As aventuras de Goku começaram de maneira bem simples, com uma pegada mais mística e divertida. Dragon Ball foi lançado no ano de 1984 na Weekly Shonen Jump, escrito e ilustrado por Akira Toriyama. A série original durou até maio de 1995, contando com 42 volumes e 519 capítulos. Na época, Toriyama anunciou que precisava de uma pausa nos desenho.
Porém, mesmo que o mangá tenha sido lançado há mais de 30 anos, a franquia se tornou uma das mais bem sucedidas e conhecidas ao redor do mundo. Hoje, Dragon Ball Super continua oficialmente as aventuras que se fecharam em 1995, mas de onde surgiu a ideia?
Em 2017, quando Goku foi eleito por votação como o personagem de mangá e anime mais poderoso de todos os tempos, o criador da série, Akira Toriyama, relembrou as origens do seu trabalho:
‘Mesmo sabendo que um mangá de luta tinha sucesso entre os leitores shonen, eu fui teimoso e decidi criar um mangá de aventura inspirado no romance ‘Jornada ao Oeste’. Só que seria chato deixar tudo igual, assim, eu mudei o macaco para um humano com cauda e comecei uma versão modificada da história, onde os personagens buscam as sete Esferas do Dragão’
Porém, o mangá não ficou tão popular de cara, sofrendo um pouco no começo. Por tal motivo, Toriyama passou a dar foco às batalhas. Posteriormente, Goku acabou perdendo sua cauda na história e apenas seu nome se mantinha fiel à inspiração original.
No texto de agradecimento, Toriyama também deixou claro que o objetivo de Goku é bem simples: ele quer ser o mais forte de todos. E a votação mostra que ele realmente conseguiu.
Mas o que é Jornada ao Oeste?
O popular clássico chinês Jornada ao Oeste é uma influente obra que já foi adaptada inúmeras vezes – o exemplo é que Son Goku é uma referência direta a Sun Wukong, o Rei Macaco. Assim como Goku, Wukong é um lutador corajoso com habilidades superpoderosas. A obra foi publicada por volta de 1570, durante a dinastia Ming.
Para quem não sabe, Jornada ao Oeste conta a trajetória de um monge budista que viaja para as áreas ocidentais da Ásia em busca de escritos sagrados do budismo, e em sua viagem é acompanhado por algumas figuras bem peculiares, sendo a principal delas o Rei Macaco, Sun Wukong. Wukong é abençoado com inúmeras habilidades fantásticas no livro, desde feitiços mágicos e a habilidade de se transformar em 72 diferentes criaturas até a manipulação do clima. Além disso, ele pode transformar cada um dos pelos do seu corpo em duplicatas suas, e é possuidor de um bastão mágico que pode crescer ou ficar do tamanho de uma agulha, e também de uma nuvem voadora. Com certeza, você já deve ter notado algumas referências aqui que Dragon Ball acabou abraçando, certo?
A verdade é que Jornada ao Oeste é uma peça bem importante da história literária, tanto para a Ásia quanto para o mundo. Além de ter inspirado Dragon Ball, existem várias obras que também beberam desta fonte.
Similaridades entre Dragon Ball e Jornada ao Oeste

- Son Goku é a versão japonesa do nome Sun Wukong
- O bastão mágico é a mesma arma usada no conto original. Em ambas as histórias, ele não era planejado como uma arma: Em Dragon Ball, ele era a conexão entre a Torre Karin e o templo de Kamisama. Em Jornada ao Oeste, ele era usado para medir a profundidade dos oceanos.
- As caudas são o ponto fraco de Wukong e Goku (no começo da história, Goku ficava fraco quando sua cauda era puxada ou segurada). Enquanto Wukong não conseguia transformar sua cauda, o que foi desvantagem na luta contra Erlang Shen.
- Goku aprendeu o teleporte, enquanto Wukong conseguia viajar grandes distâncias com uma cambalhota
- Goku visitou o outro mundo, morrendo e revivendo. Wukong também visitou o submundo.
- Ambos foram treinados por mestres eremitas;
- Chaos é baseado em Nezha;
- Tenshinhan é baseado em Erlang Shen;
- Oolong é baseado em Zhu Baije, o Porco dos Oito Preceitos.
- Bulma é baseada no Monge Xuanzang.
Mas Goku não é um alienígena?
No livro lançado em 2009, Dragon Ball: A Visual History, o autor Akira Toriyama admite que tal evolução foi um retcon:
‘Quando tudo começou, eu não planejava que Goku fosse um alienígena que se transformava em um macaco gigante. Eu me impressionei com a forma como eu fiz este retcon. Se isso faz parecer que eu seja um autor meia-boca, você estaria certo, só que não. Apesar de parecer isso, eu penso muito sobre todas essas coisas. Quer dizer, é claro que eu penso.. sou um profissional, afinal de contas…’
Minha recomendação? Aproveite que tem muita coisa adaptando esta obra e corra atrás. Ler obras tão influentes ajudam a entender melhor o processo criativo de autores tão famosos e bem sucedidos como Akira Toriyama, além de enriquecer sua biblioteca e conhecimento.