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Em 12 de janeiro, a 3ª temporada de Primal estreia na HBO Max trazendo novidades inusitadas, como uma versão zumbi de Spear. Conversei com Genndy Tartakovsky para entender essa escolha criativa, e ouvi do criador da série que esse retorno macabro integra um arco sobre o que nos torna humanos, bem na era em que IA ameaça deixar a criação mais mecânica.

Caso não lembre, Spear morreu no final épico da 2ª temporada após um confronto brutal contra o Gigante de Fogo — um guerreiro possuído por uma entidade demoníaca que buscava vingança. Ele se sacrificou em um último esforço desesperado, saltando de um penhasco para derrubar o inimigo e sofrendo queimaduras por todo o corpo. Assim, garantiu que Fang, seus filhotes e Mira estivessem finalmente seguros.

Primal: Genndy Tartakovsky revela detalhes da 3ª temporada e o novo arco de Spear (Exclusivo)
Reprodução/HBO Max

A lógica do novo ano é clara: se a 2ª temporada focou na busca de Spear por seu lugar na evolução, a 3ª explorará a redescoberta de sua própria humanidade.

Ao longo da 2ª temporada, tivemos Spear percebendo qual é o seu lugar no mundo, porque ele vê o homem que é mais desenvolvido. Então, [a 3ª temporada] é diferente, pois, de certa forma, você tem que passar pela morte para encontrar a vida.“, disse Tartakovsky. “Tematicamente, eu acho que é mais ou menos onde estamos.

Os fãs estão prestes a presenciar um novo cenário: a busca de Spear pela humanidade conduzirá a série por rumos distintos dos anos anteriores. Embora preserve o DNA de Primal, a 3ª temporada despertará emoções por caminhos ainda inexplorados.

A ideia de que o Spear é um zumbi torna tudo diferente“, continuou o criador da série. “Ele não sabe quem ele é. Ele não tem consciência de que é o Spear. E isso torna tudo diferente. E agora a história, a maneira como estamos contando a história e a forma como estamos construindo as emoções, é muito diferente das duas primeiras temporadas. E, ao mesmo tempo, ainda é Primal.

Reprodução/HBO Max

Essa evolução é fruto da sinergia com o Studio La Cochette e da compreensão consolidada do público sobre a identidade de Primal. Genndy Tartakovsky não precisa mais reiterar a ausência de diálogos ou a relevância da mixagem de som; com a audiência plenamente sintonizada, a produção ganha liberdade para explorar novas fronteiras criativas.

Nós todos crescemos juntos“, disse Genndy sobre o Studio La Cochette. “Eles estão melhores, nós estamos melhores, e temos mais confiança em contar as histórias visualmente. Porque no começo era tipo: ‘Será que isso vai funcionar? As pessoas vão gostar disso?’ E agora pensamos: ‘Sim, está todo mundo a bordo. Eles sabem que não há diálogo. Não é uma surpresa.’ E então, isso nos permite tentar coisas novas e brincar com a emoção, a ação e como estamos fazendo isso.

Acredito que um criador se torna mestre em sua arte quando entende de forma ampla os recursos que ela oferece e os usa a seu favor. Influenciado pelas animações clássicas e exageradas de Tex Avery, pelos quadrinhos de Conan e pelos filmes de Sergio Leone, Genndy Tartakovsky constrói um audiovisual animado que vai além do que se vê; a história está no que você, como público, sente.

Eu uso princípios de desenho animado, mas para ação dramática e emocional. Mas eu acho que a espinha dorsal de tudo está nos cartoons. Porque essa é a minha sensibilidade, e os cartoons são uma caricatura da vida.“, explicou Genndy sobre as suas influências. “Eles são meio que um desenho animado, de certa forma. E então, a forma como desenhamos um grande soco ou algo assim é mais exagerada. Não é apenas um soco realista. E eu acho que é isso que me torna… quem eu sou, depois de todos esses anos fazendo isso.

Com base nessa percepção, Genndy acredita que a cena mais importante de Primal está logo no primeiro episódio, quando o público compreende o peso dos dramas vividos por Spear e Fang.

Eu penso que se eu nunca fosse capaz de fazer você sentir que o Spear perdeu a família, que a Fang perdeu os filhos, e você nunca sentisse a conexão desses dois personagens, então a série inteira desmoronaria.“, admitiu Genndy. “Eu sempre me preocupei que a violência fosse mais proeminente, ou que as pessoas sentissem a violência mais do que os personagens. E eu tinha medo disso. E, para minha surpresa, foi diferente. Todos se apaixonaram pelos personagens e pelo relacionamento deles, e então todo o resto veio por baixo.

Reprodução/HBO Max

Os fãs devem se preparar: a introdução da 3ª temporada de Primal promete ser tão determinante quanto o início da série. Será nesse momento crucial que o público descobrirá os detalhes do novo arco de Spear. “Agora vamos descobrir como ele se tornou um zumbi, o que isso significa e, sem entregar nada, descobrimos onde estamos na linha do tempo. E então tudo isso será revelado no primeiro episódio.“, concluiu Genndy.

