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Sem surpresa. Em clima bélico por mais de um ano, Paramount-Skydance e Netflix não vão mais colaborar na produção de filmes animados. Ray Gunn (2026) e uma nova adaptação de João e o Pé de Feijão serão os últimos lançamentos do acordo atual.
Em uma declaração conjunta fria, representantes das duas empresas afirmaram: “A Netflix e a Paramount concordaram mutuamente em encerrar seu acordo para filmes de animação. Ambas as empresas permanecem totalmente comprometidas com os lançamentos de sucesso de Ray Gunn e do projeto sem título sobre João e o Pé de Feijão na Netflix e, além disso, darão continuidade à sua longa relação de licenciamento de conteúdo. Temos orgulho de nossa colaboração até o momento e estamos ansiosos para levar esses próximos filmes ao público em todo o mundo.”
Recentemente, Como Mágica, produzido pela parceria, tornou-se um dos filmes mais assistidos de todos os tempos na Netflix, acumulando 144,9 milhões de visualizações globais.
Ray Gunn vem sofrendo os impactos de toda essa confusão. O filme dos sonhos de Brad Bird não chegará aos cinemas e tampouco conta com o nível de divulgação que o diretor gostaria. No entanto, o lançamento global na Netflix segue marcado para 18 de dezembro.
A trama do longa se passa em Metropia, uma cidade fictícia em uma realidade alternativa de 1939 repleta de tecnologia avançada e alienígenas. A narrativa acompanha Raymond Gunn, um detetive que precisa desvendar uma grande conspiração.
Por que o clima é bélico?

A Skydance, de David Ellison, comprou a Paramount por US$ 8 bilhões, um valor bem acima do mercado. Com o endividamento em alta, o novo conglomerado precisa urgentemente gerar grandes receitas para se tornar financeiramente saudável. A solução encontrada pelo CEO foi adquirir outro estúdio endividado, mas detentor de propriedades intelectuais gigantescas que podem acelerar o plano de fazer a megacorporação funcionar.
Ellison, então, provocou um leilão na Warner Bros. Discovery, contando com o apoio do governo dos EUA para vencer a disputa. Mesmo assim, perdeu a concorrência para a Netflix, que sustentou o acordo enquanto pôde.
Após ter nove propostas hostis recusadas, a Paramount finalmente conseguiu fazer com que a Warner indicasse os termos que aceitaria no lugar do contrato com a Netflix. Como a Netflix — que tinha o direito de cobrir a oferta e manter o acordo — optou por desistir, o caminho ficou livre.
Na ocasião, Ted Sarandos, CEO da Netflix, afirmou que esperava manter os negócios com a Paramount vivos. Do outro lado, no entanto, a recíproca não foi tão amigável. Surgiram acusações de que a gigante do streaming estaria fazendo lobby para que o acordo de fusão entre Paramount e Warner fosse barrado por órgãos reguladores — o que nunca aconteceu.
Atualmente, o único obstáculo para a conclusão da compra de US$ 111 bilhões é um processo antitruste movido por 12 estados norte-americanos. Em outubro, haverá uma rodada de conciliação sob supervisão judicial para tentar encerrar o imbróglio.
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Fonte: Deadline






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