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Meses após a sua estreia nos cinemas, Thunderbolts* (2025) finalmente chegou ao Disney+. Quem só assistiu ao filme agora certamente percebeu que ele se sai um pouco melhor que a maioria das produções da Marvel Studios lançadas após Vingadores: Ultimato (2019). Há motivos para isso, e é sobre eles que falo aqui.
Um filme fundamentado

Para começo de conversa, preciso deixar claro que não sou um grande fã de Thunderbolts* (2025). Acho que é mais um filme afogado na cansada Fórmula Marvel, que até tenta debater temas sérios, mas de forma besta. Além disso, é visualmente carente de grandes inspirações.
Não há como negar, no entanto, que o longa de Jake Schreier tenta fugir da lógica de linha de produção estabelecida pelo MCU em sua era de expansão descontrolada para o streaming.
Dá para notar isso pelos pequenos detalhes: o trabalho de fotografia de Andrew Droz Palermo, por exemplo, foi pensado para usar o vazio e as sombras para imprimir o sentimento de tristeza dos protagonistas.
Apesar de a colorização cinza lavada do MCU ainda marcar presença, o filme demonstra, pela primeira vez, uma intenção clara por trás dessa escolha estética, o que é louvável.
A trilha sonora melancólica e propositalmente confusa da Son Lux também joga a favor dos arcos dos personagens, que talvez não tenham sido tão aprofundados no texto do roteiro por culpa da constante troca de roteiristas.
Vale lembrar que, o filme passou por problemas de calendário causados pelas greves de Hollywood, e pela necessidade de encaixe como um episódio da grande série do MCU.
Com toda dificuldade, a equipe criativa se esforçou para entregar um trabalho sério, e fez de Thunderbolts* (2025) um filme fundamentado sobre as doenças da mente.
Um filme feito por pessoas que estavam querendo fazer
É notável a dedicação de David Harbour, Florence Pugh, Lewis Pullman, Sebastian Stan e Wyatt Russell aos seus papéis, pois eles conseguiram trazer seus próprios pontos de vista para cada personagem.
Jake Schreier também demonstrou muita vontade. O diretor que não faz o trabalho mais inspirado da sua carreira, mas é o grande responsável por Thunderbolts* (2025) ter ficado minimante interessante.
Schreier exigiu trocas de roteiristas durante todo o desenvolvimento, pois insistiu em tentar contar a história sobre depressão e pertencimento da maneira mais intimista que a máquina do MCU permitisse.
Embora tenha feito menos de US$ 400 milhões em bilheteria, não chegando perto de ser o que a Marvel considera como um sucesso, Thunderbolts* (2025) é consensualmente um filme que funciona para os fãs e os que não dão a mínima pelo MCU.
A arte não é feita por encomenda
Ao meu ver, o filme funciona melhor que a maioria do MCU pós-Ultimato pelo simples fato de ter sido construído sobre ideias concretas, que envolveram todo um time que estava afim de fazê-lo. Isso parece — e é — básico, mas o básico era algo que a Marvel Studios estava penando em entregar nos últimos anos.
Não havia razão comercial alguma para se fazer um filme dos Thunderbolts* (2025) da forma como foi feito, mas arte não é algo que se encomenda. A arte simplesmente nasce a partir de ideias e envolvimento pessoal dos artistas. A Marvel precisa ter isso em mente se quiser voltar aos seus dias de glória.