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A newsletter sem título do O Vício chegou à nona edição no dia do Homem-Aranha. Com Um Novo Dia (2026) pegando fogo nos cinemas, o foco vai para o herói com um ranking dos filmes favoritos da franquia e um desabafo sobre o grande problema com a versão do MCU.
Esta é mais uma edição escrita e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Vocês continuam dando um apoio fenomenal a esta publicação semanal. Muito obrigado.
Ainda nesta edição: Uma dica cultural de um dos melhores thrillers de todos os tempos e um aviso sobre nosso novo lar para conteúdos rápidos. Aproveite a newsletter:
A fórmula da irresponsabilidade

Um Novo Dia (2026) teoricamente deveria ser o filme de um Homem-Aranha mais maduro, mas cai nas armadilhas da própria fórmula da franquia no meio do caminho. A mim, especificamente, frustra o fato de este ser o terceiro filme consecutivo em que o herói causa problemas para muita gente porque quer, de forma irresponsável e a qualquer custo, resolver um problema que é só dele.
No novo filme, Peter cria um inibidor mutante universal para conter a própria mutação e, de quebra, entrega a tecnologia de bandeja ao governo, ignorando múltiplos alertas de Bruce Banner e MJ de que ele estava mexendo com forças perigosas. Não seria uma má ideia ter o Homem-Aranha como uma espécie de Oppenheimer dos X-Men e vê-lo carregar essa culpa, caso a premissa não fosse construída sobre uma inconsequência tão repetitiva.
Vejamos: em Longe de Casa (2019), ele entrega a tecnologia Stark nas mãos de um estranho que fala bonito só porque queria curtir uma viagem com a namorada em paz, e isso causa o caos em Londres. Em Sem Volta Para Casa (2021), Peter provoca problemas no espaço-tempo porque queria que todos esquecessem a revelação de sua identidade secreta para poder ir para a faculdade com os amigos (sim, ele também estava pensando neles dessa vez, mas ninguém havia lhe pedido nada).
É verdade que todas essas tramas trazem um arco de redenção em que o Homem-Aranha se sacrifica para ajustar as coisas. O problema é que o drama sempre parte de um delírio egoísta que ignora o diálogo e o bom senso. E o pior: se isso ao menos servisse para o desenvolvimento contínuo do personagem, seria aceitável. No entanto, não serve. Filme após filme, ele repete exatamente o mesmo erro.
O Homem-Aranha não é um herói fundamentalmente egoísta, e certamente a equipe da Marvel Studios não comete esses vacilos de propósito. Parece mais o desleixo de quem produz cinema de forma industrial, aplicando a mesma fórmula repetidas vezes. Chris McKenna e Erik Sommers assinam o roteiro desta franquia há três filmes, o que tem muito a ver com a exigência de escrever rápido do jeito que os estúdios querem.
Repare como a estrutura é sempre a mesma: começa com Peter lidando com o trauma do filme anterior, algo que bagunça sua cabeça durante toda a projeção. Daí surge uma ameaça, ele se alia a um vilão que se passa por amigo, provoca um desastre (às vezes antes mesmo de confiar no vilão, como em Sem Volta Para Casa), a verdadeira face do antagonista é revelada e ele luta para desfazer o estrago que causou, sempre arcando com alguma consequência.
Na zona criativa, cair nessas armadilhas é mais comum do que parece. Tom Holland vai continuar no papel por anos. É importante fazer quem assina esses projetos enxergar esse vício, pois essa irresponsabilidade impulsiva não só destoa dos quadrinhos, como também contradiz a própria versão do personagem no MCU, que já se colocou à frente dos outros para cumprir seu dever heroico mais de uma vez.
Você jamais conseguirá fugir de si mesmo

