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Nos últimos dias, nossos leitores têm recebido com espanto as notícias de que Jurassic World: Recomeço (2025) e Superman (2025), os maiores sucessos de julho, já vão chegar ao streaming on demand pouco mais de um mês após a estreia nos cinemas.
O espanto dos fãs da experiência cinematográfica é normal, mas esse movimento não é novidade. O ‘novo normal’ já está estabelecido desde 2020, e isso não tem a ver com a crise sanitária que passamos naquele ano.
Em 2018, a Ampere Analysis já previa que as receitas de streaming não demorariam a superar as de bilheteria. A empresa apontou que o crescimento do on demand seria impulsionado pelos preços de ingressos cada vez mais caros e pela conveniência do streaming.

Se pegarmos As Tartarugas Ninja: Caos Mutante (2023) como exemplo, vemos uma produção de US$ 70 milhões que não seria considerada um grande sucesso se dependesse apenas da bilheteria, pois gerou US$ 80 milhões de receita nesse segmento.
No entanto, ao ser lançado em streaming apenas 26 dias após a estreia nos cinemas, o filme animado arrecadou US$ 150 milhões com suas cópias digitais e outros US$ 135 milhões com merchandise, tornando-se um massivo sucesso de 2023.
Este não é o único exemplo do impacto da receita de streaming e home entertainment nas grandes produções de Hollywood.
A lista a seguir, com dados fornecidos pelo Deadline, mostra como os 10 maiores sucessos de 2024 em Hollywood geraram dinheiro.
Divertida Mente 2 (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 770 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 380 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 67 dias
Moana 2 (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 480 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 340 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 62 dias
Deadpool & Wolverine (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 620 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 360 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 67 dias
Meu Malvado Favorito 4 (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 425 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 350 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 34 dias
É Assim Que Acaba (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 175 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 185 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 45 dias
Duna: Parte 2 (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 315 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 375 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 45 dias
Kung Fu Panda 4 (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 235 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 240 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 32 dias
Mufasa: O Rei Leão (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 320 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 290 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 60 dias
SONIC 3: O Filme (2024)

- Receita de bilheteria – US$ 225 milhões (já retirando a parte dos cinemas)
- Receita somada de TV, streaming e home entertainment – US$ 240 milhões
- Quantos tempo levou para ser lançado em streaming on demand: 32 dias
Repare que 4 entre os 10 maiores sucessos faturaram mais com streaming e home entertainment do que com bilheteria, e nenhum destes levou mais que 45 dias para ser disponibilizado em on demand.
A receita de streaming é limpa, os estúdios não precisam dividir com os exibidores. Além disso, não há gastos consideráveis com distribuição.
Não precisa ser nenhum gênio para entender que, passado um mês de janela cinematográfica, é mais negócio para os estúdios aproveitarem o ‘hype’ do filme para faturar sozinhos com as cópias digitais, do que gerar a mesma receita nos cinemas e dividir com os exibidores.
Em casos como o de Jurassic World: Recomeço (2025) e Superman (2025), segurar o lançamento em streaming pode significar perder dinheiro.
Tenha em mente o que falamos há algum tempo: bilheteria não é mais o único parâmetro para determinar se um filme foi ou não bem-sucedido.
Agora, não há como ocultar o problema que vem disso. Mesmo que o lançamento em streaming não signifique o fim da janela cinematográfica, há claramente um impacto na arrecadação, e quem sofre com isso são os exibidores.

A longo prazo, esse ‘novo normal’ pode gerar a escassez de exibidores e isso, consequentemente, pode acarretar uma nova crise em Hollywood. Para que isso não aconteça, é necessário esforço das duas principais partes envolvidas.
Da parte dos exibidores, há a necessidade de manter a experiência cinematográfica atraente e de praticar preços de ingressos mais realistas.
Da parte dos estúdios, é preciso encontrar um meio-termo na janela entre o lançamento nos cinemas e o on demand, pois o streaming sozinho não é capaz de financiar um filme.

Por incrível que pareça, o estúdio que mais resiste a esse ‘novo normal’ é a Disney, que costuma ter uma fatia maior que o padrão na divisão da receita cinematográfica.
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Jurassic World: Recomeço (2025) chega às principais plataformas de compra e aluguel dos EUA amanhã (5), enquanto Superman (2025) caminha para um lançamento em on demand na América do Norte em 15 de agosto.






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