entanto, certamente vão dar muito o que falar.
Bem, precisamos falar sobre o grande troll cinza na sala: embora tenha seu público, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder carrega uma grande carga de ódio na internet, muito mais por razões triviais do que por seu nível de qualidade. J. D. Payne e Patrick McKay sabem disso e são honestos ao assumirem que, assim como qualquer adaptação, essa é uma obra feita por fãs. Se você estiver disposto a dar uma chance, eles têm uma boa história para contar.

Faço um apelo a quem está mais fechado para essas liberdades poéticas: faça bom uso de seu livre-arbítrio e não gaste energia desmerecendo o trabalho alheio, principalmente o do mensageiro. Você não precisa tornar este ambiente um lugar inóspito só porque estão “mudando” o trabalho de Tolkien, o que é uma grande mentira, pois livros continuam lá. Os Anéis de Poder apenas está apresentando uma ótica diferente.
Enfim, teremos muito mais a falar sobre a série nas próximas semanas, até porque esta não é uma crítica definitiva, mas apenas algumas breves reações sem spoilers.
A 2ª temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, vale ressaltar, estreia no Prime Video às 4h (horário de Brasília) de amanhã (29), com três os primeiros episódios sendo lançados de uma só vez.






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