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O universo criado por George Lucas carrega a guerra até na metade do seu nome, mas a ausência de um jogo tático de peso na franquia sempre pareceu um descuido curioso. Desenvolvido pela Bit Reactor, estúdio formado por veteranos da Firaxis sob o selo da EA e da Respawn Entertainment, Star Wars Zero Company surge justamente para provar o verdadeiro potencial dessa combinação. Tivemos a oportunidade de testar o game por cerca de 10 horas de uma versão prévia do título e o resultado é promissor. Trata-se de uma evolução do combate por turnos no estilo XCOM, mesmo que ainda recicle alguns deslizes de seus antecessores.

No comando da história, temos Hawks, líder de um grupo mercenário conhecido como Zero Company. A equipe opera na periferia das Guerras Clônicas e aceita serviços duvidosos pela galáxia para sobreviver à crise financeira do período. É nesse contexto de aperto que o bando acaba aceitando trabalhos secretos para a República Galáctica, mergulhando em uma trama surpreendentemente profunda e cheia de personalidade.

O enredo foge do fanservice óbvio para explorar cantos esquecidos da galáxia. A grande ameaça da campanha é a Infinite Coil, uma seita fanática liderada por Kundri Fathom que infecta seus seguidores com uma praga que concede força sobre-humana ao custo do livre-arbítrio. A estética resgata com precisão o charme analógico da trilogia prequel, trazendo um tom que lembra muito mais as histórias do antigo Universo Expandido do que uma mera lista de referências nostálgicas.

A dinâmica do grupo também se destaca pelo contraste de ideologias. O gerente da equipe é um separatista convicto, enquanto o melhor amigo de Hawks é um clone aposentado leal à República. A equipe reúne desde uma nobre de uma família mineradora até mercenários como Kabb Uppercut, um ex-boxeador Felshi, além de um Mandaloriano e até um Jedi. As conversas no acampamento e as falas durante o combate revelam camadas dos personagens, incentivando você a mantê-los vivos a todo custo.

A estrutura de jogo se divide claramente entre as missões táticas e a gestão da base. Entre os confrontos no campo de batalha, cabe ao jogador administrar recursos, contratar novos membros, liberar tecnologias e selecionar o próximo destino no mapa da galáxia. Essa etapa de gerenciamento é realizada navegando em visão em terceira pessoa pela base, o que passa uma sensação muito similar ao que temos no jogo Mass Effect. No entanto, a necessidade de caminhar até terminais específicos para acessar diferentes menus torna o processo desnecessariamente longo. Além disso, a grande quantidade de missões secundárias genéricas e o custo de dados de inteligência para liberar novos capítulos criam um ciclo de repetição que pode cansar quem busca apenas avançar na história principal.

Quando a nave pousa e o combate por turnos começa, o título mostra sua verdadeira força. O posicionamento no campo de batalha, o uso de coberturas e a sinergia entre as classes definem a vitória. As habilidades especiais consomem uma barra de recurso compartilhada chamada Vantagem, exigindo planejamento constante antes de gastar seus melhores ataques em fases iniciais dos confrontos.

O sistema de personalização permite criar combinações extremamente eficientes. Os Batedores marcam alvos no mapa para aumentar a precisão dos aliados, enquanto os Velhacos conseguem ignorar as defesas e escudos dos inimigos. Já os Atiradores de Elite podem modificar suas armas para garantir acertos críticos fatais, e os Droids Astromech atuam como unidades de suporte capazes de arremessar granadas e conceder pontos de ação extras para os companheiros mais fortes da equipe.

Para elevar a tensão das partidas, o jogo conta com o sistema de morte permanente. Perder um personagem em combate significa dar adeus definitivo a ele na campanha, o que força decisões cautelosas e gera histórias emergentes marcantes a cada erro cometido no mapa.

Star Wars Zero Company é um jogo de estratégia e combate tático por turnos focado na gestão de um esquadrão de mercenários durante o período das Guerras Clônicas. Desenvolvido pela Bit Reactor em colaboração com a Respawn Entertainment, o título combina exploração de base em terceira pessoa com missões de combate tático, trazendo mecânicas de morte permanente, progressão de classes e decisões narrativas. Sim, perder um personagem em combate significa dar adeus definitivo a ele na campanha, o que força decisões cautelosas e gera histórias emergentes marcantes a cada erro cometido no mapa.

Star Wars Zero Company será lançado no dia 27 de agosto para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.

Sou o fundador dos sites O Vício, Overplay e Muramasa, onde lidero a cobertura e análise da cultura pop e da indústria de videogames. Atuei como Game Designer e idealizador do Jotunheim Project, vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, e tive a honra de ser jurado do Anime Awards nas edições de 2024 e 2025. Sou membro da Mensa Brasil e da Intertel. No meu tempo livre, desligo um pouco das telas para focar na minha coleção de guitarras, livros e quadrinhos.


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