Quatro criminosos de diferentes nacionalidades, foragidos no coração da América do Sul, sem nada mais a perder e carregados de culpa, aceitam um frete “suicida” de nitroglicerina para apagar um incêndio no meio da floresta. Eles acham que o risco vale pelo salário alto, que pode fazê-los fugir do passado. O passado, no entanto, sempre dá um jeito de encontrá-los.
Fatalista por natureza, O Comboio do Medo (1977) é tanto um noir quanto um dos melhores suspenses já produzidos. Além disso, é o melhor filme de caminhão de Hollywood.
Há algo aqui que o cinema comercial, e principalmente os thrillers modernos, têm dificuldade de entender, que é a paciência para colocar as cartas na mesa antes do começo do jogo.
Quando a jornada começa para valer, você já sabe exatamente o peso da partida. Demora uma hora para a viagem iniciar. Tempo o suficiente para que os personagens passem a fazer parte do seu ciclo. Para você entender que, assim com um está com o outro, você também está preso com eles. Agora, é preciso sobreviver juntos a essa travessia, que não será nada fácil.
William Friedkin é o mestre da agonia, e aqui ele vai às profundezas da mente humana, partindo da ideia de que a verdadeira justiça não está nos órgãos autoritários, mas do acerto de contas do homem consigo mesmo. Para os personagens, estar vivo e continuar preso à culpa é o mesmo que estar morto. E essa é a grande tragédia: aquele dinheiro nunca resolveria a vida daqueles condenados.
Não é tão fácil achar O Comboio do Medo para assistir, porque o filme foi um grande fracasso comercial e as distribuidoras fazem pouco esforço para mantê-lo vivo. Mas também não é tão difícil, pois a internet tem feito um trabalho excelente para preservar a memória desta obra-prima.
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O elenco do reboot dos X-Men tá tomando forma. Confira a lista no fio 🧵👇
🧬 Os Confirmados Até Agora:
🔴 Sadie Sink como Jean Grey: A ruivinha de Stranger Things é o casting perfeito.
💎 Samara Weaving como Emma Frost: Nasceu para ser Rainha Branca, sim ou sim? pic.twitter.com/H8TVFWUDZm
— O Vício (@ovicio) August 1, 2026
Ranking dos filmes do Cabeça de Teia

