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Dez minutos. Esse foi o tempo necessário para Pinguim estabelecer exatamente o tipo de atmosfera que quer propor.
Claro, existe uma pequena ajuda da “ponte” que faz com Batman (2022), de Matt Reeves. Enquanto os eventos do filme são relembrados, a trilha sonora ajuda a te colocar no clima. Mas o que faz com que o primeiro episódio seja eficiente nesse sentido é uma decisão corajosa que não apenas impactará toda a série (ou minissérie, já que, no momento, só uma temporada é planejada), mas também demonstra o tipo de homem que seu protagonista é.
Mas vamos com calma: na trama, Oswald “Oz” Cobb (um irreconhecível Colin Farrell), também conhecido como Pinguim, encontra a oportunidade perfeita para realizar suas ambições criminosas após a morte de seu “patrão”, Carmine Falcone (John Turturro antes, Mark Strong agora). No entanto, ele sabe que não será fácil: a família Falcone é grande, e perigosa. Oz não contava especialmente com o retorno de Sofia Falcone (Cristin Milioti), liberada do Arkham após ficar anos presa por ter sido revelada como a assassina em série “A Carrasca”. Sofia é um desafio tão grande para Oz, em parte, porque, ao contrário dos outros, ela sabe exatamente do que ele é capaz.

A produção provavelmente se sustentará na dinâmica entre os dois, e com alguma razão: Farrell e Milioti, bem como a roteirista-chefe Lauren LeFranc, parecem saber exatamente o que fazer com os personagens.
O suficiente já foi dito sobre o que a maquiagem pesada faz com a aparência de Farrell, mas o que o torna irreconhecível não se limita a isso. Toda a concepção do personagem é completamente diferente de interpretações passadas do ator. É difícil de acreditar que este é o mesmo Farrell que estrelou Sugar, do Apple TV+, mais cedo neste mesmo ano, por exemplo. Embora Oz não seja um personagem agradável, dá gosto de ver o ator mastigando o papel com tanta competência.
O mesmo pode ser dito da atuação de Milioti, muito provavelmente no melhor papel de sua carreira. Com olhos arregalados e um sorriso desconcertante, a atriz traz um charme maligno muito evidente para a personagem.
Quanto a como os personagens são retratados em termos de história, Pinguim traz uma reflexão interessante. Enquanto a maioria das adaptações de quadrinhos centradas em vilões tendem a transformá-los em anti-heróis ou “vítimas” com motivações justificadas, o primeiro episódio aponta para uma direção oposta a isso.
Oz é um personagem com nuances, e certamente veremos algum tipo de desenvolvimento sobre o lugar de onde ele veio, mas LeFranc não deixa de ter em mente que ele é um homem mau. Vai além: só nesse primeiro episódio, vemos o Pinguim ser impulsivo, narcisista, mentiroso, covarde, ameaçador e, por incrível que pareça, bem articulado quando se trata de livrar a própria pele.
Isento de boas intenções, o Pinguim pode ser um criminoso de segunda categoria que em muitos momentos não pensa antes de agir, mas ele terá algumas cartas na manga na sequência de seu plano para dominar o submundo do crime de Gotham.
O que também há de ser notado é como há um senso de humor sombrio inerente ao personagem que, de uma maneira curiosa, faz muito sentido para o próprio.
Será possível um protagonista ser tão magnético e carismático e, ao mesmo tempo, tão brutalmente vil em uma adaptação de quadrinhos? Se o sensacional primeiro episódio de Pinguim é alguma pista, parece que sim!
Vale ressaltar que, este é um texto de primeiras impressões, faremos uma cobertura semanal sobre Pinguim com análises sobre cada episódio, antes de fechar tudo em uma crítica completa.
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A partir da próxima semana, a série do Pinguim passará a ser exibida aos domingos na HBO e na Max. O horário, no entanto, segue o mesmo: 22h (horário de Brasília).
A série conta com Lauren LeFranc (Impulse, Chuck) como showrunner, Matt Reeves (Batman) como produtor, e Craig Zobel como líder do time de diretores.
Primeiro derivado da Saga do Batman, Pinguim traz Oz Cobb (Colin Farrell) como um dos líderes do sindicato do crime de Gotham, tendo que lidar com uma luta por poder no submundo da cidade.