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Um dos personagens mais interessantes da Marvel e até o favorito de muita gente, sim, estamos falando do defensor da Cozinha do Inferno. O Homem sem Medo…. o Demolidor! Nesta lista, reunimos alguns dos títulos mais interessantes para novos leitores, que se apaixonaram pelo personagem através da série ou estão hypados para verem Matt Murdock no Universo Cinematográfico da Marvel.

Então, vamos lá:

Fase Frank Miller

Muitos escritores, quando estiveram responsáveis pelo título do Demolidor, adicionaram elementos e conceitos que acabaram por enriquecer ainda mais o mito do personagem. Mas nenhum deles fez isso como Frank Miller. Miller fez isso tão bem, que acabou não apenas mudando o personagem para sempre, mas também a própria forma de se fazer quadrinhos. Sua abordagem teve um profundo impacto no Demolidor, tanto narrativa quanto visualmente, marcando-o para sempre.

Quando Miller assumiu o título, em 1979, os quadrinhos procuravam seguir um caminho seguro e pouco ousado. Não havia espaço para experimentação ou ousadia nos quadrinhos de super-heróis. A maioria dos escritores que passaram pelo Demolidor após a saída de Stan Lee, apenas buscaram emular o seu trabalho, tomando o máximo de cuidado para não abalar o status quo da série e dos personagens, o que fez com que o título corresse o risco de cancelamento. Miller decidiu fazer diferente. Ele levou o Demolidor a lugares perigosos. Artisticamente, Miller adicionou uma camada de sombras e perigo em cada painel, e quando teve a chance de também cuidar dos roteiros da revista – já que ninguém se importava mais – teve liberdade para fazer o que quisesse.

Miller pegou um vilão pouco utilizado do Homem-Aranha, o Rei do Crime, e o transformou em um dos personagens mais complexos e perigosos que os leitores da Marvel já haviam visto, além de ter sido o primeiro escritor a adicionar um elemento religioso nas histórias do Demolidor, estipulando que o homem que se vestia como um demônio, era na verdade um fervoroso católico. Mas a maior contribuição de Frank Miller para o Demolidor foi a introdução de uma personagem que transbordava um proibido apelo sexual, agindo como a perigosa femme fatale da vida de Murdock, a ninja Elekra. Com Elektra, Miller trouxe aos quadrinhos de super-heróis uma sexualidade pouco convencional, tornando-a a amante e o grande amor da vida de Matt Murdock. E quando a popularidade da personagem estava no topo, Miller fez o impensável e a matou pelas mãos do Mercenário, que a partir dali se tornaria um dos mais odiosos antagonistas do Demolidor.

Durante sua marcante passagem pelo título, Miller simplesmente redefiniu o universo do personagem, mexendo tanto em seu passado quanto no presente, estipulando conceitos tão icônicos que fazem com que muitos o considerem praticamente um criador moral do Demolidor, como o fato de ter definido a personalidade de Matt como alguém instável e esquizofrênico, sempre andando na linha entre a sanidade e a loucura.

A Queda de Murdock

Em 1986, três anos após já ter saído dos roteiros do personagem tendo alavancado suas vendas, Frank Miller ainda voltou ao Demolidor mais uma vez, para um última história. Uma despedida. Acompanhado do artista David Mazzucchelli, Miller entregou aquela que é considerada a melhor história do Demolidor de todos os tempos. O seu clássico absoluto: A Queda de Murdock.

Após ter sua identidade secreta revelada para o Rei do Crime por sua ex-namorada Karen Page – agora uma drogada que se prostitui por uma dose – Matt Murdock vê sua vida pouco a pouco sendo transformada em um inferno. O Demolidor é jogado para um lugar onde nunca esteve antes. Depois de descobrir sua identidade secreta, o Rei do Crime, Wilson Fisk, põe em prática suas maquinações para destruir a vida da alma mais pura e decente que ele já encontrou. Com um maligno polvo, os tentáculos do Rei do Crime se estendem, infiltrando-se em cada mínimo aspecto da vida pessoal de Matt Murdock. Fisk suborna Nick Manolis, um policial até então honesto, para que ele faça falsas acusações contra Murdock, que acaba sendo impossibilitado de advogar. Fisk também manipula registros bancários, congela a conta de Murdock, e como toque final, explode sua casa. Esse desejo e conhecimento de causa em infligir tais torturas acaba por estipular ainda mais que o Rei do Crime não é apenas um homem maligno, mas a personificação da própria maldade. Quando aplicado a Wilson Fisk, o mal deixa de ser um adjetivo, tornando-se um substantivo.

