Comentários

Estimated reading time: 4 minutos

A fusão da Paramount-Skydance com a Warner Bros. Discovery deu um passo importante rumo a conclusão, após travar devido a um processo liderado Rob Bonta, o procurador geral da Califórnia, que juntou 12 estados em um pedido para melar o negócio.

Representantes da Paramount de David Ellison e Bonta vão se reunir por dois dias seguidos no final de outubro para negociar um acordo que encerre o processo. A negociação vai ser supervisionada pela justiça.

Antes irredutível, Bonta agora está aberto a um acordo, mas apenas se este incluir “remédios estruturais robustos” — o que, na prática, significa garantias significativas que Warner e Paramount seguirão com estruturas separadas, mesmo sendo uma só empresa.

O gabinete do procurador-geral chegou a agendar uma reunião com a Paramount para o dia 24 de agosto, mas Bonta a cancelou na noite anterior, acusando o estúdio de vazar detalhes para a imprensa. A Paramount negou as acusações e, desde então, tem adotado uma postura mais discreta.

Vale destacar que o fato de as partes terem aceitado negociar sob supervisão da Justiça no final de outubro não as impede de chegar a um acordo antes. A Paramount segue tentando acelerar o processo, pois, a partir de 1º de outubro, precisará pagar US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner até que a fusão seja finalizada.

A motivação do processo são as dúvidas de que David Ellison seja capaz de cumprir a promessa de manter o ritmo de produção dos dois estúdios. Com a dívida combinada das duas empresas atingindo US$ 80 bilhões, além do fato óbvio de que a fusão fará o megaestúdio ter dois de tudo, a Procuradoria da Califórnia entende que o negócio inevitavelmente extinguirá milhares de empregos no estado. Bonta e sua equipe estão fazendo o que julgam possível para proteger esses postos de trabalho.

O processo é estruturado na Seção 7 da Lei Clayton, que é destinada a proibir fusões ou aquisições operacionais que diminuam substancialmente a concorrência ou criem condições de monopólio em qualquer setor de mercado. Além do dispositivo federal, a coalizão de 12 estados apoia a acusação no Cartwright Act — a principal legislação antitruste do estado da Califórnia — e em normas estaduais equivalentes de proteção ao consumidor e à livre concorrência dos demais estados signatários, como Nova York, Nova Jersey e Washington.

O argumento sustenta que a união de dois dos maiores estúdios de cinema e redes de TV a cabo criará uma concentração excessiva de mercado, eliminando a concorrência direta entre Paramount e Warner. Consequentemente, essa retração tende a gerar a perda de milhares de postos de trabalho em Hollywood, a diminuição do poder de barganha de exibidores de cinema e operadoras de TV, além do repasse de custos mais altos ao consumidor final e a redução no volume e na diversidade de produções audiovisuais.

O julgamento do processo segue marcado para março de 2027. Se não houver acordo até lá, o atraso da fusão acrescentará, no mínimo, US$ 1,3 bilhão à negociação original de US$ 111 bilhões.

Caso o processo consiga bloquear a fusão, a Paramount será obrigada a pagar ainda uma taxa de rescisão de US$ 7 bilhões à Warner Bros. Discovery.

Leia mais sobre Paramount e Warner

Fonte: The Hollywood Reporter



Comentários