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Se você é jovem, talvez não imagine que Zé Ramalho, O Incrível Hulk e a Marvel já estiveram no centro de uma complexa e surpreendente trama de plágio nos anos 80. É uma história inusitada que une MPB e super-heróis, e que faço questão de desenterrar agora.

Em 1982, Zé Ramalho lançou seu quarto álbum de estúdio, Força Verde. A faixa que abria o disco também se chamava Força Verde e foi copiada da introdução de The Incredible Hulk #138 — edição que havia sido trazida ao Brasil pela primeira vez em 1972, pela GEA.

Reprodução/Marvel Comics
Reprodução/Marvel Comics

Não demorou até que outro leitor de quadrinhos percebesse o plágio. A música foi lançada no Fantástico e, dias depois, Wellington Farias estava fazendo a denúncia no jornal A União, da Paraíba. Ele, inclusive, foi além: não apenas Zé Ramalho havia plagiado a Marvel, mas o roteirista da HQ, Roy Thomas, tinha tirado essa introdução de um poema do dramaturgo irlandês William Butler Yeats.

Plágio de Zé Ramalho
Reprodução/Acervo do Jornal A União

A situação não pegou nada bem para Zé Ramalho, que já estava sendo acusado de plágio por repentistas nordestinos na época. O músico viveu um período conturbado de brigas com a imprensa, o que causou prejuízos não apenas à sua imagem, mas também à sua saúde.

Reprodução/Acervo do Jornal A União

Por anos, Zé Ramalho tentou negar o plágio, até que, não tão recentemente, assumiu a inspiração, citando William Butler Yeats, e não diretamente O Incrível Hulk. Na ocasião, o músico disse que os produtores do estúdio estavam cientes da cópia durante a gravação da música, e não viram problema algum com isso.

O plágio, no entanto, foi de fato da revista nacional de O Incrível Hulk, pois a letra da música é a mesmíssima versão do poema “The Sorrow of Love“, que Roy Thomas adaptou especificamente para a história do Gigante Esmeralda.

Para o bem ou para o mal, a canção Força Verde não apenas é um marco na discografia de Zé Ramalho, mas também um dos casos mais inusitados da cultura pop brasileira. É uma história que prova como as fronteiras entre a alta arte, a cultura de massa e a música popular são permeáveis.

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Fonte: IJBA

Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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