O caminho para a salvação do Demolidor o conduz através da misteriosa Irmã Maggie, introduzida de forma sutil como a mãe de Matt Murdock, e que mais tarde realmente se revelaria como tal. Toda a concepção da história é construída em cima da ideia central do Demolidor, de que não importa o quanto apanhe, ele se erguerá novamente. Mesmo com sua vida destruída, o herói consegue forças não apenas para se reconstruir e encarar o seu inimigo, mas também tempo para perdoar. Uma história que começa com Karen Page destruída e prostituída vendendo a identidade do Demolidor por um dose de heroína, termina com a personagem recuperada e reconstruindo sua vida ao lado do homem que ama. Não existe remorso, e sim perdão. Esse é o Demolidor. E a prova de como Frank Miller entende o personagem.

O Homem Sem Medo

Por tudo que fez pelo personagem, por toda mitologia que criou, e por todos os personagens icônicos que inseriu na história do Demolidor, pode-se dizer que Frank Miller é tão criador do personagem quanto Stan Lee e Bill Everett. Sua contribuição talvez seja até mais marcante do que a dos dois primeiros. E assim, em 1993 o autor uniu-se ao desenhista John Romita Jr. para fazer uma releitura da origem de Matt Murdock, no que inicialmente foi pensado pelos seus realizadores como roteiro de um filme em potencial. E é notório como a HQ realmente é carregada de elementos cinematográficos, costurando todos os personagens importantes do universo do Demolidor em uma história recheada de ação e mitologia.

Nesta minissérie em 5 edições, Miller consegue respeitar o conto original de Lee e Everett, ao mesmo tempo em que trabalha com personagens e tramas estipulados em sua própria fase pelo título do Demolidor, no final de década de 70 e início da década de 80. Assim, vemos finalmente o treinamento do jovem Murdock com seu mestre, o místico Stick, seu romance na faculdade com a femme fatale Elektra, e a ascensão de Wilson Fisk, que evolui de um simples capanga para o posto de Rei do Crime de Nova York.

Desde sua publicação, O Homem Sem Medo vem sendo considerada por muitos leitores como a versão definitiva dos primeiros dias do Demolidor, apesar de alguns acontecimentos contradizerem não apenas a versão de Lee e Everett como até mesmo histórias escritas pelo próprio Frank Miller, principalmente no que se refere à origem de Elektra. Muitos conceitos da HQ, incluindo a roupa caseira preta utilizada por Matt antes mesmo da clássica amarela, foram introduzidos na série de sucesso realizada em parceria pela Netflix e Marvel Studios.a

Diabo da Guarda

Para sair da falência, criativa e financeira, a Marvel precisava fazer algo para reconquistar seu público, cansado da falta de inovação criativa da empresa. Para isso, a editora colocou nas mãos dos artistas Joe Quesada e Jimmy Palmiotti a responsabilidade de revitalizar alguns dos seus títulos que tinham o número mais baixo de vendas e personagens quase esquecidos. Liderando o novo selo batizado de Marvel Knights, eis que surge “Demolidor #1”, desenhado por Quesada e Palmiotti, e escrito pelo cineasta Kevin Smith. Juntos, Quesada e Smith mostraram aos fãs como um quadrinho moderno deveria ser. Com um pé no passado e um olho no futuro, a dupla rompeu o tédio dos leitores, marcando o início de uma nova era para a Marvel, uma era que iria continuar por anos, atingindo o seu ápice com uma venda de quatro bilhões de dólares para a Disney e uma franquia cinematográfica bilionária. E tudo isso surgiu de uma história bem legal com o Demolidor.

Na época, os criadores estavam presos no mundo criado e aperfeiçoado por Frank Miller, emulando e reinventando suas ideias, sem nunca acrescentar qualquer coisa nova. Já Kevin Smith, em poucas edições virou o mundo do personagem novamente de cabeça para baixo, matando Karen Page – assassinada pelo Mercenário – abalando todas as convicções de Matt Murdock e literalmente jogando-o na sarjeta, em uma história onde o herói precisa proteger um bebê que supostamente seria o anti-cristo. Tudo para que no final da história o personagem abandone sua jornada na escuridão e caminhe para a luz, algo que serve também para retratar a situação da Marvel Comics após essa fase do Homem Sem Medo.