O quão bom Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) realmente é? Montei meu próprio ranking de filmes do Cabeça de Teia, e ele provavelmente vai dar o que falar, porque as pessoas estão muito emocionadas com o lançamento recente. Mas eu conheço a minha clientela. Daqui para o final do ano, talvez até discordem, achando que ele merecia uma posição mais baixa. Confira:
- Homem-Aranha 2 (2004)
- O filme de super-herói definitivo, que jamais será alcançado por nenhum outro lançamento do subgênero. A trama fala sobre poderes, responsabilidades e um jovem que acaba de entrar na vida adulta, tendo de lidar com o fato de que a realidade não é como ele sonhou. Afinal, não se pode criar uma máscara para o mundo e outra para si. É a jornada de autodescoberta de Peter, transposta para a tela por um cineasta que, de tanto amar o cinema e a estética dos quadrinhos, criou uma lógica de decupagem que nenhum outro diretor conseguiu replicar até hoje nesse tipo de filme.
- Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023)
- Uma evolução artística do já fenomenal primeiro filme da franquia, sustentada pela desconstrução do determinismo trágico e pela imposição da empatia individual sobre o mito. Por que todo Homem-Aranha precisa ter uma história trágica? Realmente não há como lutar contra isso?
- Homem-Aranha no Aranhaverso (2018)
- Uma expressão de arte genuína que, apesar de abraçar o multiverso, não se limita à autorreferência e se preocupa em perseguir as nuances do Homem-Aranha em seus mínimos detalhes. Miles, Peter, Gwen… Seja quem estiver por trás da máscara, há um preço e uma responsabilidade em ser o herói, e este filme vai fundo para descobrir qual é.
- Homem-Aranha (2002)
- Tornou-se o grande modelo para filmes de origem, e até hoje as obras do subgênero sugam referências descaradamente de seus momentos icônicos — mas, claro, de forma muito menos talentosa do que Sam Raimi fez na época.
- Homem-Aranha 3 (2007)
- Precisamos fazer justiça a Homem-Aranha 3. É um filme de super-herói que vai fundo na reflexão de que amar é estar disposto a recomeçar todos os dias, apesar de qualquer coisa. E isso não vale apenas para Peter e MJ. Falando especificamente sobre ela, nenhuma personagem feminina foi tão bem escrita em um filme do subgênero quanto a Mary Jane neste aqui. Sim, é verdade que ela é mais uma vez sequestrada e precisa ser salva por Peter e tal, mas não é sobre isso que estou escrevendo. Estou falando de mostrar que aquela mulher não é simplesmente a “garota do Homem-Aranha”. Ela tem os próprios sonhos, comete os próprios erros e possui uma vida que não gira necessariamente em volta do Cabeça de Teia. Em tempo: só a cena dela cantando na Broadway é melhor do que qualquer coisa produzida nos mais de trinta filmes do MCU.
- O Espetacular Homem-Aranha (2012)
- Foi uma reinvenção divertida na época. Tem seu charme e lida com a ação de uma maneira física e autêntica que dá margem para Andrew Garfield fazer a sua bruxaria. Ele é o ator mais talentoso dos três Homens-Aranha.
- Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026)
- Melhorou alguma coisa visualmente em relação aos anteriores do Tom Holland, mas é tão esquecível quanto. Leia a crítica de Homem-Aranha: Um Novo Dia.
- Homem-Aranha: De Volta Para Casa (2017)
- O único dos três filmes de Jon Watts que parece não ser feito inteiramente de plástico. Ele até é, mas disfarça tão bem que fez todo mundo acreditar que a franquia estava em boas mãos. Tem um Michael Keaton excelente como vilão e, além disso, cumpre perfeitamente o papel de trazer, pela primeira vez, uma estética adolescente eficiente para o Homem-Aranha. Uma ótima homenagem ao cinema de John Hughes.
- Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021)
- O exemplo máximo do ciclo de validade dos filmes descartáveis do MCU, que, nas redes sociais, passou de “a melhor coisa já feita na história do cinema” a filme chato em poucas semanas. Se os longas anteriores já pareciam ser feitos de plástico, este — produzido durante o isolamento global de 2020 e forçado a abusar de cenários artificiais — é um verdadeiro show de horrores no aspecto visual. Mas a nostalgia funciona. Foi legal reencontrar Andrew e Tobey nos cinemas
- O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014)
- Cheio de boas intenções, mas com ideias péssimas. Visualmente, é muito superior a qualquer um dos filmes de Tom Holland, mas irrita pela forma como trata o público como idiota. Foi produzido em uma época em que a Sony não sabia exatamente o que queria fazer com a franquia, e isso transparece na tela.
- Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)
- Pior do que ser ruim, é um filme chato do Homem-Aranha. Se você não se esforçar, nem lembra que ele existe.
Destaques rápidos da semana

- X-Men: Reboot terá Samara Weaving como Emma Frost – Golaço da Marvel Studios.
- Marvel Studios volta atrás e cancela a série de Magnum – Má rapaz…
- Mahershala Ali expõe mágoa com a Marvel e sugere cancelamento de Blade – O filme pode até acontecer, mas difcilmente com ele envolvido.
- A Hora do Pesadelo: Warner e Paramount disputam remake – Um filme da franquia dirigido por Lee Cronin não empolga, mas é “menos pior” que um segundo remake quadro a quadro do primeiro filme. Qual o seu problema, Paramount?
- Gladiador Dourado: Série da DC Studios será reformulada com nova equipe criativa – A proposta de David Jenkins (Nossa Bandeira É a Morte) foi reprovada e ele ficou bem chateado.
- Fogo Contra Fogo 3 está nos planos da Amazon – O livro Heat 2 termina com um gancho. A Amazon acha que o filme vai fazer, no mínimo, US$ 500 milhões, e está empolgada para produzir mais um.
Aqui chega ao fim a nona edição da newsletter sem título do O Vício. Antes de ir, certifique-se de seguir o nosso perfil no Google para receber as melhores notícias da cultura pop em primeira mão.






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