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O multiverso parecia a desculpa perfeita para James Gunn justificar a transição de universos nas temporadas de Pacificador, e talvez até tenha sido imaginado para isso.
O resultado, no entanto, é uma surpreendente abordagem intimista, que tem muito mais a ver com Rick & Morty do que com The Flash (2023) ou Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022).
Assisti aos 5 primeiros episódios da 2ª temporada de Pacificador, e estas são minhas primeiras impressões:
Em seu retorno, Christopher Smith (John Cena) está no fundo do poço, vivendo uma grande crise de dependência de aceitação.
Afundado nas drogas e considerando desistir de tudo da maneira mais dramática possível, ele encontra alívio em uma fantasia de utopia pessoal que, de longe, demonstra ser um grande castelo de areia prestes a ser demolido pelo mar.
A 2ª temporada de Pacificador é uma história sobre um homem que procura se entorpecer das dores do mundo ao invés de superá-las. John Cena incorpora essa proposta e entrega o que talvez seja seu melhor trabalho como ator.
É uma história muito mais pesada e dramática que a da 1ª temporada, mas ainda assim divertida. Nela, a ficção científica tem muito mais peso e os dilemas filosóficos são de dar agonia. Há uma imagem específica no 2º episódio, por exemplo, que não saiu da minha cabeça até agora, e eu a assisti há semanas.
O Pacificador mudou, mas sua série ainda é engraçada, divertidamente imoral e cheia de sequências de ação envolventes — algumas das melhores que James Gunn já dirigiu.
Mal vejo a hora de conferir os últimos episódios, pois claramente há grandes surpresas guardadas para o final.
Para o público que for assistir semanalmente, vai ser mais difícil. Com episódios relativamente curtos e ganchos envolventes, será uma experiência ansiosa.
A 2ª temporada de Pacificador, vale ressaltar, estreia na HBO Max em 21 de agosto.