Demolidor: Amarelo

Quando uma HQ do Demolidor é lançada com um tema compartilhado por outros personagens, o Homem Sem Medo sempre se sai melhor. E isso se comprova na obra Demolidor: Amarelo (2001), de Jeph Loeb e Tim Sale, que acaba sendo e mais emocionante da “trilogia das cores”, da qual também fazem parte Homem-Aranha: Azul e Hulk: Cinza. A história gira em torno do passado do personagem, quando ele ainda utilizava seu clássico uniforme amarelo, focando em seu relacionamento amoroso com aquela que foi o seu mais puro amor: Karen Page. Bem humorado, emocionante e sentimental, Amarelo funciona como uma perfeita homenagem ao trabalho de Stan Lee, oferecendo uma abordagem vibrante e contemporânea do personagem.

Fase Brian Michael Bendis

Brian Michael Bendis teve a tarefa pouco invejável de suceder Kevin Smith como escritor regular do Demolidor. E o roteirista não apenas topou o desafio, como mudou a forma como os quadrinhos da Marvel eram escritos. Ao invés de simplesmente seguir os passos de Miller e Smith, Bendis expandiu os papéis do DemolidorRei do Crime, Mercenário e Elektra no Universo Marvel, com uma voz única nos quadrinhos. Ele revelou para o mundo que Matt Murdock era o Demolidor, mudando para sempre a forma como o vigilante operava; Fez o Rei do Crime ser espancado aparentemente até a morte; deu um confronto incrível para Demolidor e Mercenário, com Matt esculpindo uma cicatriz em forma de alvo na testa do assassino – e tudo isso pelo ponto de vista do personagem mais próximo aos leitores: Ben Urich. O Demolidor estava em um mundo desagradável, com um clima noir sujo, obscuro e sempre chuvoso, algo novo e diferente para os leitores da Marvel.

Ao lado de Bendis estava o desenhista Alex Maleev, cujo traço magistral aumentou ainda mais a sensação de perigo e de realidade trazida pelo título. Bendis revelou-se um escritor sem medo de mudanças, conflito ou controvérsia, e muitos de seus conceitos permaneceram em vigor anos após sua saída. O Murdock de Bendis –  apesar de ter sido um dos que mais sofreu nas mãos de um roteirista – permanecia de pé e lutando, por mais que o escritor pressionasse mais e mais seu ponto de ruptura, provando que o Demolidor é uma dos personagens mais inspiradores e resilientes do Universo Marvel.

Fase Brubaker

Quando Ed Brubaker e o artista Michael Lark foram a equipe criativa responsável pela série em quadrinhos da DC “Gotham Central”, muita gente acreditava que aquela dupla poderia trazer algo realmente incrível para o Demolidor. Então, quando Brubaker assinou contrato de exclusividade com a Marvel, era apenas uma questão de tempo até ele entrar de cabeça na sujeira da Cozinha do Inferno.

Com uma ambientação extremamente noir e um clima policial e realista – muito pela arte de Michael Lark – Brubaker conseguiu manter a altíssima qualidade do título após a aclamada fase de Brian Michael Bendis. Como se não fosse o bastante tudo que Murdock sofreu na fase anterior, aqui o roteirista dá continuidade ao inferno pessoal do personagem, jogando-o na prisão, ao lado de todos os criminosos os quais ele mesmo ajudou a prender.

Mas além da prisão, um dos focos principais de Brubaker durante sua fase foi a nova esposa de Matt, Milla Donovan, uma mulher cega que trouxe esperança para o mundo sombrio de Matt, até o momento em que ela foi lentamente levada à loucura pelo Senhor Medo e o Rei do Crime. Brubaker cria uma clássica tragédia conforme Milla perde sua humanidade, usando a inocência perdida da personagem para demonstrar aos leitores as consequências de se viver no mundo de Matt. Um lugar infernal, de horror e brutalidade. O destino de Milla acaba sendo trágico e injusto, mas é apenas mais um demonstração do quanto o mundo escolhido pelo Demolidor é implacável. 

