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Com a segunda temporada de Pacificador já disponível e sendo a mais recente adição ao DCU, é claro que precisamos falar sobre os personagens que aparecem na série. E um dos que chama atenção desde a primeira temporada é o “melhor amigo” do Pacificador, Adrien Chase, também conhecido como Vigilante.
Embora diversos personagens tenham assumido o manto de Vigilante ao longo dos anos – como Alan Welles, Dave Winston e Patricia Trayce – nosso foco aqui será em Adrien Chase, o primeiro a vestir o traje e o personagem que aparece no DCU. E vale dizer desde já: quando começarmos a mergulhar em sua origem nos quadrinhos, vai ficar evidente o quanto ele é diferente da versão que James Gunn trouxe para as telas.
Como surge o Vigilante
Adrien Chase fez sua primeira aparição em The New Teen Titans #23, mas só assumiu o manto de Vigilante em New Teen Titans Annual #2. Quando o vemos pela primeira vez, ele é um promotor público que trabalha com os Titãs em um caso envolvendo o vilão Irmão Sangue. Irritado com a forma como a imprensa estava do lado do vilão, Chase reclama que isso acaba prejudicando a imagem dos Titãs.
Ele mostra um dossiê com mais de cem crimes dos quais Sangue é suspeito, mas que não puderam ser provados, ou dos quais ele escapou usando brechas legais. Chase deixa claro: quer que o vilão pague, vá a julgamento e receba a pena máxima — mas os Titãs acabam caindo na armadilha e transformando Sangue em um mártir, comprometendo todo o trabalho dele. Em seguida, Chase se oferece para lidar com a imprensa enquanto os Titãs permanecem em silêncio.

Nos números seguintes, Chase continua ajudando os Titãs, inclusive na edição #26, quando contribui para desmantelar uma operação comandada pelo chefão mafioso Anthony Scarpelli. Só que esse envolvimento com Scarpelli traria consequências graves, culminando em New Teen Titans Annual #2 – onde Adrien aparece pela primeira vez como Vigilante. Já na primeira página da edição, vemos uma reportagem noticiando que o apartamento de Chase e sua família foi alvo de um ataque, e que ele está em estado crítico no hospital. A imprensa, no entanto, não revela o estado de sua esposa e filhos.
Enquanto isso, uma informação importante surge: Robin (Dick Grayson) havia deixado o apartamento de Chase momentos antes da explosão. Vemos Robin chegando ao hospital para acompanhar a cirurgia de Adrien. Pouco depois, repórteres cercam Robin e perguntam se ele e Chase participaram de uma operação estilo “vigilante” contra Scarpelli. Dick se recusa a comentar e se irrita com a insistência da mídia. Descobrimos então que a esposa e os dois filhos de Adrien não sobreviveram, embora ele tenha resistido.

Devastado com a perda, Robin inicia uma guerra pessoal contra Scarpelli, que agora é o principal suspeito. A sede por vingança é tão intensa que Estelar precisa intervir e pedir que ele se acalme antes de fazer algo do qual possa se arrepender. Enquanto isso, Adrien desaparece. Os Titãs não sabem onde ele está, o que leva diretamente aos eventos do final da edição, onde ele, já que o traje de Vigilante, consegue encurralar Scarpelli. Adrian revela sua identidade e diz que está em busca de justiça, diante de um Scarpelli aterrorizado. Nesse momento, Robin aparece e tenta impedir Adrien de fazer justiça com as próprias mãos, mas Scarpelli aproveita a brecha para atirar nos dois. Robin é ferido, mas Adrien consegue neutralizar o mafioso e escapar.
Origem Mística
Depois disso, o Vigilante ganharia sua própria série solo, que durou 50 edições. Na série solo, vemos Chase retornando a Manhattan como promotor durante o dia, e combatendo o crime como Vigilante à noite. Já na edição #7, temos finalmente sua origem completa. Durante uma conversa com amigos, ele diz que vai contar como se tornou o Vigilante. Ele afirma não ser uma pessoa religiosa ou mística, e que sua mente lógica tem dificuldade para acreditar no que aconteceu. Mas ainda assim, relata o que se lembra. Após se recuperar no hospital, ele foi levado por uma figura misteriosa, dirigindo para o oeste sem saber o destino. Curiosamente, ele não fez perguntas — apenas observava a paisagem passar pela janela.
Sem saber quanto tempo se passou ou onde estavam hospedados, Adrien apenas aceita o percurso, até que um dia a figura encapuzada diz que chegaram. Eles descem de uma van no meio do nada, e Chase questiona: “Onde estamos? Não tem nada aqui além de terra.” Quando tenta segurar o braço da figura para obter respostas, ela o joga no chão com facilidade. Em seguida, retira o capuz, revelando ser uma mulher chamada Lynn. Ela o chama para uma conversa e, quando ele pergunta por que não vão de van, ela retruca: “Que van?” A van havia desaparecido.