Se as duas primeiras temporadas nos ensinaram a amar o homem e a fera, a terceira parece pronta para nos fazer questionar o que resta da alma quando o corpo já não é o mesmo. O retorno de Primal em janeiro promete ser, acima de tudo, uma lição de sobrevivência afetiva.

Perguntas e respostas

Após uma 1ª temporada de sobrevivência visceral e uma que expandiu o mundo com o elemento “fantástico”, qual é a força temática e de gênero central que guia a 3ª Temporada?

Eu acho que, tematicamente, é sobre encontrar a humanidade novamente. E penso que, ao longo da segunda temporada, tivemos Spear percebendo qual é o seu lugar no mundo, porque ele vê o homem que é mais desenvolvido, certo? E isso é diferente, porque de certa forma você tem que passar pela morte para encontrar a vida. Então, tematicamente, eu acho que é mais ou menos onde estamos.

Primal é um masterclass em narrativa sem diálogos. Como está sendo abordado o design de som para a 3ª Temporada, especialmente agora que o público tem expectativas tão altas? Vocês estão utilizando novas técnicas ou instrumentos para comunicar emoções ou perigos que não ouvimos nas temporadas anteriores?

Bom, eu acho que a ideia de que o Spear é um zumbi torna tudo diferente. E ele também está sem vida. Ele não sabe quem ele é. Ele não tem consciência de que é o Spear. E isso torna tudo diferente. E agora a história, a maneira como estamos contando a história e a forma como estamos construindo as emoções, é muito diferente das duas primeiras temporadas.

E, ao mesmo tempo, ainda é Primal. Ainda queríamos que parecesse o mesmo programa que você assistiu por 20 episódios. E eu acho que, usando o mesmo estúdio, o Studio La Cochette, que faz a animação, nós todos crescemos juntos. Então eles estão melhores, nós estamos melhores, e temos mais confiança em contar as histórias visualmente. Porque no começo era tipo: “Será que isso vai funcionar? As pessoas vão gostar disso?” E agora pensamos: “Sim, está todo mundo a bordo. Eles sabem que não há diálogo. Não é uma surpresa.” E então, isso nos permite tentar coisas novas e brincar com a emoção e a ação e como estamos fazendo isso.

Primal se inspira em um vasto portfólio de influências, de Samurai Jack a Conan, o Bárbaro. Existe alguma influência específica (seja de filmes, quadrinhos ou literatura) que vocês estão canalizando diretamente para a atmosfera ou estrutura de um episódio particular da 3ª temporada?

Não, não creio que haja algo específico. Eu acho que todas essas influências sempre aparecem no meu trabalho. Como eu venho falando sobre Primal há um tempo, e minha carreira já tem 35 anos, você meio que olha para trás e vê: “De onde veio tudo isso?” E tudo remonta a Tex Avery, Sergio Leone e histórias em quadrinhos.

Há essa estranha fusão das coisas que eu faço, onde eu uso princípios de desenho animado, mas para ação dramática e emocional. Mas eu acho que a espinha dorsal de tudo está nos desenhos animados. Porque essa é a minha sensibilidade, e os quadrinhos são uma caricatura da vida. Eles são meio que um desenho animado, de certa forma. E então, a forma como desenhamos um grande soco ou algo assim é mais exagerada. Não é apenas um soco realista. E eu acho que é isso que me torna… quem eu sou, depois de todos esses anos fazendo isso.

Genndy, você domina a arte de usar a animação para destilar a emoção humana à sua forma mais primitiva. Para você, qual é a cena filosoficamente mais importante de toda a série?

Quer dizer, eu acho que é o primeiro episódio. Eu penso que se eu nunca fosse capaz de fazer você sentir que o Spear perdeu a família, que a Fang perdeu os filhos, e você nunca sentisse a conexão desses dois personagens, então a temporada inteira desmoronaria.

Tudo se baseou naquele primeiro episódio, se eu conseguisse realmente fazer você sentir emocionalmente. Porque o programa é meio sexy, certo? Porque tem violência, e podemos mostrar sangue, e tudo mais.

Eu sempre me preocupei que a violência fosse mais proeminente, ou que as pessoas sentissem a violência mais do que os personagens. E eu tinha medo disso. E, para minha surpresa, foi diferente. Todos se apaixonaram pelos personagens e pelo relacionamento deles, e então todo o resto veio por baixo.

Portanto, a cena mais importante são realmente aqueles dois momentos. E depois o momento no final em que eles estão criando laços.

A 2ª Temporada terminou com um enorme sacrifício e a promessa de uma nova linhagem. Em que medida a 3ª Temporada irá respeitar a linha do tempo e as consequências diretas de Ecos da Eternidade, em contraste com a exploração de arcos de história inteiramente novos dentro do universo já estabelecido?

Bem, essa é a grande surpresa de que o Spear está vivo, de certa forma, como um zumbi. E agora vamos descobrir como ele se tornou um zumbi, o que isso significa e, sem entregar nada, descobrimos onde estamos na linha do tempo. E então tudo isso será revelado no primeiro episódio.

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Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.