Demolidor: Redenção

De vez em quando, um quadrinho fora do título regular de um herói aparece de repente e rouba a cena. E foi exatamente isso que aconteceu em 2005, quando o escritor David Hine uniu-se ao desenhista Michael Gaydos, e ambos trouxeram a minissérie em 6 edições Demolidor: Redenção, história que rapidamente tornou-se uma das favoritas do personagem entre os leitores. Na história, Matt sai de sua zona de conforto na Cozinha do Inferno e segue para o sul, mais exatamente em Redemption Valley, onde deve defender um homem suspeito de assassinar crianças em um culto satanista.

Redenção é uma história que realmente foge das aventuras regulares do Demolidor, não apenas pelo radical choque cultural, mas porque o personagem é confrontado com uma visão pervertida de suas próprias crenças na justiça americana. Um conto onde o advogado é o personagem principal, e não o vigilante, e onde Matt confronta o seu pior pesadelo: pessoas que querem o tipo errado de justiça.

Fase Mark Waid

As fases de Bendis, Brubaker e Diggle pelo Demolidor foram fases intensas e sombrias, que pressionaram o personagem a seu ponto de ruptura e além. Apesar de terem tornado Matt alguém mais humano, falho e interessante, os leitores acabaram ficando saturados após quase uma década de tortura constante. É nesse momento que entra Mark Waid, adaptando conceitos da Era de Prata para um contexto moderno, e criando uma experiência nova e original, que relembra em muito os primórdios do personagem, quando era um herói mais inocente pelas mãos de Stan Lee.

Waid não ignora o que veio antes dele, utilizando o que foi estipulado pelos escritores anteriores, mas acrescentando elementos de leveza esperança, trazendo um alívio bem vindo às histórias do Demolidor. O Matt Murdock de Waid sai um pouco mais do campo urbano ao qual o personagem esteve tão preso, e volta a ser incluído de forma mais abrangente ao Universo Marvel como um todo. Aqui temos aventuras do herói com o Mancha, o Garra Sônica, e até mesmo o Surfista Prateado. E apesar de toda a tragédia que o personagem passou, finalmente ele voltava às suas raízes e podia sorrir novamente.

Esse é o contraste que torna a fase de Waid algo tão convincente; a tragédia é um grande elemento a respeito de quem Matt é, mas a sua capacidade de superar as adversidades é que faz dele um grande herói. A mudança de personalidade do Demolidor não é feita de forma abrupta ou descaracterizando o personagem, e sim de uma forma inteligente, onde personagens como seu amigo Foggy Nelson são utilizados como uma representação do leitor, questionando o herói sobre sua nova abordagem da vida.

Fase Charles Soule

Após a saída de Mark Waid do título, entra Charles Soule, mudando um pouco a dinâmica do herói urbano e trazendo-o de volta para a Cozinha do Inferno (na fase Waid, o Homem Sem Medo acabou indo para São Francisco). Além disso, Soule volta com a identidade secreta do personagem, estipulando que mais uma vez ninguém sabe que Matt Murdock e o Demolidor são a mesma pessoa.

Um outro ponto interessante da vida do personagem nessa fase, é que Matt deixa de ser um advogado de defesa, para passar a trabalhar como advogado de acusação, tornando o seu trabalho com o direito uma verdadeira extensão daquele exercido no vigilantismo. Uma novidade para a vida do Demolidor é que agora ele tem um discípulo, o jovem Samuel Chung, um imigrante ilegal da China. A arte de Ron Garney, acompanhada de um novo uniforme onde o preto predomina mais que o vermelho, ajuda a definir o tom mais sombrio da nova fase. No entanto, muito do charme e aventura da fase Waid ainda permanecem no cerne do título.

Fase Chip Zdarsky

Uma nova fase do personagem começou em 2019 com o escritor Chip Zdarsky. Matt Murdock não é mais o mesmo, ele tem passado por fisioterapia e seu corpo tem sentido o peso de tudo que aconteceu. Agora, ele vive com medo e dor, mas mesmo voltando à ativa, será que ele é o mesmo homem de antes? A atual fase do personagem tem sido publicada pela Panini com renumeração e pode ser encontrada nas bancas.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.