Eles caminham por horas no calor do deserto até encontrar uma espécie de caverna subterrânea, acessada por uma escada que desce vários metros. Lá embaixo, Lynn diz: “Você voltou para a escola.” Eles são recebidos por três figuras chamadas Chaka, Bloody Knife e Chastity — três seres místicos que começam a avaliar Chase. Bloody Knife diz que ele não serve. Chastity sente força nele, mas Lynn diz que ela sempre diz isso. Mesmo assim, os místicos insistem que Adrien precisa ter sucesso. Chaka explica que eles oferecem poder: o poder de fazer a diferença, de fazer o bem — algo que a lei, muitas vezes, não consegue oferecer.
Chase aceita se juntar a eles, e o treinamento começa. Ele aprende combate, acrobacia e uso de armas. A dor constante o faz perceber que tudo aquilo é real, e não um delírio. Com o tempo, ele se torna rápido, forte e habilidoso. Após seis meses de treinamento intenso e rearranjos celulares dolorosos, Chase sente que mudou. Ele passou no teste. Os mestres confirmam: ele será um dos seus.

Bloody Knife então revela um segredo: todos ali estão mortos. Espíritos de vítimas da injustiça que não aceitaram descansar em paz. Eles existem para treinar aqueles que continuarão sua missão. Se Adrien tivesse perecido com sua família, ele seria um deles. Mas como sobreviveu, foi escolhido para ser um agente entre os vivos. Ele aceita a missão, afirmando que não pode voltar a ser quem era, e que embora cometa erros, precisa seguir em frente. Os espíritos desaparecem e prometem reencontrá-lo apenas quando ele se juntar a eles no pós-vida, ensinando outros.
O destino trágico do Vigilante
Nos quadrinhos, Chase tem um leve fator de cura, resultado do treinamento com os fantasmas. Ele menciona isso em Vigilante #6, ao dizer que passou por seis meses de “rearranjo celular”, e demonstra a habilidade ao enfiar a mão no fogo e vê-la cicatrizar. Fora isso, ele não possui superpoderes. É um mestre em combate corpo a corpo, especialista em armas, extremamente estratégico e com resistência à dor — movido por um forte senso de justiça. Além disso, usa uma moto para se locomover em sua guerra contra o crime, veste uma armadura e usa óculos com visão infravermelha.

No entanto, algum tempo depois, Chase deixou de ser o Vigilante, e então dois de seus amigos assumiram a alcunha do herói em seu lugar, embora ambos tenham acabado encontrando um fim trágico. O primeiro foi Alan Welles, que era mentalmente instável e se tornou extremamente violento no papel. Quando Chase descobriu isso, os dois acabaram entrando em um confronto onde Chase foi forçado a confrontar Welles com um desfecho fatal.
Depois, outro amigo de Chase, Dave Winston, também se tornou o Vigilante e, embora evitasse táticas mais violentas, acabou sendo uma vítima do Pacificador na frente de Adrian Chase. Isso levou Chase a se tornar o Vigilante mais uma vez e iniciar uma rivalidade feroz com o Pacificador.
Uma vez de volta ao seu papel como Vigilante, Adrian Chase tornou-se cada vez mais violento e apesar de tentar se afastar do manto, ele foi repetidamente atraído de volta e chegou a um ponto em que passou a agir sem distinguir culpados de inocentes.
Ele estava continuamente em conflito com suas ações, sentindo que eram uma maneira de servir à justiça, mas sabendo que às vezes ele estava machucando pessoas que não tinham feito nada de errado. Sua culpa por suas ações acabaria levando a um destino trágico.
Infelizmente, dominado pela culpa e pelo peso de suas escolhas, Chase acabou colocando um ponto final na própria história, criando um dos arcos mais sombrios da DC Comics.

O personagem queria se afastar e não ser um perigo para qualquer outra pessoa, mas de muitas maneiras acabou criando um mártir, pois muitos outros anti-heróis decidiram seguir o seu legado desde então, perpetuando ações violentas sem critério. É um legado perigoso para deixar para trás, e algo que Chase não queria.






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